De votos, erros e racionalidade política- a ciência não explica tudo

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O que estaria pensando Confúcio Moura nesta foto?


São conhecidas as movimentações (e indefinições) do ex-governador Confúcio Moura em relação ao seu futuro político. Embora Moura seja um político experiente (ele gosta de afirmar que esta será sua 11ª eleição), ainda comete erros óbvios na rotina política a que se dedica boa parte da sua vida. O primeiro deles foi em 2015, quando assumiu o seu segundo mandato. Ao assumir no dia 1º de janeiro, já deveria ter escolhido o quadro que o sucederia em 2019, uma vez que não poderia ser mais candidato. Mesmo que esse quadro fosse o seu vice Daniel Pereira. As idas e vindas da sua saída do governo para concorrer a um mandato legislativo indica que Pereira não seria o seu sucessor natural.

O segundo erro foi, na ausência de um nome de sua preferência construído desde o início do segundo mandato, não declarar publicamente a sua opção pelo seu secretário de finanças, Wagner Garcia e, com isso, lançar o debate para o interior do partido – mesmo que este já tivesse sinalizado com a candidatura do deputado Maurão de Carvalho. Pelo que consta, Moura sempre foi cauteloso em relação a esta escolha. O debate em torno dos dois nomes entre os filiados emedebistas não provocaria mais dano ao partido do que o distanciamento do ex-governador à candidatura escolhida à sua revelia.

O terceiro erro foi se omitir em participar do processo da definição de sua sucessão. Mesmo que não tivesse preparado um nome para isso, a elevada aceitação ao seu governo garantiria a eleição de quem indicasse, desde que combinado com o MDB. Se a sua opção por Wagner Garcia não fora verbalizada oficialmente, a combinação entre o perfil do seu secretário de finanças e o papel que desempenhara no seu governo, mais o apoio político do governador era o bastante para torná-lo um candidato competitivo. Lembre-se: a aprovação popular ao governo de Confúcio beirava, à época, oitenta por cento. Este percentual lhe dava legitimidade política para influenciar na escolha do candidato do partido, independente dos acordos já tratados e do controle ou não da máquina partidária. Moura garante nos bastidores que não participará de nenhum acordo relacionado à sua sucessão.

Por fim, o erro mais óbvio que Confúcio Moura cometeu foi, não fazendo os movimentos citados acima, decidir permanecer no MDB. Mais ainda: a sua decisão em ficar no partido fez com Wagner Garcia também ficasse. Mas apenas isso não bastou. Cláudia Moura, sua irmã que decidira disputar uma vaga na Câmara Federal, pasmem!, também ficou no MDB.

Como resultado disso, crescem os rumores de que o partido não dará legenda ao ex-governador para a disputa por uma vaga no senado na sua Convenção. Se Confúcio cometeu erros, o partido não deve repeti-los. Explica-se.

O momento histórico está sendo generoso com o partido. As eleições deste ano elegerão dois candidatos ao Senado. O partido tem dois nomes fortes para a disputa, sendo um deles o ex-governador muito bem avaliado e o outro já com mandato em curso. Situação mais favorável não há.

O veto à participação de Confúcio nas eleições deste cria uma situação de quase barbárie política no estado, uma vez que ao redor do MDB transita dezenas de pequenos partidos – envolvendo interesses diversos e nem sempre necessariamente republicanos – jogando o partido nas incertezas eleitorais, inclusive com riscos aos cargos majoritários.

É sabida a popularidade de Moura, o carisma que mantêm com os eleitores. O veto à sua candidatura seria aceito passivamente por ele e seus simpatizantes? O que o partido perderia com seus dois candidatos disputando, uma vez que a história lhe favorece com duas vagas no Senado? Fora as querelas jurídicas que isso suscitaria, a reação política ao veto à Confúcio não seria mais danosa ao MDB do que deixá-lo ser candidato? Uma atuação política de Moura, da sua irmã Cláudia Moura, que seria penalizada no seu projeto de candidatura (ou o MDB a deixaria concorrer?) e do fiel escudeiro Wagner Garcia contra o partido e seus candidatos não produziria mais prejuízos do quê vantagens eleitorais? Confúcio e seu grupo, ao se sentirem alijados da disputa, não poderiam dirigir seu apoio político em outra direção? O veto à Moura garante a eleição de Raupp, mesmo que os eleitores possam escolher dois candidatos? Os acordos firmados em torno de Maurão de Carvalho são tão indeléveis que justificaria mantê-los, mesmo com os elevados riscos de não vencer a eleição majoritária e dificultar as campanhas dos candidatos aos cargos proporcionais?

Estas indagações serão respondidas nos próximos dias. Ou pela lógica política, que se aproxima de ciência, ou pelos caminhos inusitados percorridos quase sempre pela classe política rondoniense – estes muito distantes da ciência tal como a conhecemos.

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