SAÚDE: TRANSPLANTADOS COMEMORAM SUCESSO DE CIRURGIAS NO HB DE RONDÔNIA

 Jhones: recomeçar de nova com saúde

Jhones: recomeçar de nova com saúde

Jhones Silva e Ronaldo Martins ainda comemoram o sucesso do transplante de rim que os dois, embora não se conhecessem, fizeram no mesmo dia, em Porto Velho, no Hospital de Base (HB) – referência no atendimento de alta complexidade em Rondônia.

Jhones, que trabalha na área de Saúde no interior do Estado, classifica como um renascimento, uma nova vida, o êxito na cirurgia feita pela equipe da médica do HB.

Para ele, tudo é fruto de uma política séria que o governo de Rondônia vem adotando nos últimos anos. De acordo com ele, há pouco mais de três anos passava por sessões de diálise e a possibilidade do transplante foi uma luz imensa no fim de um túnel de uma agonia que passou, mas que agora volta a ter esperança de uma vida normal.

O mesmo sentimento de gratidão tem o artesão Ronaldo Martins. Ele fez questão de destacar o empenho, dedicação e compromisso que a equipe do HB tem para com os pacientes. Para ele, a população precisa ter conhecimento dos esforços que esses profissionais fazem para salvar vidas. Isso, em sua análise, tem que ser mostrado para todos.

Ronaldo: voltar a trabalhar e ficar perto da família
Ronaldo: voltar a trabalhar e ficar perto da família

Com o sucesso da cirurgia, Ronaldo espera reiniciar sua vida. Um de seus projetos é retomar os estudos, interrompidos pelo avanço da doença e a fragilidade que ela causa. Mesmo no hospital, Ronaldo diz já ter forças para pensar no futuro, cuidar da família e ter uma vida melhor.

Todo o processo antes e depois das cirurgias é acompanhado pela equipe de cirurgiões da Central de Transplantes do Hospital de Base. De acordo com informações do banco de dados, os rins foram doados pela família de um jovem de 19 anos, morador de Alta Floresta do Oeste, que teve morte cerebral após sofrer um acidente de motocicleta.

Josefa Maria Martins, mãe de Ronaldo Martins, diz que a notícia sobre a doação foi recebida com alívio pela família. “Era um sofrimento muito grande. Ele me ligou e disse “mãe, meu rim está chegando, arruma tudo que vamos para o hospital”. Fiquei tão feliz que nem sabia o que eu fazer, disse emocionada.Assim que o procedimento em Ronaldo foi concluído, a equipe do HB deu início ao segundo transplante do dia.

Segundo a coordenadora da Central de Transplantes de Rondônia, Edicléia Gonçalves, todo o processo tem que ser rápido, porque, após coletados, os órgãos só resistem por até 36 horas. “É uma corrida contra o tempo”, afirma, lembrando que a agilidade da decisão das famílias dos doares também é fundamental. “Às vezes, devido à demora na decisão, o coração do doador pára antes da retirada dos órgãos, que precisam de oxigenação.

De acordo com Edicléia Gonçalves, a coleta dos rins foi realizada no Hospital Regional de Cacoal, pela equipe médica de transplantes do Hospital de Base de Porto Velho. A cirurgia demorou cerca de três horas.

O primeiro transplante de órgãos de Rondônia foi realizado no dia 29 de maio deste ano. O colono João Vieira Assis, que recebeu um rim, deixou o HB dez dias após a cirurgia. Ele mora em Ouro Preto D’Oeste e já voltou à sua rotina, afirma.

Tatiara: estrutura do HB nos permite avançar
Tatiara: estrutura do HB nos permite avançar

 
O secretário estadual de Saúde, Williames Pimentel, classificou como um grande divisor de águas para a medicina de Rondônia, o sucesso dos transplantes de rins feitos pela equipe médica da Central de Transplantes do Hospital de Base.

De acordo com ele, os transplantes, além de salvar vidas, comprovam o grau de credibilidade que a medicina pública de Rondônia alcançou. Pimentel lembra que antes o HB apenas captava e enviava órgãos para outros hospitais. Agora, com toda a estrutura moderna, já recebe órgãos de outros estados. Isso é um grande avanço que nos deixa muito contentes, disse.

Para a médica nefrologista Tatiara Bueno, que integra a equipa da Central de Transplantes, as cirurgias são possíveis devido à melhoria da estrutura do HB e ao avanço que a Central de Transplantes de Órgãos vem obtendo nos últimos anos. Ela lembra que desde 2011, foram realizadas 21 captações, num total de 42 rins e um fígado. Todo o trabalho realizado pela Central de Transplante tem a gerência do médico Alessandro Prudente, pioneiro na área em Rondônia, além da tutela da Santa Casa de Porto Alegre (RS), segundo maior centro de referência do Brasil em transplantes.

Fonte
Texto: Zacarias Pena Verde
Fotos: Ítalo Ricardo

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