Pai chora ao lembrar de filho de 7 anos assassinado em loteamento de Porto Velho

“Ele gostava quando eu passava lá. Gostava quando eu o colocava no caminhão. Oh! Meu Deus. No aniversário dele, ele guardou um pedaço de bolo para mim. Eu não pude ir. Eu não pude ir!”. Esse é o relato emocionado do pai de Gustavo Henrique, o menino de 7 anos assassinado em um loteamento de Porto Velho. O corpo da criança foi encontrado na região no último fim de semana.

O homem conversou com o G1 na Delegacia de Homicídios de Porto Velho nesta terça-feira (22). Mesmo sem querer se identificar, detalhou brevemente sobre como era a relação entre pai e filho. “O Gustavo era alegre. Eu passava lá, pois não queria deixar o menino crescer sem me ver. Ele gostava”, disse.

Ele nunca viveu com Fabiana Pires Batista, mãe do garoto também encontrada morta no mesmo local onde o filho foi achado sem vida. Ele foi a primeira pessoa que viu parte do corpo da mulher, que estava em uma cova. “Eu reconheci a carinha dela assim. Chamei o Corpo de Bombeiros, polícia e fiquei esperando eles baterem lá na minha avó”, descreveu.

O pai de Gustavo contou ter imaginado que o bebê já não estava mais na barriga de Fabiana, pois o corpo foi desenterrado “sem barriga”.

“Na hora eu imaginei. Na hora. Quando começaram a levantar eu falei que ela estava sem barriga. E as pernas estavam intactas, certinhas. Nós olhamos para a barriga e estava cortada a barriga. Foi ela (irmã de Fabiana)”, contou o homem.

Mãe e filho foram encontrados mortos dentro de loteamento em Porto Velho.  — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Mãe e filho foram encontrados mortos dentro de loteamento em Porto Velho. — Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

Uma menina de 13 anos, irmã de Fabiana e tia de Gustavo, foi apreendida nesta terça suspeita de ser a autora do duplo assassinato. Segundo a delegada que conduz o caso, Leisaloma Carvalho, ela não demonstrou qualquer arrependimento durante seu depoimento.

A menor, conforme as investigações, abriu a barriga da vítima e arrancou o bebê, de 8 meses, com uma faca. O recém-nascido, um menino, seria entregue a uma outra mulher que fingia estar grávida de um garimpeiro. A criança segue estável no Hospital de Base da capital.

Leisaloma Carvalho disse que o menor de 15 anos aceitou ser comparsa nos assassinatos por desejar ficar com o bebê de Fabiana.

“Sabendo que a Fabiana estava com 8 meses de gestação, ele queria a criança, pois a mãe dele estava namorando um garimpeiro e ela queria ‘sair da pobreza’ dizendo pra ele que estava grávida. Ela estava simulando uma gravidez e ia aparecer com essa criança. Ele diz que a mãe não participou do ato executório em si, mas que ele foi lá e que ele inclusive ajudou a cortar a barriga da vítima pra retirar a criança”, disse a delegada.

Veja resumo do caso:

  • corpo de Gustavo Henrique foi encontrado boiando no lago do loteamento no domingo (20);
  • Um dia depois, a mãe dele, Fabiana Pires Santana, de 23 anos, foi encontrada sem vida com parte do corpo enterrado na mesma região;
  • Segundo familiares, a mulher estava grávida de 8 meses e o corpo foi achado sem o bebê;
  • Na madrugada de terça-feira (22), a suspeita pelo então duplo assassinato foi apreendida. É uma menina, de 13 anos, irmã de Fabiana e tia de Gustavo;
  • Em depoimento, a irmã de Fabiana não demonstrou arrependimento pelo crime;
  • As investigações apontaram que a menina teve ajuda de um adolescente de 15 anos. Ele pegou o bebê da vítima;
  • O bebê foi encontrado e o adolescente apreendido. A criança segue internada no Hospital de Base de Porto Velho e o quadro clínico é estável;
  • Uma representação foi feita para que os suspeitos sejam internados;
  • A mãe do adolescente que pegou o bebê – agora suspeita de envolvimento no crime – é procurada pela polícia, que acredita que haja mais participantes no crime.
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