Tratamento precoce pra covid não existe, diz cientistas

A Justiça do Rio Grande do Sul proibiu, nesta quinta-feira (11), a distribuição de medicamentos para o tratamento precoce contra a Covid-19 – Ivermectina, Azitromicina, Hidroxicloroquina e Cloroquina – na rede pública de saúde de Porto Alegre. A decisão atende a uma ação popular ajuizada por sete parlamentares do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), dentre deputadas estaduais e vereadores da capital gaúcha, que questiona a oferta de tratamento preventivo ao coronavírus a partir da Nota Técnica (NF) 01/21, publicada no Diário Oficial da cidade em 7 de janeiro.

Apesar de a discussão médica sobre o assunto ainda não estar pacificada, de acordo com a decisão do juiz Eugenio Couto Terra, da 10ª Vara da Fazenda Pública de Porto Alegre, a nota técnica analisada não apresenta evidências científicas ou análise de dados de informações estratégicas em saúde, que seriam exigências inafastáveis para a instituição de tratamento precoce contra a Covid-19.

“A opção da instituição do tratamento precoce, diante da ausência de evidências científicas sérias de sua efetividade, foi uma opção política do Administrador, que extrapolou seu poder de discricionariedade, ferindo a boa-fé objetiva que deve presidir a prática dos atos da administração”, cita o magistrado em sua decisão.

“Disponibilizar tratamento precoce para Covid-19, nos moldes da NT 01/2021 da SMS/POA, além do risco de danos à saúde individual pelos efeitos colaterais que podem causar, traz um reflexo deletério à saúde coletiva. A crença de estar protegido contra a doença com a realização do tratamento precoce induz a um natural abrandamento nos cuidados de prevenção contra a propagação do coronavírus. E estes, até o presente momento, são os únicos comprovadamente eficazes para conter a disseminação pandêmica do vírus”, prossegue.

O juiz, no entanto, permitiu a continuidade da distribuição dos medicamentos em questão desde que não sejam utilizados para fins relacionados à Covid-19 – a Ivermectina, por exemplo, pode ser usada no combate à infestação por parasitas; já a hidroxicloroquina pode ser utilizada, dentre outras finalidades, no tratamento de artrite reumatoide e lúpus eritematoso; a azitromicina é indicada para infecções bacterianas, como otite, faringite e pneumonia; e a cloroquina é usada no tratamento de malária.

Fonte: Gazeta do Povo
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