Capa Colunas Taxas de desemprego são manipuladas de forma escancarada e desavergonhada

Taxas de desemprego são manipuladas de forma escancarada e desavergonhada

A manipulação das taxas de desemprego é oficial e ocorre em todo o mundo.

José Armando BUENO

Caro leitor, acredite, a pessoa que vende bala no sinal é considerado empregado. A pessoa que bate à sua porta pedindo uma esmola e você paga pra cortar a sua grama, também é considerado empregado. A pessoa que lhe pede um prato de comida e você dá, ou aquele desempregado que lhe pede algo e você dá, também são considerados empregados, na categoria “trabalhadores não remunerados”. Todos são considerados EMPREGADOS pela metodologia do IBGE. Acredite, estas e outras maracutaias são oficiais e aceitas em todo o mundo, inclusive pela OIT Organização Internacional do Trabalho, notório bunker esquerdista e do globalismo.

O governo vende a ilusão de que vai melhorar. E o povo compra

DESEMPREGADO É UMA FICÇÃO  |  No Brasil em especial, aonde o desemprego é um mal quase eterno, nutrido por uma legislação somente agora um pouco mais progressista, as estatísticas são consideradas vitais para que o discurso do governo possa manipular, de modo oficial, números que a população não apenas não compreende mas, pior, não conhece, apenas sente as dores e os ardores das necessidades não atendidas e, quase sempre, miséria e fome. Manipular taxas de desemprego no discurso oficial é para validar a ficção de que pode estar ruim, mas vai melhorar ou ainda há esperança. Sim, é como balançar a cenoura à frente do cavalo pra ele não parar de trabalhar. Mas a cenoura é fake e o cavalo trabalha até cair. De fome. E isto é muito real! O mesmo é feito com a população que precisa trabalhar: vendem-se ilusões estatísticas e sonhos de que está ruim mas vai melhorar. E nunca melhora e as pessoas acostumam-se, adaptam-se à miséria que campeia no país, como se isso fosse “normal”.

 

A manipulação é oficial, escancarada, desavergonhada.

A MANIPULAÇÃO  |  Oficialmente, a taxa de desemprego refere-se à proporção de pessoas que: 1) Não estavam trabalhando; 2) Estavam disponíveis para trabalhar e tomaram alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos trinta dias anteriores à semana em que responderam à pesquisa. Acredite leitor, pesquisar isto é um exercício de total inutilidade. O pesquisador bate à porta do cidadão que está em casa assistindo ao Mais Você da Ana Maria Braga, e pergunta: — O senhor está trabalhando? — Não. — O senhor tomou alguma providência efetiva para conseguir trabalho nos últimos trinta dias? — Providência efetiva? O que é isto? — É apenas pra saber se o senhor fez alguma coisa pra procurar trabalho… — Ah… eu distribuí meu currículo no bairro. Por aí vê-se que há notável reducionismo sobre quem, de forma efetiva, está desempregado. Para o governo, está empregado quem de fato está trabalhando de forma remunerada (inclusive se você troca a força de trabalho por um prato de comida), quem tem mais de 10 anos DE IDADE (o governo gosta do trabalho infantil), trabalha pelo menos 15 horas por semana de forma NÃO-REMUNERADA (o governo gosta das pessoas que trabalham por caridade) e as pessoas que trabalham menos de uma hora por semana (o governo gosta das pessoas que trabalham pouco ou quase nada). Para ele, o governo, todas estas pessoas são consideradas EMPREGADAS.

A ilusão é parte da farsa para enganar a todos, que acabam adotando o típico comportamento do alheamento

ILUSÃO  |  Não bastasse a manipulação escancarada, descarada e explorada, se a pessoa desiste de procurar emprego — como se as pessoas desistissem para passar uma temporada em casa descansando — ela não é considerada desempregada e sim uma DESALENTADA (sem ânimo, sem vontade). Esta pessoa desalentada não fará parte da estatística, nem como desempregada nem como empregada, mesmo estando, de fato, desempregada. Mais claro? Se a pessoa desistir de procurar emprego não é considerada desempregada! Entram nessa conta maluca parte da turma do Bolsa Família, porque estão desempregados e decidiram viver do benefício ao invés de trabalhar. O restante dessa turma gigante entra na exuberante categoria das “pessoas não economicamente ativas”, e mesmo estando desempregadas não entram na conta do desemprego. Resumo da tragicomédia neste país de bananas: a pessoa não tem emprego e não quer trabalhar, portanto, não entra na taxa de desemprego, ou não tenho trabalho mas não sou desempregado (sic). Quer mais? Tem! A pessoa recebe seguro-desemprego, então, para o IBGE, esta pessoa não está desempregada, é só mais um desalentado nas estatísticas ilusionistas do governo, mesmo que não tenha emprego.

Pra esculhambar mais, o governo tornou-se especialista em criar ficção pra justificar tanta incompetência

 

A ESCULHAMBAÇÃO  |  Depois da manipulação descarada, da ilusão escancarada, tem ainda a esculhambação desenfreada. Acredite, o governo tornou-se notável especialista em criar ficção para justificar tanta incompetência. Veja esta agora: se a pessoa não estava trabalhando na semana da pesquisa, mas que trabalhou “em algum momento nos 358 dias anteriores”, foi classificada na ficção estatística como “pessoa marginalmente ligada à PEA (População Economicamente Ativa), por isso é excluída dos índices. Sim, “marginalmente” significa estar à margem, ao lado, daquelas pessoas que efetivamente trabalham. Tem mais! O exército dos que fazem bicos é considerado um exército de pessoas empregadas! Outro dia contratei um garçom para servir um coquetel para clientes. Paguei R$ 100,00. Mesmo tendo trabalhando uma noite e recebido menos de 10% do salário mínimo, para o governo este cidadão é considerado empregado. Entendeu ou eu preciso desenhar?

O IBGE diz que em Rondônia a taxa de desemprego é de 5,6%… kkkkkkkkkkkk…

A DURA REALIDADE  |  O que emerge dessa fossa séptica de ficções paridas desde que o PT assumiu o governo e Temer não quer mudar? Surge um monstro que em 2017 ficou na faixa excessivamente alta de 12% de desempregados, com todos os expurgos e demiurgos que esse teatro de horrores se impôs como direito. Para especialistas, a taxa real ultrapassa os 20%, um verdadeiro desastre social e econômico num país de mais de 200 milhões de dóceis ovelhas. A mídia local em Rondônia fez a festa com a divulgação, semana passada, das taxas de desemprego deste rincão nas saias da floresta amazônica: pouco mais de 5%. Foi a festa! Todos vibraram e regurgitaram o êxtase da ignorância desmedida, rendendo glórias ao governador que se despede a caminho do Nirvana, ao estado de graça para sua campanha ao Senado, como se Rondônia fosse ilha de riqueza num oceano de miséria. Estão todos enganados.

Sim, ela existe e seus mestres e defensores nos mantém no século XIV.

A IMBECILIDADE  |  O mesmo IBGE que forneceu os dados para o incensamento do governador de saída, divulgou em dezembro de 2017 que temos cerca de 800 mil pobres ou miseráveis. Sim, cerca de 50% do nosso povo vai dormir sem ter feito uma única refeição inteira e vai amanhecer sem saber o que comer. E um néscio (estúpido, incapaz), desses que se assanham para acomodar-se no saco escrotal de qualquer governante, escreveu sobre mim outro dia: “…esse Bueno está por fora… não sabe… nossos índios (como se todos fossemos) aqui aprenderam a viver do chibe (sic), da tapioca, da farinha daqua (sic) e não se importam com luxo trabalham um dia na semana e descansam 6 dias , porque nunca quiseram serem ricos (sic), é um povo feliz e mais preocupado com o bom sonho que pode ter.” Pessoas como esta é que tornam o país imbecil e nos mantém nas trevas do século XIV.

José Armando BUENO é empreendedor e editor de aA CAPITAL

 

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