NOVA ENCHENTE DO RIO MADEIRA DEVERÁ SER MAIS DEVASTADORA APONTA ESTUDOS

Imagem de ontem, 18, em Tarauacá (AC)
Imagem de ontem, 18, em Tarauacá (AC)
Imagem de ontem, 18, em Tarauacá (AC)

PORTO VELHO – Nem bem se recuperaram da última grande cheia, uma nova ameaça é iminente. Bolivianos estão preocupados com a nova enchente prometida para daqui a 15 dias (dezembro), com fortes consequências. Rondônia corre o risco de uma nova cheia com proporções ainda maiores. A conclusão está no relatório ‘A verdade sobre as enchentes do rio Madeira’ entregue ao Ministério Público Estadual e Federal. O estudo, realizado pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Rondônia (Crea-RO) e pelo Sindicato dos Engenheiros (Senge/RO), foi solicitado por grupo de moradores do bairro Triângulo, o mais atingido pela enchente histórica.

Foram oito meses de estudos conduzidos pelo engenheiro civil e de segurança do trabalho Jorge Luiz da Silva Alves. ‘‘Com a entrega do relatório, a gente espera que sejam tomadas as providências necessárias que constam nas mitigações e compensações’’, afirma. Entre as medidas está a proteção da orla do rio Madeira com a construção de um muro de contenção, desde o bairro Triângulo até o Baixa União.

Também constam no estudo que sejam tomadas medidas concedidas através de lei como a isenção do pagamento de energia para as famílias e empresas atingidas pela construção das hidrelétricas, considerando as limitações do uso de energia. Assim como a isenção de Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).

Barragens

O relatório ainda aponta a necessidade de rever a maneira como os estudos para construção de barragens são realizados. ‘‘A construção de barragens nos rios da Amazônia tem que levar em consideração toda a bacia hidrográfica amazônica, o que não foi feito anteriormente’’, considera o engenheiro civil.

Ele disse ainda que o estudo aponta que o município, Estado e União tinham conhecimento e não tomaram providências para eliminar o gerador do impacto no rio Madeira. ‘‘Foram oito eventos que favoreceram a ocorrência da enchente’’.

Entre outros fatores, o relatório aponta as barragens como principal causadora da cheia histórica do rio Madeira. ‘‘A usina segurou a água para colocar as turbinas para funcionar e aumentou a cota do reservatório, essa foi a principal causa’’, considera.

O relatório tem 258 páginas e traz uma análise sobre as contradições dos estudos para construção das duas hidrelétricas no rio Madeira. ‘‘O trabalho consistiu em analisar documentações, nas quais constatamos várias inconsistências, inclusive desde a época da celebração do Termo de Referência [que serve de base para os estudos ambientais]’’, disse o engenheiro.

E acrescenta: ‘‘ Como foi executado, não levaram em consideração a construção das barragens de acordo com a atuação do rio Madeira em relação ao rio Amazonas’’.  O estudo analisou efeitos da jusante da usina mais próxima da capital para baixo, a parte da montante ainda não foi analisada. E verificou que os sedimentos são transportados de uma usina para outra.

‘‘Esse sedimento fica depositado ao longo do rio Madeira até a foz do rio Amazonas. E com isso, todo esse material pesado inunda e dificulta a drenagem’’, aponta o engenheiro. Aliado a isso, também precipitou a cheia histórica do rio Madeira a velocidade da descida das águas, segundo o engenheiro.

Nova enchente

‘‘O relatório aponta que é possível uma nova cheia, e que pode ser  pior que a que tivemos. Essa aconteceu porque a vazão de água foi maior, o assoreamento estava muito alto e as chuvas também favoreceram. Na próxima, não terá para onde a água correr.  Se não houver drenagem, a água volta’’, avalia o engenheiro civil.

O engenheiro teme que o assoreamento prejudique a pesca e o transporte no rio Madeira. ‘‘ Se todo esse assoreamento continuar você não tem mais a pesca. Não vai poder mais transportar a produção agrícola’’, avalia. Para o engenheiro civil, o rio Madeira corre o risco de ficar semelhante ao rio Parnaíba, em Teresina (PI), visitado recentemente. Ele aponta a necessidade de uma dragagem (remoção de sedimentos) urgente no rio Madeira.

‘‘No rio Parnaíba foram feitas barragens. A mais próxima da cidade fica a 350 km. Vimos que ele está todo assoreado e conversando com alguns pescadores, eles informaram que antes o rio era bonito, tinha 8 metros de profundidade e agora tem somente quatro metros. Está cheio de ilhas, resultado de assoreamento, e é para essa situação que Rondônia caminha’’, aponta o engenheiro.

Além dos engenheiros de Rondônia, a elaboração do relatório teve a contribuição de especialistas de outros estados como Recife, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

Providências

O relatório ‘‘A verdade sobre as enchentes do rio Madeira” foi entregue ao Ministério Público Estadual e Federal, em Rondônia. Segundo assessoria do MP/RO, o documento foi protocolado e deve ser encaminhado à Promotoria do Meio Ambiente.

Fonte: Mais RO com Portal Amazônia

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