Por David Nogueira (*)

O “Combate à Corrupção” é ou não de interesse de toda e qualquer sociedade minimamente civilizada??

Óbvio!! 

Elementar!!! 

 Sendo assim, devemos concordar que falas diferentes disso são apenas exercícios de demagogia barata, imbecilidade congênita ou procedimento intelectualmente desonesto. 

As recorrentes denúncias sobre a Lava Jato (operação ‘deusificada’ pela grande mídia) eram outras, cujas verdades aparecem agora de forma clara, documentada e chocante. 

Coisas boas e coisas muito ruins foram misturadas no Paraná, com o propósito de justificar a bagaceira feita por dentro da LJ (Lava Jato). Com isso, processos importantes (e justos) podem vir a ser, irremediavelmente, anulados.

O problema pauta-se na Turma de Curitiba (Treinada nos EUA), pois, em seu pano de fundo, jamais teve os desvios éticos como objetivo principal. O tema corrupção, de forte apelo emotivo na sociedade, sempre foi habilmente secundarizado, sutilmente manipulado e estrategicamente ilusório na pirotecnia midiática. 

 A Operação, desde o início, foi seletiva (nas escolhas), ilegal (no processo), tendenciosa (na ação), política (na divulgação) e partidária (na eleição). 

 Curitiba constituiu-se, basicamente, como um processo político híbrido, focado na destituição da Presidenta do Brasil (surpreendentemente reeleita em 2014), no fim da pauta política de soberania e de independência (em curso desde Lula)… e, ao mesmo tempo, na imposição da agenda neoliberal americana, na entrega das riquezas aos interesses estrangeiros e no vexatório alinhamento geopolítico do país com as loucuras do Tio Sam!!

 Hoje sabemos, com muitos detalhes, que tudo aconteceu sob o comando do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Isso é constatado por documentos agora revelados e pelos pífios resultados de recuperação de ativos alcançados diante do rápido e gigantesco desmonte provocado no país. 

 Sob o orquestramento de Sérgio Moro e de Dallagnol, a Lava Jato gerou, na realidade, graves problemas desestruturantes em diferentes setores da indústria nacional, da Construção Pesada (…e nas cadeias produtivas a elas relacionadas) em todo o país. 

(Resultado da Lava Jato: 

as grandes empresas pesadas brasileiras deixaram de existir, de gerar empregos e impostos. A Indústria Naval virou pó; os Programas Nucleares [submarino] e termonucleares estagnaram. O Pré-Sal, a Petroquímica, a construção aeronáutica… quase tudo encolheu drasticamente, ou foi vendido ou foi ao chão!!… tudo isso para recuperar apenas alguns bilhões de reais??? Por que se permitiu a destruição das empresas, em vez de só prender corruptos?)

Quem ganhou muito com esse caos?

É só seguir o dinheiro e saberemos a resposta em enormes letras de neon… 

Os grandes beneficiados (obviamente) foram as empresas americanas e os interesses estratégicos dos EUA, com a submissão e o alinhamento automático de Brasília. O drástico enfraquecimento da ação econômica e política do Brasil na Região (AL) e no mundo deixou um vácuo rapidamente preenchido pelos interesses de Trump e de sua turma. 

Fica a pergunta jamais feita:

POR QUE NO BRASIL (no que ser refere à luta contra “desvios éticos”) NÃO SE FEZ COMO NOS OUTROS PAÍSES??

A LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO SEMPRE foi PARA PRENDER CORRUPTOS, CORRIGIR PROCEDIMENTOS e, ao mesmo tempo, PRESERVAR EMPRESAS, EMPREGOS, TECNOLOGIA, IMPOSTOS… EM QUE MOMENTO DEIXOU DE SER ASSIM?????

?????

COMO FICOU O BRASIL APÓS 6 ANOS DE LAVA JATO? 

Precisa haver a leitura de fatos, dados e números sérios para responder (inteligentemente) a tal questão, caso queiramos buscar a verdade histórica. 

 (*) David Nogueira é petista

P. S. Nesse sentido, é muito oportuno se apropriar, por exemplo (e dentre outros), do estudo da economista Rosa Marques, que segue abaixo.

Lava Jato trouxe prejuízo de R$ 142,6 bilhões para a economia brasileira em apenas um ano, aponta economista

22 de julho de 2020

A economista Rosa Maria Marques**, professora de economia da PUC-SP, analisou o impacto negativo que a operação Lava Jato trouxe à economia do país. Rosa Marques destaca que houve uma grande movimentação nos setores empresariais para instaurar a agenda regressiva de reformas neoliberais e que a Lava Jato foi parte dessa engrenagem. 

Em seu artigo, Marques mobiliza os estudos sobre a operação, que já começam a ganhar a atenção de pesquisadores e estudantes de economia. Ela diz: “segundo Nozaki (2018), do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a operação provocou o desmantelamento de “importantes setores da economia nacional, principalmente da indústria petrolífera e da sua cadeia de fornecedores, como a construção civil, a metal-mecânica, a indústria naval, a engenharia pesada, além do programa nuclear brasileiro. Apenas em seu primeiro ano, estima-se que a Lava Jato retirou cerca de R$ 142,6 bilhões da economia brasileira. Ou seja: a operação produziu pelo menos três vezes mais prejuízos econômicos do que aquilo que ela avalia ter sido desviado com corrupção.”

Marques prossegue: “Walde Junior (2019), por sua vez, estima que, nos três primeiros anos, ocorreram mais de 2,5 milhões de demissões ligadas às empresas investigadas pela Operação Lava Jato ou a suas fornecedoras. Dois exemplos trazidos por este pesquisador são bastante ilustrativos: que a Petrobras teria reduzido o número de seus funcionários de 446 mil, em dezembro de 2013, para pouco mais de 186 mil em dezembro de 2016; e que a construtora Engevix teria, no mesmo período, demitido 82% dos trabalhadores de seu quadro (de 17.000 para 3 mil). Mas é difícil se separar o efeito da operação dos demais fatores anteriormente mencionados.”

E conclui: “por isso, talvez seja mais importante enfatizar que, para além dos números das empresas diretamente afetadas, tais como retração do investimento, do total de trabalhadores e do faturamento, fruto da não preservação das empresas ao ter sido feito o combate à corrupção realizada por indivíduos, é importante se atentar para seu resultado: o desmantelamento do setor da construção civil e do petróleo e do gás no país. Este último já está vivendo um franco processo de entrega para o grande capital estrangeiro via os leilões do pré-sal.”

** Texto da economista foi publicado em diferentes sites em 20 de julho de 2020. 

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