Foto: Reprodução/Lista R – Reset à AAC
 Foto: Reprodução/Lista R – Reset à AAC
Foto: Reprodução/Lista R – Reset à AAC

‘Os brasileiros e os pretos deveriam morrer.’
‘Mas você é brasileira!’ – quando recusei uma investida sexual
‘Burro! Aprenda a falar/escrever o português direito’ — tudo isso porque sou brasileiro
‘Sabe o quê brasileira fala quando vai tirar foto? Pênis’ – depois ele sorriu ironicamente…

Cartazes de protesto com os dizeres acima ganharam as redes sociais nos últimos dias denunciando a xenofobia praticada contra brasileiras e brasileiros estudantes da Universidade de Coimbra, em Portugal. A repercussão das mensagens na internet, entretanto, esconde uma realidade muito mais complexa: o ódio contra estrangeiros é apenas uma das formas do preconceito perpetrado diariamente no campus universitário português. Indiscriminadamente, alunos e professores de Coimbra adotam, com agressividade, posturas racistas, machistas e homofóbicas.

“Queremos melhorar o ambiente da Universidade de Coimbra para os atuais e futuros estudantes, sendo eles portugueses ou brasileiros, e isso só se faz quando os problemas são realmente expostos e tratados, não quando se finge que não acontecem”, afirma em entrevista por e-mail os membros do movimento estudantil responsável pela manifestação: Jéssica Araldi, Vinicius Cabrera e Alexandra Correira.

O que houve foi uma confusão criada a partir de uma versão equivocada que circulou na internet. No início, acreditou-se que os cartazes faziam parte de uma manifestação organizada apenas por brasileiros vítimas de xenofobia em Coimbra.

Mais tarde, viu-se que a história não era bem essa. Durante uma campanha eleitoral para uma instituição acadêmica discente, uma das chapas estudantis adotou como bandeira política a denúncia das diversas formas de opressão presenciadas na universidade — entre elas, o preconceito contra brasileiros. Resolveram então produzir “ensaios” e estampar cartazes com as agressões ouvidas e presenciadas por alunos.

A chapa Lista R – Reset à AAC, organizadora da manifestação, lamentou a descontextualização da campanha e disse que se assustou com a repercussão equivocada. Os membros do grupo, contudo, confirmaram que há sim casos de xenofobia contra estudantes estrangeiros, brasileiros ou não.
“Isso não é uma guerra entre portugueses e brasileiros. Estamos todos juntos no combate a todo tipo de discriminação”, afirmam os representantes da chapa.

Em nota, a Universidade de Coimbra disse que investigou o ocorrido e negou que haja casos de racismo na instituição, mas afirmou estar aberta a receber qualquer denúncia. “Refutamos categoricamente a acusação de que haja um ambiente de xenofobia na Universidade de Coimbra. Em qualquer caso, se viermos a ter conhecimento de alguma situação de discriminação efetiva em função da nacionalidade, atuaremos com determinação, nomeadamente através de ação disciplinar”, destacou o comunicado.

Os estudantes, por sua vez, afirmam que são poucos os casos que chegam a ser denunciados — tanto pelo medo das vítimas, quanto pela falta de informações a respeito. Em função disso, os episódios ocorridos na Faculdade de Letras (FLUC) ganharam mais repercussão justamente terem sido denunciados à direção.

A Universidade de Coimbra afirma ter mais de quatro mil estudantes estrangeiros, de mais de 90 nacionalidades. Recentemente, Portugal tem investido na atração de alunos estrangeiros como forma de obter recursos para as instituições de ensino superior. Desde 2005, os repasses anuais às universidades caíram quase um terço. Em 2014, o corte será de 4,1%.

Fonte: Opera Mundi

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