Marcos Rocha é a favor do Projeto Mediação Tecnológica que formou primeiras turmas em Rondônia




Professores ministram aulas num estúdio de vídeo montado no IFRO, em Porto Velho

O ano de 2018 certamente será inesquecível para 1.214 alunos que concluíram o ensino médio em áreas rurais, comunidades quilombolas e nas aldeias indígenas situadas em Rondônia. Contemplados pelo projeto Mediação Tecnológica, esses alunos fazem parte das primeiras turmas, criadas em 2016, quando tiveram início as aulas. Um projeto inovador que conta com a mediação de professores à distância, que utilizam a intervenção tecnológica e dessa forma colabora com a igualdade de oportunidade para alunos que residem nas regiões mais distantes do Estado.

O projeto contemplou até o momento 5.400 alunos de 118 escolas do Estado de Rondônia, no total de 303 turmas formadas, 13 delas em comunidades indígenas e quilombolas. Na prática, o projeto funciona assim: professores de diversas disciplinas que residem em Porto Velho ministram aulas num estúdio de vídeo montado no Instituto Federal de Rondônia (IFRO), parceiro da iniciativa. Do local, os mestres repassam conhecimento para alunos que fazem parte do projeto, em todo o Estado. As aulas são ao vivo e contam com a intermediação do professor que reside na comunidade assistida. Esses professores atuam como tutores e acompanham o desenvolvimento dos estudantes. São ministradas aulas de todas as disciplinas e o resultado só traz orgulho: “Ficamos felizes com o resultado dos alunos. Vários foram aprovados para estudar no Ifro e a formatura das primeiras turmas foi uma festa para todos nós, que acompanhamos as dificuldades que cada uma enfrentou”, relata Giovanna Gvozdanovic, gerente do Centro de Mídias.

E a comemoração vai mais além. Em pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), utilizando-se de uma prova entre alunos do ensino médio regular e alunos que estudaram por meio da mediação, o resultado dos alunos foi empate técnico. Ou seja, o aproveitamento e tempo de realização das provas foram praticamente idêntico entre os estudantes. “O resultado apresentou o mesmo nível de proficiência e percebemos que atingimos nosso objetivo, de promover igualdade e oportunidade para cada aluno”, reforça Giovanna.

Os alunos que estudam por meio da Mediação Tecnológica saem formados como Técnicos em Cooperativismo, pelo Ifro, o que favorece mais uma oportunidade para ingressarem no mercado de trabalho.

HISTÓRIA

Alunos indígenas da escola Sertanista Benedito da Silva concluíram o terceiro ano em 2018, por meio do Projeto.

Os diálogos acerca da necessidade de atender os alunos que residem na área rural de Rondônia é antiga e tiveram ênfase a partir de 2005, com a implementação de uma ação denominada Educação no Campo. Giovana Gvozdanovic explica que a área rural apresenta dificuldades, que no primeiro olhar se não inviabilizam pelo menos dificultam a oferta do ensino nas pequenas localidades, como estrutura física dos prédios e principalmente lotação de professores, pois dificilmente os professores permanecem em localidades mais distantes por muito tempo.

“Tínhamos que suprir essas duas situações, pedagógica e administrativa”, explica a gerente. Com o passar do tempo, o Governo do Estado motivou a ação e a Seduc deu início ao projeto, com a criação de turmas do primeiro ano do ensino médio em várias pequenas localidades, com 2 mil alunos matriculados em 85 escolas. Ao final do ano, 84% dos alunos foram aprovados. Em 2017 foram criadas turmas do segundo ano e o projeto atendeu o primeiro e segundo ano em 121 escolas, com 217 turmas e 4.351 alunos. E em 2018 o atendimento foi oferecido aos três anos do ensino médio e as turmas assistiram as aulas simultaneamente, com um detalhe: “Cada aluno com direito ao seu próprio netbook, para rever as aulas em casa e anotar pontos de dúvidas”, afirma a gerente de Mídias.

Para 2019 as expectativas são positivas. A primeira é a inauguração do próprio Centro de Mídias do Estado, que está sendo construído em Porto Velho, no bairro Industrial. O espaço contará com todos os equipamentos de estúdio, necessários para a transmissão das aulas. A previsão é que seja entregue nos primeiros meses do ano. Outro ensejo é que as aulas contemplem os adultos por meio do Educação para Jovens e Adultos (EJA) e para atender o  público prisional, e ainda demandas reprimidas em áreas urbanas, que precisam de reforço para o desenvolvimento de algumas disciplinas.

MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA

Ensino Médio com Mediação Tecnológica constitui-se numa importante iniciativa que reflete o compromisso do Governo do Estado por meio da Secretaria de Estado da Educação em promover o fortalecimento e a expansão do Ensino Médio combatendo as desigualdades educacionais por meio da defesa do ensino de qualidade para todos, investindo prioritariamente no atendimento à juventude, objetivando oferecer as comunidades de difícil acesso e com demanda reprimida melhores condições de cidadania, de trabalho e de inclusão social aos estudantes desse segmento populacional.

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Fonte
Texto: Mineia Capistrano
Fotos: Ésio Mendes e Arquivo da SEDUC
Secom – Governo de Rondônia

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