De 2 a 5 de junho, na cidade de Ouro Preto, estado de Rondônia, será realizado o III Acampamento da Juventude da Via Campesina, que reunirá jovens camponeses, indígenas e atingidos por barragens dos movimentos que compõe a Via, entre eles: Comissão Indigenista Missionária – CIMI, Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA e Comissão Pastoral da Terra – CPT.

O acampamento reunirá cerca de 150 jovens de todo o estado, que durante os quatro dias, discutirão o impacto do agronegócio na juventude e no meio ambiente, as reformas da previdência e trabalhista, e a luta pelas Diretas Já.
Rondônia concentra municípios com alta vulnerabilidade social, segundo relatório do IPEA de 2010. O direito a educação também é comprometido por uma política de fechamento de escolas no campo (1150 escolas fechadas no estado, Censo Escolar 2003 e 2012 MEC/INEP), além de projetos como o Ensino Médio com Mediação Tecnológica (EMTEC), que forçam a juventude a sair ainda mais cedo do campo para a cidade.
Segundo os dados da CPT, em Rondônia, 21 pessoas morreram em conflitos agrários em 2016. A quantidade de mortes levou o estado ao 1° lugar do ranking de violência no campo. No ano passado, pelo menos 88 pessoas foram presas por causa de conflitos no campo em Rondônia, representando 39% do total de prisões deste tipo no país, que registrou 228 detenções. De acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), são 106 áreas de conflito por posse de terra. Em Rondônia, cerca de oito mil famílias residem em áreas que estão em conflito agrário. 80% desses acampamentos estão em fazendas que não têm o título definitivo.
Em meio a este cenário, movimentos sociais do campo e da cidade e os movimentos da Via Campesina atuam na luta e defesa dos direitos humanos, questionando o modelo patriarcal de sociedade e potencializando mulheres e jovens como sujeitos da luta social.

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