Vinicius Miguel, pré-candidato ao governo pela REDE Sustentabilidade, em entrevista ao Jornal de Rondônia esclarece pontos fortes na fase de pré-campanha

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O Jornal de Rondônia, de Cacoal, mais uma vez teve a honra de entrevistar o pré-candidato ao governo de Rondônia, Vinicius Miguel. Ele que já foi apresentado por aqui, filiado recentemente à REDE Sustentabilidade, foi apontado na Conferência Estadual como pré-candidato ao Governo do Estado pela organização partidária. O pré-candidato esteve na ultima semana em visita a muitos municípios de Rondônia, buscando entender as demandas de nosso estado.

Desta vez Vinicius concedeu uma entrevista mais dinâmica, e com muita seriedade e bom humor, respondeu à questões sobre os mais diversos temas que abrangem o contexto geral do nosso estado. Ele falou sobre a maneira como pretende conduzir seu mandato, caso seja eleito.

Jornal de Rondônia: Quem financia sua campanha?

A campanha não tem financiadores externos, nós contamos com o apoio do próprio partido, do alto financiamento e de outros idealistas que estão juntos, propondo a fazer doações. Nos vamos lançar mais a frente uma “vaquinha” virtual, uma proposta de financiamento coletivo, para que os colaboradores ajudem nessa empreitada. Mas por enquanto é com trabalho abnegado e voluntário dos filiados e membros da diretoria da REDE Sustentabilidade.

Jornal de Rondônia: Quem são as figuras públicas mais conhecidas da REDE?

Aqui em Rondônia nos temos Aluísio Vidal, que é pré-candidato ao Senado Federal, e também disputou as eleições para prefeito de Porto Velho em 2012, depois concorreu em 2014 onde obteve uma expressiva votação de 77.865 votos, o que foi motivo de grande surpresa, pois ele disputava sem praticamente nenhuma estrutura, e ainda concorria com pesos pesados da política rondoniense. Temos também Ivaneide Cardoso, mais conhecida como Neidinha Suruí, que tem uma grande atuação na defesa de temas socioambientais e questões indígenas, também esta à frente da Canindé, Associação de Defesa Etnoambiental. Temos Márcio Maia que é Delegado de Polícia Civil e tem uma longa trajetória na segurança pública de um modo geral, em Cacoal especificamente nos temos Antonio Paulo que se filiou a cerca de um ano a REDE Sustentabilidade, ele que é filho do saudoso Paulo do Cachimbo um dos primeiros advogados do município e professor universitário. Danilo Degra que é biólogo e professor aqui, esses são os de um contexto municipal e estadual.

Jornal de Rondônia: Como pretende contribuir para superar os problemas de irresponsabilidade ambiental? Caso seja eleito.

A ideia é trabalhar com uma ética de responsabilidade sócio-ambiental a partir da sensibilização das futuras gerações. Para aqueles que já cometem ilícitos ambientais, isso já é uma temática posta, existe a perseguição criminal dessas pessoas e/ou empresas por meio do próprio Ministério Público Estadual, o trabalho prévio de fiscalização e proteção da SEDAM, que também é responsável pelo trabalho de educação ambiental. Precisamos inserir isso como uma pauta transversal nas escolas, dando notoriedade as temáticas, acredito que esse é o caminho da sensibilização, da conscientização e da educação, e o trabalho da repressão que é feito em paralelo por outros órgãos estatais.

Jornal de Rondônia: Qual a sua posição aos recorrentes escândalos de corrupção? E qual o papel que a REDE tem no combate aos crimes políticos?

Nós ficamos muito tranquilos, porque a REDE tem uma enérgica de firme atuação contra a corrupção e contra toda forma de ilícito. Tanto no âmbito interno por meio de sua comissão de ética, que não admite o envolvimento nem manifestação de candidatos, pré-candidatos ou filiados, em situações danosas ao erário. Mas também ativamente com o ajuizamento de varias ações, a REDE tem uma forte atuação no parlamento, embora conte com pouquíssimos parlamentares federais, mesmo assim faz um trabalho constante de denúncias e representações, além de encaminhar as notícias de ilegalidade para os outros órgãos. No âmbito de um plano de governo, a REDE Sustentabilidade em Rondônia preza por algumas ideias. A primeira delas é colocar moralidade administrativa e uma ética publica como um pilar de todas as pré-candidaturas e de todas as pré-campanhas, além de figurar no plano de governo ou enquanto projeto de lei de todos os pré-candidatos e futuramente candidatos. A segunda é, colocar claramente dentro dos planos de governo, de que é só com o monitoramento social, controle social e com a ativa participação cidadã, que nós teremos uma massificação dos instrumentos de fiscalização, diminuindo ou pelo menos coibindo alguns atos atentatórios a administração pública. E em terceiro, é colocar como uma pauta clara nos planos de governo, a ideia do fortalecimento do controle interno e controle externo. Em resumo a todas essas idéias, o fortalecimento dos órgãos de controle social, dos conselhos de direitos com participação cidadã, que possam fiscalizar de fato com mais transparência administrativa, mais responsabilidade dos gestores e agentes públicos, e o fortalecimento de controladorias gerais, corregedorias e ouvidorias. E também institucionalmente de parcerias com Tribunais de Contas e Ministérios Públicos, é a unica forma de fazer o enfrentamento em todas as direções e fazer um cerco ao ilícito administrativo.

Jornal de Rondônia: Como você tem buscado “convencer” os eleitores de que o seu nome é uma boa opção para o governo estadual?

A princípio essa etapa de convencimento não chegou, ainda estamos em uma pré-campanha, e essa pré-candidatura só sera oficializada em um período bem próximo com a realização da convenção estadual da REDE Sustentabilidade. O que estamos realizando, é um trabalho de divulgação dessa pré-campanha, sobretudo para levar os principais ideais da REDE. Que tem sido trabalhar em duas frentes, um é o “corpo a corpo”, que são as visitas reais, o contato pessoal é muito importante, não só para falar, mas algo muito importante também que é escutar, entender as demandas, compreender os problemas, ver in loco quais são as dificuldades de quem esta ali na ponta, e não numa alta estrutura da burocracia que simplesmente de longe acha que pode adivinhar os problemas reais. E na outra dimensão é o investimento massivo nas redes sociais, porque como falamos na nossa primeira questão, não temos financiamentos e nem patrocinadores, orgulhosamente podemos anunciar isso. E não queremos alguém que fique querendo nos colocar coleiras e amarras, então desta maneira as redes sociais são também uma forma efetiva de acessar os meios de comunicação, os sites jornalísticos e acessar os cidadãos e cidadãs a um custo um pouco menor, ainda mais em Rondônia, que é um estado com tantos municípios e com tamanhas distâncias entre uns e outros.

Jornal de Rondônia: O que sera feito no seu governo para acabar com o apoio politico em troca de favores e cargos públicos?

Viabilizando a conversão dessa pré-candidatura em uma candidatura de fato. A primeira coisa é entender que a negociação republicana faz parte da governabilidade, e faz parte inclusive do nosso modelo de coalizões, em que se faz necessário alianças supra partidárias que possam levar a composições de um governo, isso eu não poderia negar, até pela minha formação, atualmente sou Doutorando em Ciência Política, conheço bem as mazelas sóciopolíticas do nosso regime democrático. No entanto as velhas práticas de extorsão, de toma lá da cá, de chantagens, eu acredito que podem ser respondidas com seriedade, com honestidade de falar “..olha isso não mais, não neste governo..”. E uma forma clara de se enfrentar isso, é com transparência, é dizer claramente, esse é o cargo essas são as políticas para esta dada pasta e é isso que o gestor que assumi-la terá que fazer, não é um entregar como se fala em uma linguagem clássica do agronegócio, entregar a Secretaria de “porteira fechada”, e seja lá quem assuma pense que poderá fazer tudo o que bem entender. Essa é uma questão que temos discutido internamente e dentro dos nossos devaneios, utopias e desejos mais profundos de transformação, a possibilidade de um governo que possa contemplar um perfil mais tecnoburocrático, pessoas de carreira, privilegiar o preenchimento de cargos a partir de critérios de méritos, ainda aqueles cargos que não sejam preenchidos exclusivamente por concursos públicos, mas que seja privilegiado com o critério de reconhecer pessoas que tenham expertises, prévia atuação, experiência e que tenham ética e honestidade. Isso é uma demanda não só minha e do partido, mas acredito que seja uma vontade de todos nós cidadãos e cidadãs em Rondônia, queremos um estado melhor, queremos uma onda de transformações que não seja simplesmente trocar as iniciais de um partido politico pelas de outro, nós queremos mudanças concretas e efetivas que levem a uma administração pública mais científico racional, com mais eficiências, menos gastos, e ao mesmo tempo que possa continuar atendendo as demandas de direitos de todos.

Jornal de Rondônia: Qual a sua análise da atual situação da saúde no estado? E o que pretende fazer para mudar?

A saúde pública é um dos mais graves problemas, e não só no âmbito estadual, temos um conjunto de problemas, da escassez de corpo técnico, não somente médicos, mas de todos os outros profissionais como, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, farmacêuticos. Nos precisamos de algum modo buscar uma melhor forma de remuneração desses profissionais, de uma maneira que seja atrativo trabalhar no estado de Rondônia, precisamos encontrar medidas que ampliem os atendimentos, mas uma medida que eu acredito que é central e imediata é resgatar a defesa da dignidade na saúde, é pensar como que em pequenos atos poderemos humanizar os atendimentos, por que não pensar cada vez mais inclusive na adoção de tecnologias, como agendamento de consultas e atendimentos, na entrega de exames direto para o cidadão, assim como também direto para o médico que faz com que se diminua o tempo de espera par uma nova consulta, uma nova indicação cirúrgica ou intervenção médica. Por que não aproveitar dos instrumentais disponíveis das tecnologias para que se possa realizar isso, e outra coisa, que é buscar o enfrentamento da corrupção dentro da saúde, de todas as maneiras permitindo que a saúde pública possa ter eficácia. Outra medida que pode ser pensada é a diminuição da judicialização da saúde, hoje praticamente qualquer tentativa de se ter acesso a um medicamento e muitos tratamentos cirúrgicos acabam sendo judicializados, o que leva ao acionamento de uma hiper estrutura institucional, interinstitucional inclusive, que passa por defensorias públicas, passa por procuradorias de estado e município, passa por judiciário, ministério público. Então que possamos de alguma forma colaborativa e sincera, reunir todos os atores institucionais para buscar uma forma de consenso e ver o que pode ou não  ser mudado, sobre tudo com planejamento e racionalidade administrativa.

Jornal de Rondônia: Quais planos politico tem em mente, para enfrentar os problemas sociais, como o alto índice de violência no estado?

É muito importante poder responder essa pergunta, Rondônia tem índices alarmantes em varias dimensões, a violência doméstica contra a mulher por exemplo, é uma grande mazela social, e é causada por uma sucessão de fatos, é importante desmistificar uma coisa, a violência contra a mulher e contra crianças e adolescentes no caso brasileiro, e Rondônia não foge dessa especificidade, é sobre tudo cometida por pessoas próximas, familiares, pessoas com algum vinculo afetivo sexual, ou seja, o parceiro daquela mulher, ou pai ou padrasto da criança, então nesse sentido precisamos olhar para as causas da violência como multifatoriais. Existem muitos elementos de grande complexidade, em que a pobreza acaba sendo uma variável, a escassez de acesso a educação é outra causa, a crença na impunidade é outro elemento, a não ressocialização e reeducação do agressor que continua repetindo padrões de comportamento destrutivo a si mesmo e as também as vitimas, o uso e abuso de álcool e outras drogas é outro ponto que precisa ser atacado, e isso sobre tudo precisa passar por uma nova educação e uma cultura de paz, é preciso passar por um novo modelo que não é exclusivo da necessidade de uma intervenção estatal. As estratégias governamentais precisam ser incisivas no enfrentamento de cada um desses elementos, mas também é preciso envolver a sociedade civil, agentes de saúde, é preciso pensar nisso e toda sua composição, pensar inclusive em como reduzir o tempo de uma investigação policial assegurando de fato a possibilidade de responsabilização daquele que comete um crime, um ilícito, seja contra uma mulher, seja contra uma criança ou contra um terceiro. A violência é algo inadmissível que se espalha causando verdadeiro terror em nossa sociedade, e é preciso olhar com muita prudência cada uma das variáveis, outra variável é a violência no campo, é algo inadmissível os índices de assassinato e crimes em todo o campo, é preciso pensar em um modo de respeitar quem quer produzir, em assegurar do pequeno ao grande produtor para que todos tenham condições de estabilidade social, psíquica e jurídica de trabalhar, de produzir, sem o temor de tantas ameças que pairam sobre eles. Outro campo é a violência escolar, nos precisamos garantir que as crianças não sejam submetidas a esses processos de stress traumático permanente, decorrente de tantos assaltos, crimes, uso de drogas em escolas , então precisamos potencializar as patrulhas nas escolas, precisamos pensar de novo no uso de tecnologias, por que não adotar ainda mais o uso de câmeras de segurança em espaços públicos e nos entornos das escolas, e com isso com uma real e efetiva integração dos órgãos de segurança pública, entre a polícia militar, polícia civil, possibilitando que da segurança ostensiva a segurança investigativa, preventiva e repreensiva possam de fato dar respostas rápidas para nossos dilemas, que são absolutamente complexos, quem vier prometendo uma solução, uma saída simples não é nada, se não um lunático e mentiroso, eu não sou nenhum dos dois, então entendo e compreendo as inúmeras tensões nas soluções desses problemas, mas alguma coisa é possível de ser feita, e mais, algo mais ainda é possível de ser feito, então temos que tentar isso, e um consórcio de ideias, um consórcio de pessoas com muitas parcerias, é preciso reduzir esses índices terríveis de violência para que possamos ter uma Rondônia de paz para os nossos sonhos, para o nosso futuro.

Jornal de Rondônia: Qual a sua opinião sobre a militarização das escolas?

Esse é outro aspecto que precisa ser olhado com muita cautela. Eu tenho medo daquelas propostas que pareçam simples e solucionadoras de graves problemas, a militarização das escolas tem sido apresentada como um pleito de parte da sociedade, que é um pleito de um grande segmento que tem medo da indisciplina, que tem medo da violência intra-escolar, inclusive intra-estudantil, que é cometida de um estudante contra outro, que tem medo da drogadição, mas que também tem um elemento de incompreensão dos desejos de uma juventude que apresenta o que nos mal compreendemos, como uma rebeldia infanto juvenil. Acredito que para essa ultima questão, a compreensão que querem os nossos jovens, a militarização não é a melhor, talvez nem a unica solução possível, nós precisamos do contrário, em diálogo e interação com os jovens permitir com que o impeto criativo e inovador deles floresça e que nós possamos nos beneficiar dos ideais de mudança e transformação desses jovens. Eu acredito que quase todas as alternativas possíveis para a educação precisam ser tentadas, eu não começaria com a pauta da militarização das escolas, eu começaria pela falta de valorização dos profissionais da educação, professores (as) que tem salários absolutamente indignos e vergonhosos, eu pensaria no envolvimento da comunidade estudantil e familiar, muitos pais acreditam que as escolas são meros depósitos em que você deixa a criança, ou permite com que a ela chegue até la, eu passaria a refletir sobre a qualidade da merenda escolar, precisamos de fato assegurar com que as crianças tenham refeições escolar de muita qualidade, que tenha acesso a práticas esportivas, que tenham acesso a atividades extra classe, então uma educação que seja também transformadora, que seja uma educação de mudança. Os outros aspectos, o desejo de segurança, o desejo de não ter medo, pode ser atendido com o efeito dominó dessas grandes mudanças, a militarização pode ser uma estratégia, talvez não deve ser a única, talvez não deve ser a primeira delas a ser tentada, mas reconheço que existem profissionais fazendo um grande trabalho nas escolas militarizadas, mas também precisamos passar a pensar como já disse em um conjunto de outros fatores, inclusive aquilo que é a menina dos olhos de muitos educadores, que é a proposta de uma educação integral, por que não pensar nisso, por que não aprofundar as parcas e isoladas experiências que temos de educação integral, por que não pensar na musicalização das nossas crianças e adolescentes, pensar na integração de atividades físicas como um convite a paz, ao invés de uma permissão ao tempo ocioso que favorece a drogadição, por que não pensar na incorporação de outras formas de artes para o currículo escolar, e não simplesmente pintar uma folha em branco, mas a arte como um processo até curativo, de transformação daqueles indivíduos, enfim pensar em uma educação que possa ser não só a base da sociedade mas também os fundamentos de uma sociedade futura muito melhor do que a que a gente tem hoje.

Podemos em nossos atos diários, construir uma democracia de tipo novo, com mais participação e que seja um instrumento de melhoria da vida social. As eleições são, não a única, mas uma das formas de fazer isso.

Conclui, Vinicius Miguel.

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