As Ilhas Maurício prenderam o capitão do navio do Japão que encalhou em sua costa e de onde saiu um derramamento de óleo no ambiente marítimo ao redor, um dos mais intocados do mundo, disse a polícia nesta terça-feira (18).

O navio cargueiro MV Wakashio atingiu um recife de coral na ilha do Oceano Índico em 25 de julho e começou a derramar óleo em 6 de agosto. O governo teve que decretar estado de emergência ambiental.

O Comitê de Crise Nacional das Maurício disse que duas empresas, International Tankers Owners Pollution Federation e a Le Floch Depollution, começarão a limpar três locais na costa na quarta-feira. Elas serão acompanhadas por grupos locais, incluindo pescadores.
O derramamento se espalhou por uma vasta área de corais ameaçados, afetando peixes e outras formas de vida marinha. Alguns cientistas classificaram esse acidente como o pior desastre ecológico do país. Tripulações de equipes de emergência conseguiram remover a maior parte do óleo restante do navio antes que ele se partisse em dois, no sábado.
Uma mancha de óleo é vista ao lado do navio cargueiro MV Wakashio que se partiu em duas partes perto do Blue Bay Marine Park, nas Ilhas Maurício — Foto: AFP
Prendemos o capitão do navio e outro membro da tripulação. Depois de serem ouvidos pelo tribunal, eles tiveram sua fiança negada e ainda estão detidos”, disse o inspetor Siva Coothen à Reuters.

A guarda costeira das Ilhas Maurício tentou várias vezes avisar ao navio que seu curso era perigoso, mas não obteve resposta, disse à Reuters um oficial marítimo com conhecimento do incidente que pediu para não ser identificado.

“A rota definida cinco dias antes do acidente estava errada, e o sistema de navegação do barco deveria ter sinalizado isso para a tripulação. Parece que a tripulação o ignorou. O barco também falhou em enviar um SOS (quando encalhou), e não respondeu às tentativas da guarda costeira de entrar em contato”, disse o funcionário.

O outro homem preso é o vice-capitão, disse ele, acrescentando que os dois homens foram acusados ​​de colocar em risco a navegação segura.

Ainda não está claro se a tripulação estava comemorando um aniversário com uma festa no momento em que o navio encalhou. Os marinheiros foram questionados sobre esse relato, mas isso não foi confirmado.

O oficial também negou relatos da mídia de que o navio navegou perto de terra em busca de um sinal de wi-fi. Encontrar um sinal de telefone não exigiria navegar tão perto de terra.

Os cientistas dizem que o impacto do vazamento ainda está ocorrendo. Os danos podem afetar as Ilhas Maurício e sua economia, dependente do turismo, por décadas. A remoção do navio provavelmente levará meses.

O funcionário observou que foi o segundo acidente na área em quatro anos e disse que o governo pode estabelecer uma estação de sinalização nas proximidades para tentar evitar futuros desastres.

Fonte: G1

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