O Dnit está vivendo uma crise no Estado de Rondônia desde que uma operação da Polícia Federal prendeu alguns  membros do órgão, incluindo o superintendente para Rondônia e Acre. Acusações de superfaturamento em obras e várias irregularidades foram denunciadas, na ocasião, por uma engenheira de empresa terceirizada.

Toda a operação se baseou apenas nas informações dela, que havia sido demitida dias antes, segundo fontes do Dnit na época, por não estar cumprindo corretamente seu trabalho.

Entre as denúncias, a de que uma só empresa teria recebido irregularmente mais de 10 milhões de reais.  A Operação foi em 10 de julho passado, praticamente há 75 dias e, até agora, nenhuma das acusações foi publicamente comprovada, embora as investigações continuem em curso.

Dias depois, a Justiça mandou soltar os denunciados presos. Todos se mostravam indignados com a forma como foram acusados e detidos. Todos alegam absoluta inocência e protestam contra o que consideraram exagero na ação, “com total descumprimento da Constituição Federal”, segundo um dos denunciados. Logo depois da ação foi nomeado o coronel da Reserva do Exército Marcus Vinicius Mello Neto, de Manaus, como interventor provisório do órgão para Rondônia e nosso vizinho Acre.

Os problemas do órgão foram se avolumando, segundo uma fonte que conhece muito bem a estrutura e o funcionamento do Dnit nos dois Estados. Os projetos de recuperação das rodovias federais, por exemplo, que precisam ter manutenção antes que o inverno amazônico chegue, estão parados. Ou seja, quando chegar a temporada das chuvas pesadas, as rodovias podem estar em péssimo estado, sem a devida preservação.

Uma fonte do Dnit chega a dizer que há um risco real de que as rodovias federais rondonienses cheguem ao início do ano que vem “em estado deplorável e tenebroso”. O interventor, ocupando múltiplas atividades, só vem a Porto Velho, na sede da superintendência do Dnit, uma única vez por semana. Ou seja, nem sequer tem tempo para atender a um número razoável de autoridades, prefeitos e servidores que vêm do interior, viajando às vezes 300 a 400 quilômetros, sem que consigam ver seus pleitos atendidos.

Servidores que teriam sido convidados a assumir funções no órgão não as aceitam, se tiverem que assinar despesas e contratos. Não se sabe mais nada sobre as ações do órgão, que nos últimos tempos tinham se tornado transparentes. Nem sobre a ponte no  rio Madeira, na Ponta do Abunã, há informações seguras de quando será entregue. Não há também informações sobre eventuais intervenções da bancada federal rondoniense na busca de algum tipo de ação que ajude a resolver a crise no Dnit regional. Principalmente sobre a falta de manutenção nas rodovias. A verdade é que, até agora, pelo menos, a espalhafatosa ação no Dnit só trouxe prejuízos reais, mesmo, para a coletividade…

Fonte: Sérgio Pires/Blog Opinião de Primeira

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