Centenário de Teixeirão é celebrado em Rondônia

A manhã desta terça-feira(15) foi marcada por emoção e recordações durante o ato de celebração do centenário do nascimento do coronel Jorge Teixeira, último governador do Território Federal de Rondônia e o primeiro do Estado. Autoridades civis, militares, amigos e muitos dos que conviveram com ele lembraram os feitos que deram base ao desenvolvimento rondoniense.

Entre eles o mordomo do coronel, Sebastião Queiróz, que lembrou do antigo chefe com lágrimas nos olhos. O momento também foi recordado por muita saudade pela cozinheira, Maria Muniz, responsável pelas refeições de ‘‘Teixeirão’’, e pelo fotógrafo Rosinaldo Machado que eternizou nas fotografias a marcante trajetória de Jorge Teixeira. A solenidade ocorreu no Memorial que tem o mesmo nome do ex- governador, em Porto Velho, e faz parte do reconhecimento do governador de Rondônia, Marcos Rocha, quanto à história do Estado e as grandes contribuições de Teixeirão.

O titular da Secretaria de Estado da Educação (Seduc), Suamy Vivecananda, que representou o governador no ato, lembrou da determinação do primeiro gestor de Rondônia que já vislumbrava que o Estado fosse tornar-se pujante. ‘‘Rondônia é um Estado jovem e poderoso na Amazônia, tem um agronegócio forte, e com menos de 40 anos possui uma das melhores avaliações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do país em uma comparação com estados centenários. Estado esse que surgiu da determinação de um homem corajoso, que não mediu esforços para o consolidar. O coronel Jorge Teixeira foi um homem de mente forte e ideias promissoras, nos deixou o legado de que um Estado grande se faz com planejamento do futuro’’, considera o secretário.

Suamy Vivecananda destacou ainda que Rondônia deve muito ao coronel Jorge Teixeira, que entre seus feitos de maior impacto social, asfaltou a BR-364, espinha dorsal da logística no Estado. ‘‘Ele desafiou pessoas do centro sul do Brasil para que viessem para o território que ele constituiu como Estado, e a partir daí muitas cidades surgiram. Por isso, estamos aqui nesta celebração fazendo aquilo que é uma orientação do governador Marcos Rocha, honrando quem tem honra’’.

José Gomes de Melo, que foi presidente do Conselho Territorial de Rondônia, órgão criado com a missão de preparar o Território para se transformar em Estado, conta o orgulho de participar do centenário do nascimento do coronel. ‘‘Jorge Teixeira e eu éramos amigos, de tal forma que minha casa era uma extensão da dele’’, conta ele que ainda destacou a grande missão que lhe foi dada. ‘‘Era um conselho com um poder extraordinário, pois exercia a função da Assembleia Legislativa que não existia e fazia ainda o papel do Tribunal de Contas para apreciação das contas dos prefeitos recém-nomeados, uma vez que não tinha Câmara funcionando’’.

A advogada Janilene Vasconcelos de Melo, que foi secretária de Planejamento da gestão Jorge Teixeira, esteve na cerimônia e destacou a competência com que ele conduziu o Estado. ‘‘Parabenizo o Governo de Rondônia pela feliz e oportuna iniciativa de homenagear o governador Jorge Teixeira de Oliveira, pois ele com sua formação militar e experiência comprovada como prefeito de Manaus, mostrou atributos administrativos e políticos, além de caráter íntegro, para dar o então Território de Rondônia condições estruturantes visando a criação do Estado’’.

Janilene Vasconcelos se tornou a primeira mulher a ser governadora no Brasil, quando Jorge Teixeira confiou essa missão a ela, por um breve período, que teve que se afastar da função por motivos pessoais.

Ela lembrou ainda o bom alinhamento que Teixeirão mantinha com o Governo Federal, especialmente com o presidente da república, e ministros da Economia e do Interior na época. ‘‘Dessa forma o coronel Jorge Teixeira conseguiu captar recursos para Rondônia, os quais foram fundamentais para a administração’’, conta.

O gestor da Secretária de Estado da Saúde (Sesau), Fernando Máximo, que prestigiou a comemoração do centenário, lembrou que o governador Marcos Rocha têm características muito parecidas com as do coronel Jorge Teixeira.

‘‘Essa seriedade de tratar o bem público, a característica de nomear pessoas técnicas para trabalhar do lado dele, pensando na responsabilidade com a aplicação correta do recurso público e nas necessidades das pessoas, fazem mesmo em momentos cronológicos diferentes, vemos semelhança na forma de governar entre o coronel Jorge Teixeira e o coronel Marcos Rocha’’.

Máximo ainda ressaltou a missão da cerimônia em valorizar ações importantes do passado.  ‘‘É importantíssimo lembrar do coronel Jorge Teixeira, pois é o reconhecimento de uma pessoa que foi fundamental no início do Estado, e que junto com sua equipe foram alicerces para Rondônia tornar-se um Estado pujante, que se destaca nacionalmente’’.

As contribuições do coronel Jorge Teixeira para o Exército Brasileiro foram destacadas na cerimônia pelo comandante da 17ª Brigada de Infantaria de Selva (17ª Bda Inf. Sl), general de Brigada, Jorge Augusto Ribeiro Cacho. Ele ressaltou que Jorge Teixeira foi formado na Academia Militar das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, e entre os seus feitos está a criação do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) da Amazônia, reconhecido por formar os melhores guerreiros de selva do mundo. ‘‘Foi um brilhante oficial do Exército Brasileiro, sua carreira tem muito significado para nós militares por seu trabalho e abnegação’’.

A historiadora e presidente do Memorial Jorge Teixeira, Ieda Bozarcov, também reforçou o importante trabalho desenvolvido pelo coronel que desencadeou na criação do Estado de Rondônia. ‘‘É um prazer falar do coronel Jorge Teixeira, pois ele foi sem dúvida um personagem que marcou a nossa história’’.

TEIXEIRÃO, UM HOMEM SIMPLES

Para os que conviveram no dia a dia com o coronel Jorge Teixeira, a lembrança é de um homem simples e extremamente humano, humilde no trato com as pessoas e verdadeiramente zeloso com a população. Sebastião Queiróz revelou que saiu de casa para a cerimônia com olhos cheio de lágrimas, e no momento histórico de centenário as lágrimas continuaram a brotar de forma incontida ao lembrar do antigo chefe, ao qual prestou serviço como mordomo, e que para ele tinha algo que se tornou com o passar dos anos mais raro na humanidade, a humildade.

‘‘Ele era um ser humano empático com qualquer pessoa, seja autoridade ou gente do povo, ele amava o povo. A coragem do coronel e a determinação eram tão grandes que nos impressionava, era um governante realmente comprometido. Eu tinha uma convivência muito boa com ele. Era metódico como todo militar. Quando retornava para casa no horário do almoço, não entrava pela entrada principal, passava pelo corredor na lateral para olhar as plantas, conhecia cada uma delas. Tinha uma memória de elefante. Se você tratasse de um assunto com ele hoje, um ano depois podia retomar do mesmo ponto que ele ia lembrar”.

Ao adentrar na residência, Sebastião conta, que o coronel Jorge Teixeira passava pela cozinha e cumprimentava todos os funcionários. Fazia sua higienização e sentava para almoçar. De preferência alimentar do coronel, Maria Muniz, conhece bem, ela foi cozinheira do ex- governador por quatro anos. ‘‘Não tinha luxo com ele, a comida preferida era carne de sol bem miudinha, com abóbora separada e uma salada. Quando eu chegava às 5h da manhã para ajudar a fazer o café da manhã dele, já o encontrava lendo jornal e pronto para ir para o Palácio Presidente Vargas. Geralmente ele comia mamão, torrada e suco, gostava também da banana ouro, aquelas bem pequenininhas. Eu ficava com um pouco de vergonha, mas ele e a madame eram muito carinhosos comigo’’, disse Maria.

O fotógrafo Rosinaldo Machado que já fazia parte da equipe de Teixeirão da época que era prefeito em Manaus acompanhou toda a trajetória dele em Rondônia. ‘‘O início foi marcado por dificuldades, aqui estava tudo por fazer, mas ele levou até o fim a missão e cumpriu integralmente. O Teixeira era compreensível, muito inteligente e tinha habilidade psicológica especial, parecia que conhecia as pessoas só de vê-las, se cercou de bons auxiliares que trouxe da prefeitura de Manaus e o único daqui era o Chiquilito’’.

Para Machado, o maior desafio de Jorge Teixeira foi a BR- 364. ‘‘Na época era muito atoleiro, muita lama, então o principal desafio dele foi o asfaltamento da BR-364. Ele mandou eu de helicóptero fotografar a estrada todinha, então eu fiz um álbum de fotografia e levamos para o presidente Figueiredo, e quando ele viu, autorizou a construção da BR-364, foi o momento que vi o Teixeira lagrimar’’, recorda.

Em um dia histórico, os rondonienses são estimulados a refletir a importância de Rondônia, seguir respeitando o seu passado e se projetando para ser aquilo que foi traçado em sua criação, um Estado forte, próspero e que garanta a dignidade da população.

Fonte: Secom

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