Confúcio Moura, o político cuja biografia não cabe (falsos) dilemas

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Confúcio Moura

 

Vivendo o seu melhor momento pessoal, produtivo e político, o decano da política rondoniense ascende no cenário nacional de forma sólida e qualificada – e isso não é exclusividade do governo Lula

A convivência com uma situação política desconfortável no seu estado parece ser um combustível adicional ao equilibrado (e aparente) inabalável senador Confúcio Moura (MDB/RO), na sua ascensão na escala de poder em Brasília. Eleito senador nas eleições de 2018, no momento de maior acirramento da polarização política do País, Confúcio Moura sabia  o que viria pela frente.

O clima era tão tenso, a radicalização fora tão extremada que qualquer posição equilibrada e sensata agredia aos dois lados. Logo, agindo como sempre agi, fui chamado de bolsonarista pela esquerda e de esquerdista pelos bolsonaristas. E, note: em 2018 o adversário de Bolsonaro foi o Haddad, e não o Lula”, relembra o senador.

A eleição de Jair Bolsonaro naquela eleição não pautou o seu planejamento para o mandato. Republicano e democrata por definição, Confúcio Moura sabia das suas prioridades como senador, conforme as necessidades do Estado. “Estabelecemos algumas prioridades, umas de caráter emergencial e outras mais estruturantes, que chamamos de Pautas do Mandato. No primeiro caso, a maioria na área de saúde, pois é a política que mais piora ou melhora a vida das pessoas de modo imediato. Aqui também se encaixa as demandas de infraestrutura como a recuperação do trecho da BR 364 em Itapuã e a revitalização das marginais em Medici e Ariquemes.  As Pautas do Mandato são os projetos Cidades Inteligentes, o Informatização Escolar, a recuperação da produção cacaueira no estado, a profissionalização do ensino médio e a luta pela construção da ponte binacional Brasil-Bolívia e a concessão e duplicação da BR 364”, explica o senador.

O seu perfil conciliador foi logo percebido pelas lideranças do Executivo e do Legislativo nacional. E isto foi confirmado quando eclodiu a pandemia no novo Coronavírus, em 2020. Até aquele momento o parlamentar mantinha uma relação amistosa com o governo Bolsonaro, votando projetos de acordo com as diretrizes partidárias ou em conformidade com o que lhe parecia mais adequado ao Brasil ou ao estado de Rondônia.

Quando a pandemia ganhou a dimensão monstruosa que tomou, o Congresso Nacional (Câmara e Senado) resolveu criar uma comissão mista que ajudasse o Executivo no seu enfrentamento, além de monitorar os gastos públicos utilizados na crise. Na montagem da Comissão, Confúcio Moura foi o escolhido para presidir o colegiado. “Não tive nenhuma rejeição de quem quer que seja; nem bolsonaristas nem da oposição da época. Isso em 2020, quando as eleições de 2022 já estava no radar de todos e o clima político era de guerra. Ao contrário, a Comissão Mista, que era composta por deputados e senadores do governo e da oposição, fez um trabalho belíssimo!”, lembra Confúcio Moura.

Com o arrefecimento da pandemia de Covid-19, a Comissão Mista foi encerrada. No entanto, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, decidiu manter o colegiado apenas no âmbito da Casa Alta e convidou Confúcio Moura para presidi-lo – o que ele fez até a decretação do fim do estado de emergência em saúde pública.

Com o advento das eleições de 2022 e da opção de o MDB lançar candidatura própria (Simone Tebet), Confúcio Moura aderiu à candidata do partido e passou a reverberar as teses defendidas na campanha. “Nada diferente daquilo que sempre defendemos; democracia plena como valor central, livre iniciativa, estado presente apenas onde ajuda e não atrapalha, políticas inclusivas, respeito à propriedade privada, desburocratização. Foi este ideário que me levou ao MDB quando decidi entrar para a política. E é ele que me mantém no MDB até hoje, quase 40 anos depois”, afirma o parlamentar.

Então, como explicar a situação contraditória que ele enfrenta em Rondônia, uma vez que o seu prestígio político e a sua agenda de trabalho colocam o estado no centro das decisões no Congresso e no Planalto?

Para mim, isso é resultado da cegueira política que atinge parte da população. Escalamos tal dimensão da polarização que o bom senso cedeu lugar à torcida vazia e inconsequente. Veja: o nosso mandato já conseguiu destinar R$ 1 bilhão de reais, entre emendas e articulações diretas com os ministérios, para o estado de Rondônia. Além disso, superamos gargalos históricos e, com isso, Rondônia caminha para ser o centro de desenvolvimento da América do Sul. Isso foi conseguido ao longo do governo Bolsonaro e do atual governo. O dinheiro público, que é do cidadão, não tem sigla partidária nem ideologia”, alerta Confúcio Moura.

E como convencer os críticos sobre a razoabilidade de sua opção em votar pautas impopulares? “O que são pautas impopulares? São aquelas que mexem com interesses específicos? Se for isso, é claro que pessoas ou grupos que tenham seus interesses contrariados vão reagir. Mas, e os interesses de todos, como ficam? E a sustentabilidade do planeta, não interessa a todos? E os interesses da sociedade não devem se sobrepor ao interesse do indivíduo? Em uma sociedade desigual, as políticas públicas devem igualar as pessoas, em direitos e deveres”, afirmou.

Político vencedor, Confúcio Moura tem afirmado que o MDB foi seu único partido político e que isso o tem ajudado a manter a coerência e a evitar falsos dilemas. “Sou um político conciliador, que gosta de realizar, de produzir. Prefiro agir do que fazer proselitismo. Os mandatos são curtos e passam rápido. A burocracia é grande, o estado é pesado. Creio em convicções e não em ganhar eleição por ganhar. A eleição serve a um propósito. Fora disso, é vaidade. E o meu propósito é fazer de Rondônia o melhor lugar para se investir e viver”, concluiu o senador.