Auxílio pago a parlamentares compraria 842 mil remédios para câncer

O medicamento Dactinomicina, essencial para o tratamento do câncer, ficou em falta nos hospitais infantis

O medicamento Dactinomicina, usado no tratamento de câncer, principalmente infantil, ficou em falta em várioshospitais em 2017 e 2018.

A Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo chegou a pedir o bloqueio de verba nas contas do Ministério da Saúde (MS) para aquisição do medicamento, insubstituível no tratamento contra o câncer e zerado no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória (HINSG), em Vitória.

O custo da medicação não é alto. Segundo dados do Ministério da Saúde, cada dose de Dactinomicina (Cosmogen®) – frasco/ampola de 0,5 mg tinha um custo de R$ 20,19, no ano passado.

A prioridade em gasto com o dinheiro público no Brasil mostra-se bastante distorcida, quando vemos o valor gasto com o “auxílio-mudança” para parlamentares. O benefício é uma ajuda de custo no início e no fim do mandato para cobrir despesas de mudança.

No mesmo ano que faltava medicamento para o tratamento de câncer infantil, foram gastos R$ 17 milhões para ajudar na “mudança” de 505 parlamentares. O benefício, conhecido como “auxílio-mudança”, foi pago até mesmo a deputados e senadores que têm casa em Brasília e não pretendem se mudar.

O valor gasto com o “auxílio-mudança” daria para comprar 842 mil frascos do medicamento Dactinomicina, insubstituível no tratamento de quem sofre com a doença, principalmente as crianças. O medicamento ficou em falta, mas o benefício foi adiantado pelo então presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, em janeiro, quando o deputado tentava a reeleição para o cargo. Rodrigo Maia foi reeleito.

Fonte: /Observatorio3setor

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