VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTA: UM ATENTADO À DEMOCRACIA

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Mais um jornalista é vitima da violência. O repórter cinematográfico Santiago Andrade foi atingido, ontem (06/02), por um petardo que explodiu na sua cabeça, conforme registraram várias redes de televisões, nacionais e internacionais, e inúmeros jornalistas presentes na manifestação que ocorria próxima à estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro.

O jornalista da Rede Bandeirantes fazia cobertura de um confronto entre policiais militares e manifestantes, com a utilização de bombas de gás, de efeito moral e rojões. Santiago Andrade foi socorrido e levado a uma unidade de saúde, onde foi submetido a uma cirurgia para reparar amassamento craniano e consequente edema. Seu estado de saúde é bastante grave e inspira cuidados.

O ato causou repulsa da sociedade. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) também repudiou a agressão que chamou de “ato de barbárie contra um jornalista no exercício de seu trabalho”. A entidade convocou a sociedade brasileira a se somar ao esforço que faz, em parceria com os Sindicatos de Jornalistas de todo o país, para dar um basta à violência contra jornalistas que cresce assustadoramente no país.

Em 2013 foram mais de cem agressões registradas contra jornalistas somente durante o chamado Movimento de Junho. Neste início de 2014 já são três casos de jornalistas agredidos em coberturas de manifestações.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (ABRAJI)analisou 113 casos de agressão contra jornalistas ocorridos nos protestos de 2013 e concluiu que em 70 deles o ataque foi deliberado. Foram considerados deliberados os ataques realizados a despeito da identificação das vítimas como profissionais da impren sa.

As 113 ocorrências foram registradas pela Abraji entre 11 junho e outubro de 2013. A partir de novembro, a Abraji tentou entrar em contato com todas as vítimas para verificar se a agressão havia sido deliberada ou não. Em 21 casos não foi possível localizar a vítima da violação ou ela não respondeu. Um dos repórteres localizados não soube dizer se a agressão havia sido deliberada ou não. Excluindo-se esses 22 casos, o universo analisado reduziu-se a 91 agressões, das quais 70 (ou 77%) foram deliberados.

As agressões incluem intimidação, violência física, tentativa de atropelamento, ataque de cães policiais, furto ou dano de equipamentos (não incluídos carros de reportagem ou sedes de empresas de comunicação) e prisão.

Do total de 70 ataques deliberados, forças de segurança protagonizaram 55 episódios (o correspondente a 78,6%). Polícias Militares de diversos estados respondem por 53 ataq ues; a Guarda Municipal de Fortaleza participou de uma agressão e seguranças do terminal rodoviário de Niterói, de outra.

Outros 15 casos de agressão deliberada foram perpetrados por manifestantes (o equivalente a 21,4%). A maioria dessas ocorrências se deu no Rio de Janeiro (5), seguido de São Paulo (3) e Belo Horizonte (2). Em três casos, os equipamentos dos profissionais foram roubados. Uma repórter foi atacada com jatos de vinagre e outro profissional ameaçado com uma arma.

Dos 21 casos em que a vítima classificou o incidente como não intencional, quatro envolviam manifestantes. Policiais respondem pelas outras 17 ocorrências, principalmente por causa de tiros de balas de borracha (7 casos).

Embora a maioria dos casos seja de ações cometidas pelas diversas polícias militares do país, com especial destaque para a Polícia Militar de São Paulo, é necessário registrar uma crescente e inaceitável intolerância por parte de manifestantes.

Com informações da FENAJ e da Abraji

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