Fake: Não é verdade que Lula foi contra inclusão de vacinas no calendário da rede pública




Notícia antiga foi distorcida e usada de má fé contra ex-presidente após a morte de seu neto

Uma notícia de 2010 está sendo usada contra o ex-presidente Lula após a morte de seu neto, Arthur Araújo Lula da Silva, por meningite.

A manchete afirma: “Lula veta projeto que incluía cinco vacinas no calendário da rede pública”. No entanto, o próprio texto esclarece que o projeto de lei vetado pelo ex-presidente falava sobre vacinas que já eram contempladas no calendário de vacinação ou haviam sido substituídas por outras composições que ofereciam maior proteção.

“O Brasil é o país que oferece gratuitamente o maior número de vacinas aos grupos populacionais alvo, estando disponíveis, atualmente, quarenta e três imunobiológicos. Tanto é assim, que das cinco vacinas descritas no projeto de lei, três já estão contempladas no calendário de vacinação. A pneumocócica conjugada sete valente já foi, inclusive, superada pela disponibilização de uma dez valente, que confere maior proteção”, diz parte do texto publicado no Diário Oficial da União”, relata dos trechos da matéria.

Fonte: revista Forum

 

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Carlos Magno C. B. Fortaleza
(Médico Infectologista, professor livre-docente da Faculdade de Medicina de Botucatu, Universidade Estadual Paulista / UNESP)

Circula nas redes um texto segundo o qual Lula vetou a vacina contra a meningite que vitimou seu neto de 7 anos. Qualquer pessoa que publique ou compartilhe uma notícia desse tipo é ao mesmo tempo desinformada e mal intencionada. O Programa Nacional de Imunização (PNI) do Brasil nasceu na década de 1970 e vem ampliando o número de vacinas disponíveis desde então, não importa o governo. As decisões são tomadas pelo Ministério da Saúde com base na orientação do Comitê Nacional de Imunização, apartidário e formado pelos maiores especialistas em vacinas do país. Em 2010 (aliás, durante o governo Lula), foi introduzida no calendário vacinal infantil a vacina contra o meningococo tipo C, responsável pela esmagadora maioria dos casos de meningite meningocóccica no país. Desde então, houve significativa redução dos casos dessa doença na população vacinada (Bierrenbach, 2018). É importante ressaltar que qualquer introdução de vacinas leva em conta o impacto da doença na população e a sustentabilidade financeira do seu uso continuado. Vacinas contra os meningococos tipo A, C, W e Y não foram incluídas no calendário nacional pela raridade de sua ocorrência. Já a vacina contra o tipo B foi somente recentemente desenvolvida, é extremamente complexa e tem um preço ainda proibitivo para sua inclusão em políticas públicas (lembrando que esse tipo também é minoritário no Brasil) (Azevedo, 2013).
O Brasil é universalmente respeitado por seu programa de vacinações (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2017).
Em resumo, as decisões de incluir ou não vacinas no calendário infantil são técnicas. Insinuar que Lula é responsável de certa forma pela morte de seu neto é parte de um ódio irracional e desumano que só cresce no Brasil.

REFERÊNCIAS

Azevedo LC et al. PLoS One. 2013; 8(6): e64524.

Bierrenbach AL et al. Hum Vaccin Immunother. 2018; 14(5): 1138–1145.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. (WORLD HEALTH ORGANIZATION). From warehouse to remote indigenous communities: The journey of vaccines in Brazil. online: https://www.who.int/news-room/feature-stories/detail/from-warehouse-to-remote-indigenous-communities-the-journey-of-vaccines-in-brazil.

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