Simporo detecta o novo “trem da alegria“ de cargos comissionados no DER-RO

 Clay Milton Alves, do Sindicato dos Motoristas Profissionais Oficiais do Estado de Rondônia (Simporo)
Clay Milton Alves, do Sindicato dos Motoristas Profissionais Oficiais do Estado de Rondônia (Simporo)

Na autarquia, até professor ganha produtividade sem nunca ter operado uma máquina pesada

A diferença entre o discurso do Governo do Estado em relação aos cuidados com as contas públicas e o que realmente acontece na transparência da administração estadual começa a tomar contornos politiqueiros, pois nem tudo vai às mil maravilhas como pensa e diz o governador Confúcio Moura. Pelo menos no DER-RO que mais uma vez está sendo denunciado no Tribunal de Contas do Estado e ao Ministério Público por outro festival de cargos comissionados.

A denúncia foi protocolada nesta sexta-feira 06.05 pelo presidente Clay Milton Alves, do Sindicato dos Motoristas Profissionais Oficiais do Estado de Rondônia (Simporo). Ele reuniu uma farta documentação referente aos meses de fevereiro e março de 2016, com informação retirada do Portal da Transparência, onde há evidências de que o Estado continua contratando ao arrepio da Lei, cargos comissionados se regulamentação e pagando produtividade.

Segundo Clay Milton, ele não é contra os cargos comissionados, mas sim da forma como o DER-RO está “premiando” esses servidores que ale de um bom CDS ainda recebem uma gorda produtividade, sem qualquer tipo de critério. “Quem avalia esse pessoal. Será que esses servidores entendem do que estão fazendo? Há caso em que um professor do Município está ganhando uma gratificação de dois mil e quinhentos Reais com operador de Máquina. Será que esse professor sabe operar máquina pesada? Para mim deveria estar em sala de aula”, denunciou Clay Milton.

Outro ponto crítico das contratações do DER-RO é o inchaço da folha de pagamento. De novembro de 2015 a março de 2016, a folha de pagamento dos cargos comissionados saltou de R$ 664,77 mil para R$ 838,41 mil, um aumento de aproximadamente 12%. Traduzindo em números: atualmente existem 218 servidores recebendo irregularmente uma produtividade de R$ 2.553,00, seja porque estão em desvio de função, seja porque já recebem CDS, o que dá R$ 556,5 mil ao mês e R$ 7,23 milhões ao ano. É muito dinheiro para quem fala em transparência.

Esses são apenas alguns dados que fazem parte do dossiê protocolado. Segundo Clay Milton, se o Governo Estadual realmente quisesse privilegiar os servidores, ao invés de enfiar pela janela os comissionados, ela já teria aumentado o valor da produtividade dos 169 motoristas, reajustando a gratificação de R$ 1,4 mil para R$ 2 mil que gastaria pouco menos de R$ 110 mil ao mês, aproximadamente, aproximadamente R$ 1,32 milhão ao ano. “Está acontecendo atualmente o mesmo que aconteceu na gestão Lucio Mosquini e no Governo Cassol, quando também denunciei a fara dos cargos comissionados”, lembrou.

Ao finalizar, Clay Milton disse que em 2007 o Simporo denunciou essas e outras irregularidades no Ministério Público do Trabalho, que acabou originando multas no valor de R$ 1 milhão contra o Estado por descumprimento de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) e ainda a realização de concurso público na autarquia. “A gente percebe que pouco a pouco o Governo começa novamente a subverter o TAC, incorrendo em situações como essa. Em época de eleição isso sempre acontece. O Governo sempre aproveita brechas para garantir privilégios de seus apaniguados”, finalizou.

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