Mateus ( no detalhe) e deitado no chão após sofrer agressão do policial militar durante manifestação (foto: Reprodução/Facebook)
Mateus ( no detalhe) e deitado no chão após sofrer agressão do policial militar durante manifestação (foto: Reprodução/Facebook)

A sessão do Senado desta terça-feira (2) precisou ser suspensa por cinco minutos após um bate-boca acalorado entre os senadores José Medeiros (PSD-MT) e Lindbergh Farias (PT-RJ). O motivo da discussão foi a agressão por parte de um policial militar ao estudante Mateus Ferreira da Silva na última sexta-feira (28).

O estudante de Ciências Sociais foi agredido com um cassetete pelo capitão da PM de Goiás Augusto Sampaio de Oliveira Neto durante um protesto organizado por centrais sindicais na Praça do Bandeirante no centro de Goiânia.

Desde a agressão, Mateus está internado na Unidade de Terapia Intensiva do o Hospital de Urgências de Goiânia. Ele sofreu traumatismo cranioencefálico (TCE) e múltiplas fraturas. O quadro é considerado grave, mas o estudante não corre risco de morrer, segundo o hospital.

José Medeiros discursava sobre a paralisação da última sexta-feira, quando chamou o estudante de “baderneiro”. A afirmação provocou irritação de Lindbergh Farias, que cobrou respeito à vítima da agressão, que está hospitalizada, e a seus familiares.

O bate-boca aconteceu após a chamada ordem do dia do Senado, período da sessão em que são votadas as propostas que estão em análise na Casa. Após as votações, poucos senadores permanecem na sessão fazendo discursos na tribuna do plenário.

Medeiros falava sobre a paralisação e confrontos de manifestantes com policiais, fazendo críticas a partidos de esquerda. Ele citou o cinegrafista da TV Bandeirantes Santiago Andrade que foi morto, em 2013, depois de ser atingido por um rojão enquanto cobria uma manifestação no Rio.

“Eu quero fazer uma homenagem aqui ao Santiago, aquele cinegrafista da TV Bandeirantes que foi assassinado por esses ‘trabalhadores’ e ‘guerreiros’”, afirmou.

Lindbergh interrompeu Medeiros dizendo que o parlamentar deveria falar do jovem agredido em Goiânia.

“O senhor deveria estar falando do Matheus, estudante que está entre a vida e a morte, que foi duramente agredido”, disse Lindbergh.

“Santiago morreu por causa desses black blocks e aí vem os senadores e dão apoio a essa gente”, reclamou Medeiros “Eu espero que Matheus escape, que tenha boa saúde e que nunca mais volte a fazer baderna”, emendou o parlamentar do PSD.

Lindbergh disse que o jovem não estava fazendo baderna e cobrou “respeito à vida” do estudante.

“Ele estava indo à Igreja?”, questionou Medeiros de maneira irônica. “Esses baderneiros colocam a vida da polícia em risco”, completou.

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O parlamentar defendeu a atuação da Polícia Militar na contenção de manifestações. “A polícia está ali para resguardar nós todos”.

Lindbergh voltou a afirmar que Medeiros estava sendo “desrespeitoso”. Aos gritos, Lindbergh disse que os senador do PSD deveria ter respeito aos familiares de Matheus.

“Vossa Excelência disse que ele estava fazendo baderna, deveria ter respeito à família. Não tem baderna ali, foi um ato absurdo. Vossa Excelência deveria ter respeito a uma pessoa que está entre a vida e a morte”, bradou Lindbergh.

“Vocês são responsáveis por essas mortes”, retrucou Medeiros, também aos gritos.

O senador Elmano Férrer (PMDB-PI), que presidia os trabalhos, tentou acalmar os ânimos, cortando os microfones, mas a discussão prosseguiu.

“Eu vou me retirar, eu estou indignado. Nós vamos visitar o Matheus amanhã […]. Você não tem o direito de falar em baderna dele, porque ele não fez nada. Não tem nenhuma gravação”, exclamou Lindbergh.

“O senhor é um baderneiro desde criança”, acusou Medeiros.

“O senhor não merece que eu lhe dê atenção”, respondeu Lindbergh.

Antes de Elmano Férrer suspender a sessão por cinco minutos, Medeiros afirmou ainda que o Brasil está “pegando fogo” por causa de políticos como Lindbergh. “Tem gente morrendo no campo porque vocês insuflam”, declarou.

O bate-boca prosseguiu por poucos instantes e Férrer suspendeu a sessão.

Em tom de brincadeira, Magno Malta pediu (PR-ES) que o presidente da sessão mandasse os dois senadores “resolverem o assunto lá no corredor”.

Com os ânimos mais calmos, a sessão foi retomada e Medeiros prosseguiu com seu pronunciamento.

Mais cedo o senador Magno Malta (PSC-ES) chamou os grevistas de milicianos.

Mateus está em coma induzido e corre risco de morte.

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