Assis Raupp, ex-prefeito (cassado) de Colniza
Assis Raupp, ex-prefeito (cassado) de Colniza

O ex-prefeito de Colniza, no extremo Norte de Mato Grosso, Assis Raupp (PMDB), recebeu dinheiro de propina da Odebrecht segundo o delator Henrique Serrano do Prado Valadares. Assis tinha o apelido de “São Francisco” no esquema denunciado pela Operação Lava jato. De acordo com o delator, Assis recebeu propina por um depósito feito na conta de uma mulher, cujo nome Valadares diz desconhecer.

Assis Raupp, cujo nome verdadeiro é João Assis Ramos e também exerceu mandato de vereador em Porto Velho (RO), teve seu mandato cassado no início de 2016 após votação em sessão extraordinária na Câmara de Vereadores do Município.

Dentre as denúncias contra sua administração, estavam a aquisição de remédios superfaturados, contratações superfaturadas de caminhões, licitações dirigidas, diárias ilegais, aluguel do prédio da biblioteca, requerimentos oriundos da câmara não respondidos e do impedimento da apuração dos fatos.

Ele é sobrinho do senador Valdir Raupp, senador pelo estado de Rondônia, e teria usado o prestígio do tio, que presidia o PMDB nacional e na época o PMDB também governava Mato Grosso (Silval Barbosa),  foi eleito prefeito com apenas um ano de moradia no município. O então padrinhos de Assis, o ex-governador Silval Barbosa está preso por Corrupção e Valdir Raupp  responde vários processos no Suplemo Tribunal Federal.

Maçaranduba

Sob o codinome ‘Maçaranduba’, o senador Ivo Cassol (PP-RO) recebeu R$ 2 milhões da Odebrecht pelo apoio ao projeto da hidrelétrica de Santo Antônio, em Porto Velho.

Valadares afirmou em depoimento que autorizou o pagamento para Cassol porque, quando governador, ‘ele era um garoto propaganda da Odebrecht, sem que a gente pedisse nada para ele’.

Valadares contou à Procuradoria que o ex-secretário de Planejamento de Rondônia, João Carlos Gonçalves Ribeiro, também pediu ‘uma ajuda de R$ 1 milhão’ da construtora. “Ele era um cara que entrava nos detalhes das coisas e ajudava a destravar e dar a agilidade que a gente precisava para cumprir os prazos. Dependia de muitas providências por parte do Estado, de licenças e permissões. O João Carlos ajudou muito nisso como secretário de planejamento do Ivo Cassol”, disse.

O departamento de propinas da Odebrecht registrou João Carlos sob o pseudônimo ‘Dallas’. Os pagamentos feitos para ambos foram solicitados a Eduardo Melo Pinto, presidente da Santo Antônio Energia S/A (Saesa), concessionária que administra a usina. O dinheiro era proveniente de caixa dois gerado ao longo da obra.

Em outra ocasião, a construtora pagou despesas de Cassol com advogados. A conta foi assumida pelo ex-diretor de contratos da Saesa, José Bonifácio Pinto Júnior. “Ele [Cassol] tem um monte de processos nas costas. Um deles, recentemente, causou o afastamento dele. Então pagamos também”, explicou Valadares, que afirmou não saber o valor do pagamento ou quem eram os advogados em questão.

De acordo com o delator, o ex-governador teve, ainda, uma viagem para Nova York bancada pelo caixa dois da hidrelétrica de Santo Antônio. Identificado na planilha do departamento de propinas como ‘New York’, o pagamento foi feito para “custear uma viagem do governador Ivo Cassol, provavelmente com a mulher”, relatou Valadares.

Valdir Raupp, senador pelo PMDB, também recebeu dinheiro em forma de contribuição para campanha eleitoral por ser um político importante no Estado. O relator não soube dizer qual o valor pago a ele.

Roberto Sobrinho (PT-RO), ex-prefeito de Porto Velho, era o ‘Ariquemes’ na lista de pagamentos ilícitos. Quem recebia o dinheiro destinado a ele era Odair Cordeiro, homem de confiança de Sobrinho, de acordo com Valadares.

Valter Araújo, ex-presidente da Assembleia Legislativa de Rondônia, foi registrado como ‘Árabe’ na planilha.

O delator citou ainda um pagamento feito ao codinome ‘Anjo’, que explicou ser ‘alguém do entorno do Ivo Cassol, mas não conseguimos identificar’.

COM A PALAVRA, IVO CASSOL

Em nota, o senador Ivo Cassol (PP-RO) afirmou que a citação ao seu nome é uma ‘retaliação’ por ter sido contra a isenção de impostos dada aos consórcios que construíram as usinas de Jirau e Santo Antônio. “Não só entendo que é dever da Justiça investigar e fiscalizar os políticos, como é meu dever também lembrar que fui o único parlamentar que denunciou formalmente a isenção fiscal para as usinas do Rio Madeira em 2011″, afirmou o senador.

Segundo Cassol, o prejuízo ao Estado foi estimado em R$ 1 bilhão.

COM A PALAVRA, VALDIR RAUPP

A defesa do senador Valdir Raupp (PMDB-RO), representada pelo criminalista Daniel Gerber, informou que ele contesta mais uma vez ‘a falsidade das alegações que fazem contra si, se colocando à disposição do Poder Judiciário para os esclarecimentos cabíveis’.

 

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