Coluna do RK- Bastidores da Política Nacional e Regional




Por Roberto Kuppê (*)

Reforma da Previdência

Já são favas contadas que um possível impeachment do presidente Bolsonaro (PSL-RJ) poderá ocorrer num curto espaço de tempo. Ele não poderá ser impitimado pelas trapalhadas dos filhos,pelas denúncias de depósitos suspeitos e nem de um impensável mando da morte de Marielle Franco, mas por atos cometidos no exercício da presidência. Claro que isso é apenas um detalhe. A ex-presidenta Dilma foi impitimada por nada. Foi uma decisão do poder legislativo e pronto. Da mesma forma Bolsonaro poderá ser atingido também por um impeachment. A provável derrota da reforma da Previdência poderá ser o início do fim do governo do mito. Quem viver, verá.

Reforma da Previdência 2

Na próxima terça-feira,26,  acontecerá sabatina do ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. Deputados do bloco encabeçado por PP, PR, PTB e PRB avisaram a representantes do governo na Casa que pretendem abandonar a sessão, abrindo espaço para a oposição sabatinar o ministro responsável pela proposta da reforma da Previdência (Fonte: O Globo).

Impeachment a vista

O cenário está tão ruim para o super ministro Sérgio Moro, que não lembrou que quem aceita um pedido de impeachment contra Bolsonaro é o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia(DEM-RJ), que pode condicionar uma eventual aceitação, à saída de Moro do governo. Bolsonaro não teria saída, ou jogaria seu super-ministro do precipício político ou enfrentaria um processo de impeachment no congresso. Qual seria a escolha do capitão pateta?

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Rodrigo Maia vice-presidente de novo?

Caso ocorra eventual impeachment de Bolsonaro ( se encaminha para isso), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia seria pela segunda vez o vice-presidente da República. O foi após o impeachment de Dilma, tendo exercido o cargo por três vezes.

 

Em Rondônia, Marcos Rocha definha

O que está acontecendo em Brasília, cujo presidente está sendo desmitificado, também está ocorrendo com o governador de Rondônia, coronel Marcos Rocha (PSL-RO), eleito de carona no efeito Bolsonaro. De acordo com uma enquete do site Brasil 364, o governo de MR não está agradando a 77% dos internautas. O arrependimento é grande. Expedito Júnior (PSDB) assiste de camarote.

 

                      STF pode aceitar denúncia contra Bolsonaro

Dependendo da temperatura, do clima e da ocasião, o STF poderá votar ou não afastamento do presidente Bolsonaro. Uma ação já foi protocolada, ainda que fraquinha. Aquela sobre a publicação de pornografia nas redes sociais. Mas, com certeza, surgirão outras, outras e outras.

 

                                                Uma tragédia

Carluxo é o grande e maior vilão dessa tragédia chamada “Governo da família Bolsonaro”. Seria a pior das três filhas do “Rei Lear”. Shakespeare antecipou seu caráter séculos atrás ao criar também Iago, de “Otelo”. Invejoso, cheio de vergonha de si (homofobia internalizada fruto da repressão paterna desde a infância), buscando – numa ambiguidade de sentimentos já descrita por Freud e, depois, Lacan como característica do típico perverso – ao mesmo tempo, agradar e superar o pai, Carluxo, como os vilões das tragédias gregas e shakespearianas, não consegue fugir de seu destino trágico de produzir uma desgraça, a desgraça. Este fato, aliás, agrada-me: Carluxo já é e será mais ainda a ruína do governo Bolsonaro, já assombrado pelo poderoso espectro de Marielle Franco – como o espectro do pai de Hamlet assombrava o rei e a rainha conspiradores; como o espectro do comunismo que assombrava a Europa injusta e desigual do século XIX (como o é a Europa do século XXI, esse mero jogo de posições de algarismos romanos), Marielle Franco, cujos assassinos têm ligações ainda não esclarecidas com a família do presidente. Carluxo desdenhou de Rodrigo Maia; atacou sua honra ao levantar suspeitas sobre sua honestidade; afrontou publicamente o presidente da Câmara, ao apoiar o narcisista menor e desqualificado Sérgio Moro, espécie de Macbeth vulgar e subjetivamente muito mais raso, mas dirigido por um arremedo de Lady Macbeth ressentida e cafona; Carluxo fez tudo isso mesmo sabendo que a aprovação da Reforma da Previdência (leia-se: fim da aposentadoria dos trabalhadores e privilégios para os mais ricos) – única agenda que ainda mantém seu pai louco e doente no palácio do Planalto – depende de Rodrigo Maia e mais ninguém. Maia é o oficial pragmático, mas temperamental. Não tolera a ingratidão tampouco o veneno de Carluxo. Este é, portanto, um vilão odioso e capaz de atrocidades, mas burro. Ao fim dessa tragédia tupiniquim, Carluxo terá sua punição (assim como seu pai e seus irmãos). E não se espantem se esta punição vier não das mãos da Justiça humana, mas das mãos do amante posto na sombra. Carluxo não vai fazer ideia das referências contidas nesse texto. Carluxo, seus irmãos e seu pai desprezam e detestam a cultura. Por isso são tão torpes (de Jean Willys). 

                                                  Alto clero

O senador Marcos Rogério (DEM-RO) terá um papel fundamental nos próximos dias e meses. Ele deverá ser um dos senadores que vai acompanhar na Câmara Federal as discussões da reforma da Previdência. Devido a atuação dele no Congresso Nacional, é muito requisitado pela imprensa nacional. A opinião dele tem peso.

                                                       Auto exílio

A ativista e ex-candidata a deputada federal Priscila Laurito (PCdoB-RO), deixou o Brasil e está morando na Itália. Ela que morava em Ji-Paraná (RO), deixou o país após se achar ameaçada pelo governo Bolsonaro. Assim como o ex-deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e a ex-candiata ao governo do Rio de Janeiro, Marcia Tiburi (PT-RJ), Priscila Laurito disse à coluna que só retorna quando “Bozo” deixar o governo. A atuação dela nos movimentos sociais rendeu-lhe alguma ameaças. Pelo sim, pelo não, ela preferiu se precaver. O ocorrido com Marielle Franco foi um aviso para a esquerda.

 

                              Feminicídio em Porto Velho

E por falar em Marielle Franco, ocorreu na tarde deste sábado, 23, um protesto contra o feminicídio, organizado por diversas entidades em defesa dos direitos humanos, cidadania e da vida. O evento ocorreu devido à trágica morte da professora Joselita Felix da Silva, ocorrida há uma semana, em Porto Velho. Centenas de pessoas foram ao evento no espaço Alternativo. A jornalista e ativista Luciana Oliveira, presença obrigatória nos movimentos sociais, e a policial militar Heline Braga (foto ao lado), participaram ativamente do evento. “Parem de matar as mulheres! Ato pelo fim da negligência do estado com a violência contra a mulher. Por todas as vítimas de feminicídio e pelas que lutam pra sobreviver”, publicou Luciana.

 

(*) Roberto Kuppê é jornalista e articulista político

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