Terror: Capitão BM é denunciado por excesso durante instruções de selva

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Foto de arquivo

PORTO VELHO- Ele já foi condenado por isso. O capitão Douglas Samuel de Araújo, está sendo acusado de cometer excessos durante o curso de formação de oficiais administrativos. Segundo fontes, a cada curso o capitão Douglas faz uma vítima.

O mesmo oficial estará comandando as instruções de selva no Curso de Sargentos, salientando que, tanto o CFS como o CHOA são cursos para Bombeiros que já estão na corporação ha mais de dez anos.

Por conta de várias denúncias, o deputado estadual Jesuíno Boabaid (PMN) discursou em plenário sobre denúncia encaminhada a ele, a respeito de um fato ocorrido no dia 8 de dezembro, onde um aluno do Curso de Habilitação de Oficiais Administrativos (Choa), do Corpo Bombeiros teria sofrido uma parada cardíaca durante o treinamento.

Deputado Jesuíno cobra providências

“De pronto me desloquei até o Hospital João Paulo II onde conversei com a direção do hospital e fui informado sobre o quadro clínico do aluno a oficial Michel, que, aliás, não era dos melhores. Ele foi transferido para um hospital particular e se encontra na UTI”, contou Boabaid.

O parlamentar relatou que no mesmo dia fez uma transmissão via rede social onde questionou sobre quem estaria comandando a atividade de instrução selva no momento em que o aluno teria passado mal.

“E quem estava conduzindo era o capitão Douglas Samuel de Araújo, o mesmo oficial que, no ano de 2013 foi acusado de submeter bombeiros a exaustivas instruções dentro de uma piscina, onde, infelizmente, o aluno a bombeiro Aussiner Dutra Ferreira, acabou vindo a óbito, vítima de afogamento”, revelou o deputado.

Jesuíno lembrou que, na época, como presidente da Associação dos Praças e Familiares da Polícia e Bombeiro Militar de Rondônia (Assfapom) trabalhou na apuração dos fatos e encaminhou relatórios e áudios de testemunhas, que estavam no local e que afirmavam que o capitão Samuel teve postura inadequada durante o referido treinamento.

O deputado conta que o Ministério Público, propôs uma Ação Penal onde o oficial foi condenado em primeira instância, a 10 anos de reclusão, por crime de tortura e outros.

“Mas este mesmo oficial contratou bons advogados e conseguiu a reversão no Tribunal de Justiça”, salientou Boabaid.

Após o relatar o caso de 2013, Jesuíno Boabaid ressaltou que na terça-feira (11) recebeu, de forma anônima, um relatório detalhado sobre o que teria ocorrido com o aluno Michel durante a instrução até a sua parada cardíaca no último dia 8.

“Pelo que constatei o capitão Samuel não desapegou daquele tipo de treinamento de oficial R2 do Exército”, argumentou o parlamentar.

Boabaid fez a leitura do relatório de denúncias e informou os excessos aplicados aos alunos do Choa, por parte do capitão Samuel. De acordo com as informações constatadas nas denúncias, os alunos passaram por momentos considerados por eles, de forte pressão psicológica e tortura.

“O militarismo, o sistema castrense é assim, se alguém leva uma denúncia, ao invés dos oficiais superiores afastarem o denunciado, o investigado, eles mantêm para mostrarem que são eles que comandam”, disse Jesuíno.

Segundo o deputado, mesmo diante de toda a situação, o capitão Samuel, nessa quarta-feira (12) saiu para selva como instrutor do curso de sargento.

“Praticamente todos os alunos a sargento estão abalados e preocupados com sua integridade física. E aqui, em nome deste Poder Legislativo, como presidente da Comissão de Segurança, como vice-presidente dos Direitos Humanos dessa Casa, faço um apelo ao governador Daniel Pereira (PSB) que não permita que este capitão conduza esse treinamento”, solicitou o parlamentar.

O deputado afirmou já ter encaminhado ofício ao Ministério Público do Estado, aos Direitos Humanos da OAB e disse que provocará o Comitê de Direitos Humanos aprovado pela ALE. Boabaid ressaltou que, caso o capitão Samuel seja mantido na condução da instrução de selva e algo ocorrer com algum aluno ele irá, através da Assfapom, socorrer a todas as instâncias superiores.

“Inclusive internacionais, se for necessário. É uma afronta estarmos noticiando, comentando e esse cidadão, que já respondeu processo, foi condenado e permanece na função de ministrar esses cursos de selva. Ele tinha que estar no administrativo, em qualquer lugar, menos conduzindo esses tipos de curso”, declarou Jesuíno.

O deputado concluiu reforçando pedido de providência por parte do governador Daniel Pereira, para que entre em contato com o Comando Geral do Corpo de Bombeiro, para evitar que o capitão Samuel conduza o treinamento de selva que se iniciou nesta quarta-feira (12).

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Foto: Gilmar de Jesus


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