Empresário Rui Gil, de Machadinho do Oeste, tem história de integração entre lavoura, pecuária e floresta

Empresário Rui Gil, de Machadinho do Oeste, tem história de integração entre lavoura, pecuária e floresta
Empresário Rui Gil, de Machadinho do Oeste, tem história de integração entre lavoura, pecuária e floresta

Três empreendedores com trajetórias diferentes de sucesso mas um ponto em comum: a honestidade como princípio de vida. Isso ficou evidente durante as narrativas dos empreendedores Aparecido Donadoni, de Vilhena; Rui Gil, de Machadinho do Oeste; e Luiz Bernardo, de Ji-Paraná.

Eles falaram a um público de 400 pessoas, entre produtores rurais, líderes de cooperativas e associações rurais, empresários e autoridades políticas, com a presença do governador Confúcio Moura, dentro do seminário “Incentivo ao Setor Produtivo de Rondônia”, realizado na última quinta-feira (19), no auditório do Centrer (Centro de Treinamento da Emater), em Ouro Preto do Oeste.

Oriundos do agronegócio rondoniense, os empreendedores abordaram detalhes curiosos de suas trajetórias de vida e, em especial, aquilo que consideram ter sido os fatores decisivos para alcançarem o sucesso na atividade empresarial. O evento também foi a oportunidade para o setor discutir e conhecer propostas para a utilização de recursos do governo do estado, da ordem de R$ 50 milhões, que serão destinados este ano ao setor produtivo rondoniense.

O primeiro empreendedor a falar foi Rui Gil, de Machadinho do Oeste, que tem uma história de grande sucesso na integração entre lavoura, pecuária e floresta. Ele destacou o plantio de 11 mil pés de castanheiras nos últimos 20 anos. “É o maior plantio de castanheiras realizado no Brasil dentro de um único CPF”, comparou. “Antecipamos a recomposição da floresta e hoje colhemos os frutos positivos dessa ação”, disse.

Premiado como modelo de produção sustentável na Amazônia, Gil apontou quatro pontos que considera fundamentais para o sucesso em qualquer atividade: “Muito trabalho; amar o que faz, amor à qualidade; fazer contas, ter a contabilidade sempre atenta; e, finalmente, ser honesto, ter transparência em tudo que faz, seja com seus empregados, com seus parceiros ou com o banco”, resumiu.

Aparecido Donadoni, empresário de Vilhena

Em seguida, o empreendedor Aparecido Donadoni falou sobre o setor de floresta plantada em Vilhena. “Iniciamos o plantio de pinus na década de 90”, explicou. “A região de Vilhena possui cerca de um milhão de hectares em processo de desertificação”, afirmou. “Esse solo é tão pobre que a proporção de areia chega a 90%”, compara. “Mas pelo menos 500 mil hectares podem ser facilmente ocupados pela produção de pinus”, apontou.

Donadoni explicou que cada hectare de floresta de pinus produz cerca de 500 metros cúbicos de madeira, enquanto o máximo que pode ser extraído em projetos de manejo de matas nativas é de 30 metros cúbicos por hectare. “Fiz o plantio de pinus há 17 anos”, explicou.

“Considerando que a extração da madeira começa com 12 anos após o plantio, além de poder explorar anualmente a produção de resina, é possível lucrar R$ 5.875,00 por hectare por ano, um rendimento excelente”, disse. Donadoni afirmou ainda que “o homem tem que aprender a respeitar todos os seres vivos”. E finalizou com a seguinte frase: “dinheiro dá em árvore, sim!”

O empreendedor Luiz Bernardo, de Ji-Paraná, lembrou a dor terrível provocada pela picada de um escorpião, quando trabalhava na lavoura. Mas foi a dor da humilhação que o levou a deixar a casa dos pais, no norte do Paraná, quando tinha apenas 15 anos. “Deixei o serviço com meu pai, pois percebi que não conseguiria crescer ao seu lado”.

Luiz Bernardo, empresário de Ji-Paraná, fala sobre honestidade

A atitude radical teve um preço. Por três anos, Luiz trabalhou como porteiro de um hotel “muquifo”, ao lado da rodoviária, em Curitiba. Mas aproveitou para concluir os estudos no ensino médio. Aos 18 anos, no exército, teve a oportunidade de aprender sobre disciplina. As coisas começaram a melhorar, anos depois chegou a gerente de uma grande indústria de alimentos.

Mas então, pela segunda vez, Luiz tomou uma decisão radical: decidiu deixar tudo, um bom emprego e o conforto de uma grande cidade, para se aventurar em Rondônia. “Nos anos 80 ainda faltava luz, água e estradas em Rondônia, mas foi aqui que fiz a vida e construí minha empresa, que está com trinta anos de atividade”.

Sobre o principal motivo de seu sucesso, Luiz Bernardo não tem dúvidas: “a honestidade sempre vale a pena. Muitas vezes ela demora a ser percebida, mas ela sempre acaba aparecendo”. E deixou uma última mensagem aos participantes: “sejam honestos com vocês mesmos e tudo vai dar certo”.

Fonte
Texto: Sandro AndréFotos: Dhiony Costa e Silva
Decom – Governo de Rondônia

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