Depútado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) postou esta foto nas redes sociais

RIO DE JANEIRO- Para fatos não há argumentos. Provas robustas de envolvimentos de milicianos nas mortes de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes foram minuciosamente investigadas pela polícia culminaram com as prisões de dois suspeitos. Aquelas armas todas, cento e 17 fuzis, encontradas na casa do amigo do suspeito pela morte de Marielle, nos remete a uma pergunta: de quem seriam aquelas armas capazes de armar um exército? A imagem do deputado federal Eduardo Bolsonaro ostentando armas nas redes sociais, a defesa das milícias em pronunciamentos e condecorações de notórios assassinos travestidos de policiais, remetem-nos a uma mega super teoria da conspiração.

E aquela foto do celular de Jair Bolsonaro, tirada pelo fotógrafo Lula Marques, em que ele, Jair,  trocava mensagens com o filho Eduardo (Dudão), dizendo que ele deveria voltar de Miami e que se ele fosse pego não o visitaria na cadeia? O que ele estava fazendo de tão grave assim em Miami? Traficando armas?

As prisões de dois acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) entrelaçaram um pouco mais as relações entre a família do presidente Jair Bolsonaro e integrantes de milícias do Rio de Janeiro. Mesmo sem ligação direta com a morte da parlamentar municipal, o capitão terá de conviver até o fim do governo com o desgaste político decorrente da proximidade com o submundo do crime fluminense.

No lance mais surpreendente, um vizinho do presidente foi preso nessa terça-feira (12/3) como principal suspeito de disparar os tiros que mataram Marielle. Ex-policial militar, Ronnie Lessa tem longa trajetória de envolvimento com facções criminosas.

Um filho do presidente, segundo as investigações, teve um relacionamento amoroso com a filha do acusado. Essa circunstância também nada tem de agravante contra o capitão, mas mostra que as famílias vivem no mesmo ambiente.

Para usar um termo da física, pode-se dizer que os Bolsonaros mantêm vasos comunicantes com grupos identificados com a bandidagem. São vários os exemplos de declarações, homenagens e favorecimentos que aproximam pai e filhos de milicianos.

No caso específico de Marielle, também merece atenção o fato de que a família em nenhum momento demonstrou interesse real em elucidar o crime. As manifestações de Bolsonaro e seus seguidores sobre o assunto tiveram mais enfoque em questionamentos sobre a atuação da vereadora do que sobre a gravidade do atentado que lhe tirou a vida.

Nenhum governante se pode dar ao luxo de manter ligações perenes com milicianos sem sofrer cobranças da sociedade. Ainda mais grave, não é razoável que a família de um presidente da República acumule conexões com a banda podre da polícia do Rio de Janeiro, uma das chagas da segurança pública brasileira.

Deve-se lembrar que o combate à criminalidade e à violência foi uma das bandeiras de campanha do presidente. As interseções com suspeitos de atuação criminosa, de certa forma, põem em dúvida a viabilidade do cumprimento dessa tarefa.

Flávio Bolsonaro
Nessas condições, pelo menos do ponto de vista político, fica impossível dissociar a família Bolsonaro dos grupos apontados como responsáveis pela formação de quadrilhas que dominam as atividades criminosas no estado. Não há como, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) negar que abrigou familiares de milicianos em seu gabinetena Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Por essas circunstâncias, o caso Marielle colou no presidente e em seus filhos algo como um carimbo indesejável – mas indelével. Para apagá-lo, talvez a única saída seja Bolsonaro criar condições para um combate sem tréguas contra as milícias. Não há, no entanto, sinais de que algo nesse sentido seja feito.

Sob alguns aspectos, o assassinato da vereadora guarda semelhanças com a morte, em 2002, do então prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel (PT). Embora o crime nunca tenha sido esclarecido em seus detalhes, os adversários do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nunca deixaram de usar o episódio contra ele. Agora, fato semelhante se repete com Bolsonaro.

Fontes: Mais RO com informações do Metrópoles

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