Durante a pandemia, o Ministério da Saúde autorizou, em caráter de exceção, o atendimento médico por telemedicina e as teleconsultas, telediagnósticos e teletriagens. Essa medida possibilitou que muitos brasileiros conseguissem atendimento primário de saúde sem sair de suas casas, em segurança e com qualidade.

A telemedicina já é uma velha conhecida em países com vasta extensão territorial como EUA, China e Índia, pois possibilita o atendimento de saúde em áreas remotas, eliminando barreiras físicas/geográficas, a necessidade de locomoção e a redução de custos com toda logística envolvida no atendimento presencial.

No Brasil, por conta da pandemia, a telemedicina está sendo utilizada especialmente em teleconsultas, mas é uma prática que se mostra promissora, especialmente se consideramos que: a) o sistema de saúde no Brasil é universal, ou seja, deve chegar para todos os brasileiros; b) o Brasil tem dimensões continentais e de difícil acesso, o que encarece os serviços de saúde nessas áreas; e c) em termos de saúde, o atendimento primário é capaz de resolver 90% das queixas dos pacientes.

Nesse contexto, a adoção da telemedicina pelo Sistema Único de Saúde pode ser uma alternativa viável e econômica que, se adotada na atenção básica, pode ajudar a aumentar a amplitude do atendimento, reduzir filas nos postos de saúde, os custos de manutenção além de melhorar a qualidade de vida e o atendimento aos pacientes.

É claro que a telemedicina não substituirá o atendimento presencial, mas pode complementar o atendimento na saúde, em especial na atenção básica e no acompanhamento de doenças crônicas, como é feito com sucesso em outros países.

Por fim, um estudo realizado este ano pela PWC na Espanha, demonstrou que a utilização da telemedicina tem baixo custo, alta produtividade e foi bem aceita pelos pacientes. O estudo conclui que “após o achatamento da curva, uma oportunidade se abrirá para reformar os sistemas de saúde. Os pacientes terão outras expectativas em relação aos cuidados de saúde e, cada vez mais, esperam que o atendimento online complemente o presencial.”

Por: Rosana Vieira

Presidente do Instituto AGIR

Este é o segundo artigo da série ‘4 lições que a pandemia trouxe para o serviço público.’ Leia o primeiro artigo da série clicando aqui.
LIÇÃO 2

 

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