A publicação de um vídeo do julgamento do Caso Mariana Ferrer, onde o advogado do empresário acusado de estupro age de maneira agressiva, sem ser interrompido pelo juiz, provocou forte reação nas redes sociais, ficando entre os mais comentados no Twitter em todo o país.

O magistrado inocentou o acusado, alegando “estupro culposo”, um “crime” não previsto em lei.

A postagem mereceu comentário até o ministro Gilmar Mendes, do Superior Tribunal Federal.

O caso, ocorrido em dezembro de 2018 em um beach club em Florianópolis, ganhou corpo com a publicação do site The Intercept Brasil, em reportagem assinada pela jornalista Schirlei Alves.

Apesar de os detalhes do caso já terem sido divulgados pela imprensa anteriormente, a postagem do The Intercept Brasil traz informações sobre o comportamento do advogado Claudio Gastão da Rosa Filho, que defende o empresário André de Camargo Aranha – inocentado da acusação de estupro.

Caso em Jurerê

Mariana Ferrer, então com 21 anos, acusou Camargo Aranha de estupro, ocorrido em um espaço reservado do Café de La Music, em Jurerê Internacional. Ela alegava ter sido drogada e que teve um lapso de memória logo após o ocorrido. A própria Mariana tornou o caso público em 2019.

No procedimento, Gastão Filho, na tentativa de desqualificar a acusação, usa fotos de Mariana em redes sociais com postura, segundo ele, “ginecológicas”.

As imagens mostram Gastão questionando Mariana: “Fala a verdade, esse é teu ganha-pão!”. Indignada, Ferrer pede a intervenção do juiz Rudson Marcos, da 3ª Vara Criminal de Florianópolis: “Excelentíssimo, eu tô implorando por respeito”.

Fortes reações

A agressividade do advogado e o comportamento do juiz provocaram reações nas redes sociais. O Ministro Gilmar Mendes destacou em seu perfil no Twitter.

“O sistema de Justiça deve ser instrumento de acolhimento, jamais de tortura e humilhação”.

O blogueiro Felipe Neto, conhecido por milhares de seguidos e muitas polêmicas, escreveu em letras maiúsculas: “NÃO EXISTE ESTUPRO CULPOSO”.

Outros perfis apontaram comparações onde em casos similares envolvendo pessoas negras e pobres a Justiça teve outro entendimento.

O advogado de defesa de Mariana Ferrer recorreu da decisão em primeira instância.

De acordo com a reportagem, o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos encaminhou ofício ao TJSC, ao MPSC, à OAB SC, ao Conselho Nacional de Justiça e ao Conselho Nacional do MP para que as condutas dos envolvidos fossem investigadas.

Confira o vídeo com o registro do julgamento

 

Fonte: OCP News

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