Bolsonaro adere ao “fique em casa, a economia gente vê depois” no tocante ao carnaval

Críticos do “fique em casa”, bolsonaristas querem barrar o Carnaval

Críticas incisivas e reiteradas à imposição de medidas de distanciamento e isolamento social viraram uma das bandeiras do bolsonarismo mais radical ao longo da pandemia de coronavírus. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) repete cotidianamente o esforço para culpar a “política do fique em casa, a economia vem depois” por problemas como a inflação, e sempre defendeu a reabertura da economia só com algum limite para idosos.

Em relação ao Carnaval do ano que vem, essa ala mais “raiz” de apoiadores e o presidente também convergem: querem o cancelamento da festa, independentemente dos impactos econômicos, com as justificativas de evitar uma nova onda de contágio e de respeitar as vítimas da Covid-19.

Nessa quinta-feira (25/11), Bolsonaro foi enfático, em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia: “Por mim, não teria Carnaval, mas tem um detalhe: quem decide não sou eu. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), quem decide são os governadores e prefeitos”.

A tese do grupo foi explicada essa semana pelo senador por Rondônia Marcos Rogério (Dem), que ganhou notoriedade recente como integrante da tropa de choque do governo na CPI da Covid-19 no Senado.

“Os casos de Covid estão crescendo no exterior, mesmo em países que possuem um percentual elevado de vacinação”, começou ele. “Enquanto isso, se discute no Brasil a retomada do carnaval, uma festa muito popular, com grande aglomeração e nenhum controle sanitário. Será que vamos repetir o episódio de 2020, quando prefeitos e governadores realizaram festas de carnaval no país inteiro em meio a um cenário pandêmico e, na sequência, culparam o presidente Bolsonaro pela evolução dos casos da Covid-19?”, questionou o parlamentar.

A campanha anticarnavalesca ganhou as redes e os grupos de WhatsApp e Telegram bolsonaristas. Veja exemplos de postagem no Twitter pedindo que não haja Carnaval no ano que vem, que vai de 26 de fevereiro (sábado) a 1º de março (terça) de 2022:

Carnavais cancelados

Mesmo sem a “benção” oficial de Bolsonaro, cidades pelo país inteiro estão decidindo não fazer festa no Carnaval. De acordo com levantamento do jornal O Estado de S.Paulo, só em São Paulo são ao menos 70 carnavais cancelados.

O movimento de cancelamento é mais forte em cidades do interior, e a maioria das prefeituras das capitais ainda mantém planos para a festa. Em Salvador, porém, são muito altas as chances de cancelamento, segundo apuração do colunista Léo Dias, do Metrópoles. As TVs já teriam sido avisadas.

No DF, o governador Ibaneis Rocha (MDB) disse na terça (23/11) estar discutindo detalhes para viabilizar o Carnaval na capital: “É possível”, afirmou ele, que também quer ter festas de fim de ano. “Estamos fazendo o estudo e analisando com a Secretaria de Saúde para evitar grandes aglomerações. Estamos em negociação e bem avançados para que exista a festa de Réveillon neste ano e possamos entrar 2022 com a população mais alegre e em alto astral e ter um ano muito feliz”, afirmou Ibaneis.

Apesar do otimismo de Ibaneis, no início de outubro o titular da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF, Bartolomeu Rodrigues, havia dito que não trabalhava com a possibilidade de ocorrer celebração do Carnaval em 2022. A pandemia de Covid-19 era apontada como principal motivo para a decisão.

Fonte: Metrópoles

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