1664“Tá no trisca belisca para encher tudo”, disse um pescador no Cai N’Água hoje pela manhã, ao se referir à iminente cheia do rio Madeira. O nível medido hoje pela régua da ANA/CPRM confirma o temor da população: 16,64, à apenas quatro centímetro da cota de alerta. Em algumas horas ou dias, uma nova enchente deverá tomar a região central de Porto Velho. Não como em 2014, quando neste mesmo período o nível ultrapassava os 19 metros.

50% DO VOLUME D’ÁGUA VÊM DO BENI

Foto de ontem no Cai N'Água/Marcelo Gladson
Foto de ontem no Cai N’Água/Marcelo Gladson

Dezembro, janeiro e fevereiro são os meses mais críticos na Amazônia Ocidental Brasileira. Choverá mais entre o final de março e início de abril. Mais de 50% do volume d’água vêm do rio Beni. Segundo explicou o assistente de produção da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial da CPRM, Francisco Reis Barbosa, chuvas na Bacia do rio Madeira trazem impacto a Porto Velho, porém, só devem preocupar quando forem constantes.

Segundo o diretor de planejamento e operações do Corpo de Bombeiros de Rondônia, tenente Artur Luiz Santos de Souza, a atuação das equipes dependem de solicitação do município atingido. Em função do alto custo das operações, poucos municípios do estado têm condições de manter um quadro profissional necessário para atender às demandas durante o período de inundações. Este ano, por exemplo, a prefeitura de Porto Velho pediu auxílio para socorrer famílias desalojadas pela cheia em áreas mais baixas já atingidas pelas inundações.

Defesa Civil Estadual está pronta para atuar em caso de nova enchente

O tenente Artur informou que o Plano Estadual de Contingência agregará os demais, dos municípios.Ressalvou que nem todos têm necessidade de planos próprios. E o denominado Procedimento Operacional Padrão (POP) funciona como resposta em Defesa Civil para definir ações que atendam às diretrizes do gestor, seja municipal ou estadual.

Chove quase intermitentemente na Bacia do Rio Acre. Assis Brasil, Brasileia e Xapuri estão inundadas. Sem comunicações por telefone e pela internet, a equipe da CPRM ficou “ilhada” no domingo passado e nesta quarta-feira (25) será substituída por outra no trabalho de monitoramento de áreas alagadas e medição de vazões.

Desde 2012, para aprofundar estudos da cheia, a CPRM usa batimetria para monitorar o volume de sedimentação do rio Madeira abaixo da barragem da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio. Segundo Barbosa, esse serviço possibilita a constatação de situações e efeitos do assoreamento e da erosão nas margens do rio. Recentemente, a Defesa Civil Estadual recebeu relatório da coleta de sedimentos.

O trabalho começou no Bairro do Triângulo, mas está limitado a pontos específicos. “Onde o rio é mais lento, existe aumento da sedimentação; em locais mais turbulentos, ocorre erosão”, ele observou.

MONITORAMENTO LIMITADO

Embora tenha outros acordos, inclusive o que beneficia a sanidade bovina, a Bolívia não libera com facilidade informações hidrológicas  a respeito da sua fronteira com o Brasil. Apenas o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Nasa (sigla em inglês de National Aeronautics and Space Administration) obtêm dados coletados na região do Beni, que também é conhecida por Amazônia Boliviana. Agência do Governo dos Estados Unidos da América, a Nasa é responsável pela pesquisa e desenvolvimento de tecnologias e programas de exploração espacial.

O modelo de previsão de cheias na região tem limitações. Em Porto Velho ele será automatizado até julho deste ano, previu o engenheiro hidrólogo Franco Buffon. Segundo ele, o Estado de Rondônia tem quatro roteiros de operações e o Acre dois. Funcionam aqui 54 estações de monitoramento; a rede de alerta opera em tempo real, fornecendo gráficos com volume de chuvas, níveis de rios e previsões.

Com o monitoramento de cheias e medição das vazões do rio Madeira, a CPRM apoia a Defesa Civil Estadual, o Sistema de Proteção da Amazônia, a Secretaria Estadual de Desenvolvimento Ambiental e a Prefeitura de Porto Velho. Dados coletados pelo sistema de telemetria são enviados diariamente, via satélite, à Agência Nacional de Águas, em Brasília.

Mais RO com informações do DECOM

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