PSDB pode punir Mariana Carvalho por votar a favor do voto impresso

A punição avaliada por integrantes da cúpula do partido, presidida por Bruno Araújo, seria aplicada no financiamento de campanha eleitoral, quando deputados que seguiram a orientação partidária receberiam mais recursos do que os dissidentes

Após 14 dos 32 deputados federais do PSDB terem votado a favor da PEC do voto impresso na terça-feira (10), integrantes da cúpula do partido querem punir quem não seguiu a orientação da bancada de votar contra a proposta, informa a CNN Brasil. Entre os tucanos, 12 votaram contra o texto, cinco não votaram e um, Aécio Neves, se absteve. Dentre os 14 parlamentares tucanos que votaram a favor de Bolsonaro, está a rondoniense Mariana Carvalho, que não esconde a amizade com o clã.

A intenção é fazer doer “no bolso” dos deputados que traíram a orientação partidária. A punição seria realizada no momento do financiamento de campanha eleitoral, quando os deputados que seguiram o partido receberiam mais recursos.

A punição, no entanto, não deve atingir Aécio Neves. A sigla quer interpretar a abstenção do ex-candidato a presidente como um “não” à proposta.

PSD, PSDB, DEM e MDB foram os partidos com mais traições no plenário. Embora as orientações das legendas tenham sido contrárias à PEC, as bancadas deram mais votos ‘sim’.

O deputado Alexandre Frota (SP) lamentou os 14 deputados do PSDB que votaram favorável ao voto impresso na 3ª feira (10.ago). “Quero saber se vão se candidatar ano que vem, mesmo que não acreditem nas urnas”, disse.

Doria considera apoio “deplorável”

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), criticou duramente os 14 deputados do PSDB que contrariaram a orientação do partido e votaram a favor da PEC do voto impresso.

Segundo o governador, a urna eletrônica “é inviolável e não há razão para mudar o sistema atual”. Ele lembrou que toda a bancada do PSDB de São Paulo votou contra o voto impresso.

De acordo com o jornalista Reinaldo Azevedo, é possível que o placar da votação entre tucanos seja consequência de um possível braço de ferro entre Aécio Neves e João Doria.

“Se uma tentativa interna de resposta a Doria é dizer ‘sim’ ao voto impresso ou se ausentar do embate no dia em que tanques desfilaram em Brasília, não estamos falando apenas de políticos que perderam o eixo: perderam também o sentido de história. Há gente pronta aí para integrar a base bolsonarista num eventual segundo mandato”, criticou Reinaldo, em referência a Aécio.

Brasil 247
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