Coluna do RK- Bastidores da Política Nacional e Regional

Por Roberto Kuppê (*)

                                       O fim da direita?

Parecia que a direita ia dominar o mundo com as eleições de algumas personalidades como Donald Trump (EUA), Macri (Argentina), Piñera (Chile) e Bolsonaro (Brasil). Só parecia. A realidade é que esses governos ditos liberais, que privilegiam os ricos, não conseguiram se firmar. O Chile está próximo a depor seu presidente. A Argentina botou pra correr o presidente, elegendo um político da esquerda. Na Bolívia, Evo Morales foi reeleito. Maduro continua firme na Venezuela. Trump dificilmente se reelegerá em 2020. Quanto a Bolsonaro, ele tem conseguido a proeza de sozinho se desintegrar. Sozinho não. Com os leozinhos, seus filhotes, que não param de fazer besteiras.

                                           Enquanto isso…

 

Em Curitiba e em mais de uma centena de cidades brasileiras e até no exterior, simpatizantes e correligionários comemoraram os 74 anos de idade do ex-presidente Lula. O ex-presidente que já recebeu as visitas de três Prêmio Nobel da Paz, ex-presidentes e até o presidente eleito da Argentina, recebeu parabéns de Zeca Pagodinho, Chico Buarque, Fernanda Takai, Fernanda Montenegro, dentre outras personalidades. Mais do que isso, milhares de pessoas foram a Curitiba dar os parabéns ao preso político. Em Porto Velho e Guajará-Mirim, também houve festa com direito a bolo de aniversário.

                               Independência dos poderes

Os governantes e dirigentes dos poderes quando tomam posse juram atuar priorizando a independência dos poderes. Ou seja, um poder não pode interferir no outro. Mas, desde o impeachment de Dilma que isso não passa de uma falácia. Os poderes Legislativo e Judiciário se juntaram para tirar Dilma. Eles (os golpistas) estão neste momento, um interferindo no poder do outro. O executivo liderado por Bolsonaro está intervindo nas decisões do STF. Os filhos do presidente chegaram ao ponto de dizer que bastaria um soldado e um cabo num, jipe para destituir o STF. Ontem, a interferência chegou ao limite. Através das redes sociais Bolsonaro atacou, não só o STF, como a imprensa e o próprio partido. Ministro mais antigo do STF, Celso de Mello reagiu com indignação ao vídeo publicado por Jair Bolsonaro em seu Twitter que retrata o STF e outras instituições como hienas. “Constitui a expressão odiosa (e profundamente lamentável) de quem desconhece o dogma da separação de poderes e, o que é mais grave, de quem teme um Poder Judiciário independente”. Para Celso de Mello, o vídeo, que foi apagado posteriormente, evidencia que “o atrevimento presidencial parece não encontrar limites”.

                               A mamata acabou #sqn

                             Marcos Rocha não foi…

O governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL), está pouco se lixando pra proteção do meio ambiente no estado. Na segunda-feira, 28, governadores da Amazônia participaram de um encontro com religiosos e cientistas sobre preservação da floresta.O encontro ocorreu um dia após o encerramento do Sínodo para a Amazônia, de onde sai documento que propõe o respeito aos povos indígenas e a busca por modelos econômicos alinhados à “ecologia integral”. Rondônia, soma 7% das queimadas no Brasil em 2019. Foram 10.347 focos, 38% em Unidades de Conservação. E adivinha? O governador de Rondônia, Marcos Rocha, não foi ao encontro. Aliás, ele e outro bolsonarista, o de Roraima. É evidente que marcam posição contra a defesa do meio ambiente e dos povos originários.

                                       Legislando em causa…

Aí você elege um deputado para defender a população e ele passa a defender os interesses da família. Em plena crise energética em Rondônia causado pela privatização da Ceron, eis que surge uma ideia de um novo modelo para distribuição e a comercialização da energia no Brasil. Em entrevista ao Fala Rondônia (Rede TV), a deputada federal Jaqueline Cassol (PP/RO) falou que foi eleita para presidir a Comissão Especial da Portabilidade da Conta de Luz, encarregada de debater o Projeto de Lei 1917, que se propõe reforma completa no atual modelo do sistema elétrico brasileiro, possibilitando, entre outras vantagens, que o consumidor escolha a empresa fornecedora de energia, de acordo com seu interesse. Acontece que o grupo familiar da deputada é dono de algumas hidrelétricas no interior do estado de Rondônia.

                                              CPI da Energisa

O suplente de vereador Raimundinho Bike Som (PHS-RO), de Porto Velho, postou nas redes sociais que alguns deputados integrantes da CPI da Energisa estão, na verdade, defendendo mais a empresa do que a população. Como num teatro, o deputado finge defender a população de manhã, mas à tarde toma cafezinho na sala da direção da Energisa. “Atenção população de Rondônia, temos políticos de DUAS caras manipulando o povo, pela manhã defende o povo, a tarde defende a ENERGISA! Por isso que muitos estão se calando. Iremos fazer uma nova manifestação no mês de novembro para comemorar 1 ano do bolo que os políticos deixaram para o povo pagar. Fora Energisa!”, postou.  Ah, o governador de Rondônia, Marcos Rocha (PSL) lavou as mãos: “Nem eu e nem o presidente Bolsonaro não podemos fazer nada”. Trocando em miúdos, o povo tá lascado.

                                          Ramon pra prefeito

A direita não deu certo em Porto Velho. O PT vai lançar Ramon Cujui Freitas para prefeito. O PT de Porto Velho pretende lançar o servidor público federal, Ramon Cujuí, 50, candidato a prefeito da capital de Rondônia. Ramon que foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018, obtendo 7.081 votos, foi eleito presidente do diretório municipal do partido. Cujuí, está reorganizando a sigla em Porto Velho e inserir de volta o PT no protagonismo da política regional.

 

                                                Hildon Chaves

O prefeito de Porto Velho, Hildon Chaves (PSDB), vai ter que lutar muito para tentar se reeleger. Além da guinada para a esquerda devido ao fracasso do governo Bolsonaro, HC tem contra si a não solução dos problemas do transporte coletivo urbano e rural, com ênfase aos estudantes que estão quase um ano sem estudar nas linhas e região ribeirinha. Somam-se a isso o surgimento de novas lideranças como Vinícius Miguel (Cidadania) e Ramon Cujuí (PT).

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político no eixo Rio-Brasília e Rondônia

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