RETICÊNCIAS POLÍTICAS – Itamar Ferreira(*)

Segundo dados levantados pelo Sindicato dos Urbanitários (SINDUR), que representa
os trabalhadores do setor elétrico, a arrecadação mensal da CERON antes da
privatização era de aproximadamente R$ 160 milhões. O aumento de 25% representa
um acréscimo mensal de R$ 40 milhões. Só com esse reajuste a ENERGISA vai
aumentar o faturamento anual em 40 x 12 = R$ 480 milhões de reais, às custas da
sofrida população de Rondônia.

Esse abusivo aumento de mais de 25%, além do prejuízo direto ao consumidor, irá
causar um enorme impacto negativo na economia do Estado, encarecendo custos de
produção, aumentando o desemprego; além de desestimular novos investimentos,
dificultando a atração de novas indústrias para Rondônia.

Não bastasse esse absurdo aumento, a nova empresa ofende a inteligência dos
consumidores com a divulgação na imprensa do “COMUNICADO: Energisa emite nota
sobre o reajuste na tarifa de energia elétrica”, com o subtítulo de “Reajuste da tarifa:
Entenda a sua conta”. Convenhamos, é um descaramento monumental, um escárnio com
o rondoniense e uma falaciosa tentativa de enganação. Em nenhum momento a
ENERGISA se dá ao trabalho de tentar justificar a razão de um aumento tão indecente.

A tal indigente nota nos “esclarece” que no Brasil a maior parte do preço de um produto
ou serviço é impostos e custos, como se o explorado consumidor não soubesse disso e
tem a desfaçatez de comunicar que “Você sabia que a cada 100 reais de uma conta de
luz residencial, em Rondônia, pouco mais de 20 vão para
a Ceron? O restante do valor diz respeito aos impostos e aos custos com a transmissão e
com a compra de energia”.

Há algumas perguntas que a ENERGISA precisaria ter respondido no tal “comunicado”,
e não o fez, como: houve alguma mudança no setor de distribuição de energia, relativa a
impostos e custos, após a privatização? Quando comprou a CERON, ela já não sabia
dessa realidade de composição do valor da tarifa? Porque a Energisa está impondo em
Rondônia o mais escandaloso aumento na conta de energia elétrica do Brasil?
Rondônia não tem como aceitar e conviver com esse aumento vergonhoso de mais de
25%, que vai sobrecarregar o orçamento das famílias, os gastos do setor público e o
custo de todas as atividades empresariais; sendo importante ressaltar que alguns setores
têm uso intensivo de energia em sua atividade ou processo produtivo, como, por
exemplo, a fabricação de sorvetes e metalurgia, o que causará um enorme impacto
negativo em toda economia; além de comprometer seriamente o desenvolvimento de
Rondônia, ao desestimular a atração de novos investimentos.

(*) Itamar Ferreira é bancário, dirigente sindical, formado em administração de empresas, pós-graduado em metodologia do ensino, advogado e pós graduando em direito e processo do trabalho.

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