Tempo e dinheiro curtos obrigam candidatos a apostar no corpo a corpo nas eleições municipais

Léo Moraes aposta no coro a corpo
Léo Moraes aposta no coro a corpo
Ator decisivo nas últimas eleições locais e nacionais, meio responsável por popularizar, humanizar ou fragilizar candidatos, a propaganda eleitoral na TV sofrerá efeitos diretos no pleito municipal deste ano com a proibição de doações de campanha da iniciativa privada.

Entre marqueteiros, dirigentes partidários e candidatos, é unânime o entendimento de que as receitas irão despencar. Com menos dinheiro, os caros programas de TV, que apresentaram superproduções nas últimas disputas, terão queda de qualidade perceptível. Tomadas aéreas, efeitos visuais e sonoros, captações novelescas em dezenas de ambientes, multiplicidade de câmeras, isso tudo irá refluir. Se falta o empacotamento, o candidato terá de ganhar mais votos na estratégia política, discurso certeiro, simpatia e autenticidade. O velho bordão do político que “gasta sola de sapato” para trotear pelas cidades e guetos também está de volta.
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Estratégia é resgatar o corpo a corpo

Para driblar as restrições de propaganda, a apresentação de numerosas chapas de candidatos a vereador está entre as estratégias dos partidos. O líder comunitário, mesmo aquele de cem ou 500 votos, passou a ser considerado mais relevante. Mesmo que não tenha condição de se eleger à Câmara de Vereadores, é a partir dele que o postulante à prefeitura poderá ingressar e disputar votos em bairros e localidades afastadas.

A crença geral é de que a campanha de rua também sofrerá reduções visuais drásticas não somente por questões financeiras, mas legais: a norma veda, por exemplo, que candidatos façam propaganda com a pintura de muros e o uso de cavaletes e bonecões — que inundaram cidades nas últimas eleições. Ante as restrições de métodos e de dinheiro, a palavra “criatividade” e o uso das redes sociais estão entre as alternativas mais citadas. O fenômeno da campanha de Barack Obama na internet nas eleições norte-americanas de 2008 segue como inspiração, mas há barreiras a serem vencidas.

A pergunta para fazer uma busca no Google pode ser a mesma, mas a resposta depende do perfil de quem acessa, tem relação com algoritmos. Isso pode gerar interpretação equivocada da realidade porque, muitas vezes, a campanha na rede social acaba atingindo massivamente aquele que já é militante.

Menos dinheiro será ensaio para 2018

Se o dinheiro será curto na eleição municipal, o mundo político está se perguntando como sairá do papel a disputa presidencial de 2018 sem financiamento privado: candidatos ao Planalto cruzam o país em aviões particulares diariamente, elevando gastos.

Existem leituras de que o pleito de 2016 será um laboratório caótico da lei que proíbe o financiamento empresarial. Com escassez de recursos e mudanças normativas radicais, há temores de uso do caixa 2 e de excessiva judicialização.

Os partidos mais ligados à esquerda defendem a lei restritiva, embora o PT, principal representante dessa vertente ideológica, tenha sido o maior arrecadador de doações empresariais nas últimas eleições nacionais.

Os gastos de campanha ainda não estão definidos, mas a avaliação é de que poderão sofrer queda de até 70%. O Ministério Público acredita que a diminuição deverá chegar em 80%.

Principais candidaturas em Porto Velho

Mauro Nazif (PSB), candidato à reeleição
Léo Moraes (PTB)
Ribamar Araújo (PR)
Williames Pimentel (PMDB)
Hildon Chaves (PSDB)
Pimenta de Rondônia (PSOL)
Roberto Sobrinho (PT)

Fique atento
As principais datas do calendário eleitoral

20 de julho – Início do período das convenções partidárias, em que as siglas definem as coligações e escolhem os candidatos a prefeito, vice e vereador.

5 de agosto – Último dia para a realização das convenções.

16 de agosto – Início da campanha, faltando 47 dias para a eleição em primeiro turno. A corrida será menor em 2016. Antes, eram cerca de 90 dias.

26 de agosto – Início da propaganda eleitoral na TV e no rádio.

2 de outubro – Dia da eleição em primeiro turno.

30 de outubro – Dia da eleição em segundo turno.

O que será permitido na campanha eleitoral

Alto-falantes e amplificadores de som nas sedes ou em veículos, das 8h às 22h

Comícios

Propaganda na internet e redes sociais, desde que não seja paga

Mesas de distribuição de panfletos, bandeiraços, caminhadas e carreatas

Adesivos e botons

Jantares e almoços, desde que haja cobrança de ingresso a título de doação de campanha

O que está proibido na campanha eleitoral

Pintura de muros, cavaletes, outdoors, showmícios, posts pagos em redes sociais e distribuição de brindes, financiamento privado

Com informações de Zero Hora/ Click RBS

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