REELEIÇÃO: CONFÚCIO CONFIRMA CANDIDATURA DIA 29

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As razões do largo sorriso exibido por cada uma das lideranças peemedebistas do pedaço são as mesmas do desalento daqueles que esperavam sabe-lo com certeza fora da campanha. Confúcio Moura assegurou aos líderes partidários que vai, sim, disputar a reeleição, apenas mantendo a disposição de anunciar publicamente no dia 29, pouco antes do fim do prazo para registro de candidaturas, que expira no dia cinco de abril. A notícia caiu como uma bomba em meio aos pretensos adversários, que se movimentam por todo o estado em busca de apoio até de quem nada tem a oferecer.

A decisão de Confúcio Moura altera completamente as projeções e estimativas do quadro sucessório. Sem ele, qualquer liderança se sentia estimulada a reivindicar o direito a disputar a sucessão como cabeça de chapa. Sonhos e aspirações terão agora que ser engavetados em função da necessidade de redefinição das peças do xadrez eleitoral. É que muitos entre os que se imaginavam em condições de aventurar-se serão obrigados a reconsiderar, diante da inevitabilidade da derrota. Resta partir para a disputa para cargos, eu diria, mais acessíveis. Claro que outros deverão persistir, até para valorizar o cacife numa eventual negociação. Faz parte do jogo.

Enquanto isso:

O inferno astral de Dilma Roussef em seu relacionamento com o PMDB da Câmara, liderado por Eduardo Cunha, está longe de terminar. Os cargos são a razão pretextada e disse ninguém haverá de desconfiar, tratando-se de quem é. Mas há uma outra questão que começa a se revelar um obstáculo intransponível para a manutenção do relacionamento: a disposição petista de conquistar a hegemonia nas duas casas em 2015.

Essa ruptura nem Tancredo Neves ou Ulysses Guimarães conseguiriam remendar. E os liderados de Eduardo Cunha, Henrique Alves na linha de frente, já estão pensando em uma candidatura alternativa. Eu já sugeri aqui o nome de Michel Temer para disputar a Presidência ou invés da vice. Para início de conversa, perto de Lula e Dilma, Michel Temer é um estadista. Depois, segundo a filosofia de Tiririca, “pior do que está não fica”.

Legalização da maconha

maconhaJá defendi inúmeras vezes a descriminalização da maconha como mecanismo mais eficaz para combater o poder dos traficantes, a violência, o tráfico de armas, o crime organizado, enfim. O mundo perdeu definitivamente a guerra contra as drogas. A maconha vicia? Acredito que sim, mas o álcool e o cigarro também e nem por isso são proibidos. Acredito que cada um deva cuidar de seus dependentes, porque eles vão continuar aparecendo em número cada vez maior, apesar do combate sistemático das autoridades.

Uma coisa é certa: o crack só tem maior apelo comercial do que a maconha porque é mais barato. Gostaria de conhecer a opinião de quem possa ter alguma alternativa mais eficaz do que a legalização. Claro que não dogmática, religiosa ou meramente hipócrita. Sobre o assunto, li hoje um bem embasado artigo de Gulherme Scalzilli, publicado no site Jus Brasil. Reproduzo aqui e recomendo a leitura. Vale à pena.

Por que é tão difícil legalizar a maconha?
Demonização da planta e imobilismo da política e mídia tradicionais são parte da explicação. Mas não descarte interesses comerciais da indústria farmacêutica…

Existe um consenso mundial de que o proibicionismo antidrogas fracassou e deve ser substituído por outro paradigma jurídico. Também já está bastante claro que o novo modelo jamais logrará êxito enquanto não incluir a legalização da maconha, isto é, a venda controlada e a permissão para o cultivo doméstico. Essas medidas retirariam do crime organizado o monopólio sobre uma planta que, ao contrário de outras substâncias ilícitas, o cidadão pode produzir a custo irrisório. Sem pagar um centavo a bandidos.

Só a perspectiva de reduzir os ganhos do tráfico deveria bastar para que a sociedade brasileira se mobilizasse em torno da questão. Acrescentando-lhe os desdobramentos positivos na área criminal (maior eficácia no combate à violência, alívio do sistema carcerário e da corrupção fardada), a causa ganha força inquestionável, dispensando os muitos alicerces filosóficos e doutrinários que a justificam.

Mas então de onde vem a curiosa antipatia que os nossos legisladores parecem nutrir por uma planta de uso disseminado, utilidades múltiplas e cultura milenar? Primeiro do estigma criado pela propaganda estadunidense na eficaz demonização da maconha que se seguiu ao fim da lei seca e justificou décadas de programas intervencionistas de Washington na América Latina. Esse repertório de preconceitos foi assimilado e difundido com tamanha credulidade ao longo dos anos que sobrevive no comentarismo da imprensa até hoje.

Depois vem a conveniência ideológica das autoridades políticas e da mídia que as apóia. A ilicitude de um produto consumido por milhões de pessoas ajuda a perpetuar as simplificações que atenuam a imagem do colapso das políticas de Segurança Pública. Além disso, a mitologia negativa dos entorpecentes compõe um leque mais amplo de princípios conservadores, baseados no cerceamento dos direitos individuais e na criminalização da vida cotidiana.

Terceiro, e mais importante, porque o acesso legalizado à planta prejudicaria diversos interesses comerciais, principalmente os da indústria farmacêutica. Para entender esse impacto, basta consultar as muitas pesquisas sobre as propriedades medicinais da maconha e seu uso terapêutico em casos clínicos tratados por medicamentos onerosos e amiúde causadores de efeitos colaterais indesejáveis.

É fácil imaginar as fortunas que deixariam de fluir aos cofres dos laboratórios se os pacientes pudessem usar um remédio natural que ameniza inapetência, dor, náusea, insônia, depressão, ansiedade e até o vício químico em drogas letais. Que ninguém estranhe, portanto, o ressurgimento periódico de artigos e declarações de certos especialistas usando argumentos pseudocientíficos e dogmáticos que contrariam até as diretrizes de organismos internacionais voltados ao tema.

A prova de que esses profissionais seguem uma agenda suspeita é a insistência em reduzir o debate aos supostos malefícios da planta. Como se “fazer mal” fosse critério para proibir qualquer produto de uso cotidiano, começando pela química obscura dos próprios remédios. Como se a “perda temporária da memória de curto prazo” ou a “dependência psicológica eventual” estivessem de fato na origem de uma legislação inútil, dispendiosa e socialmente nociva.

A revisão do Código Penal representa uma chance histórica para o país abandonar essa excrescência, renegada inclusive nos EUA, seus maiores patrocinadores históricos. Tudo leva a crer, porém, que os juristas e parlamentares desperdiçarão a oportunidade, preservando o entulho repressor sob um verniz progressista misturando abordagens igualmente punitivas para substâncias incomparáveis e apenas trocando a cadeia pelo tratamento psiquiátrico involuntário.

Afinal, é chique seguir os exemplos internacionais. Mas só os piores.

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