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Confesso que imaginei maior a choradeira. Eu mesmo, torcedor próximo do fanatismo, não acreditava que nossa seleção pudesse levar uma sapatada daquele tamanho. Acho que deve haver um limite para a dor: se ultrapassado, ela não é mais sentida. Foi assim. Seria pior se o Brasil jogasse bem e perdesse por apenas um gol.

 

De qualquer forma, sempre dá para fazer uma caipirinha. Por exemplo: se o Brasil fosse campeão, Lula e dona Dilma diriam que nunca na história desse país um governo se empenhou tanto para a vitória da seleção (é claro que as fortunas empenhadas serão pagas por nós). A vitória seria do PT e as elites que vaiaram Dilma e disseram que não ia haver copa estariam derrotadas. É mais ou menos por aí.

 

O que interessa é que o país volta à normalidade. E a queda das alturas das glórias do hexacampeonato até o chão duro da realidade desse país desgovernado, que viria de qualquer forma, seria muito maior e dolorida. “Não adianta chorar: a nega tá lá dentro” – diria na década de 70 o radialista Valdir Amaral.  Claro que haverá choro e ranger de dentes. E isso não é link para pregação religiosa. Nem me refiro a bruxismo ou verminose.  É a realidade brasileira que “adentra ao gramado”: uma seleção de botinadas de fazer inveja a qualquer Zuñiga.

 

Reinaldo Azevedo, brilhante articulista de Veja, perguntou: “Você, leitor amigo, é o quê? Você é um sem-direitos. Você e um sem-Constituição. Você é um sem-Código-Penal. Você é um sem-poder-público. Você é um sem-ONG. Você é um sem-movimento-social. A você, em suma, cabe trabalhar para gerar a riqueza que outros que não trabalham proclamarão, no horário eleitoral gratuito, ter distribuído. Até quando?”

 

É a esta dura realidade que me refiro. E me permito acrescentar que você, que tem tempo e acesso à internet para ler o que escrevo, também faz parte das abomináveis elites a serem combatidas. Ou da odiosa classe média, segundo a “filósofa” petista Marilene Chauí, em discurso que arrancou gargalhadas de Lula. A ideia, como sempre, é socializar a miséria, todo o mundo vivendo de bolsa família até quando der.

 

Pois bem. Você é o inimigo a ser combatido em nome das causas sociais. Você é o jogador alemão, responsável por toda a humilhação nacional. Você também é aquele a quem cabe pagar a conta dessa baderna. E você será, ninguém duvida, o mais atingido pelo choque de realidade que já começou, com o aumento médio de 16% nas contas de energia, sem contar o que já está acontecendo de novo nas gôndolas dos supermercados.

 

Felizmente, por aqui, a meta do governo estadual é socializar a riqueza, com o aumento da produção, regularização fundiária rural, regularização ambiental das propriedades rurais e acesso ao crédito para milhares de pequenos proprietários de terras. Calcário e outros componentes da adubação e estradas para escoamento da produção já estão começando a melhorar a vida de milhares de produtores, além de fortalecer a economia do estado.

 

Isso não vai satisfazer a todos, especialmente àqueles acostumados por décadas a se servir do estado ao invés de servi-lo, para benefício de todos. São viúvas de um passado que merece ser esquecido, mas que fazem questão de comparecer a cada eleição mesmo sem ter coisa alguma a oferecer ao eleitor. Dinheiro não vale.

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