Rolé é para “zoar muito e catar minas, mas sem roubo”…

rolezinMorador do bairro Parque Guarani, na zona leste de São Paulo, C., 15 anos, é um dos organizadores de um rolezinho programado para acontecer em fevereiro, dentro de um shopping na mesma região. Pelo Facebook, o R7 conversou com o adolescente. Uma preocupação demonstrada por C., já no início da entrevista, foi não ter o próprio nome vinculado à ideia de arrastão.

— Meu rolé não é isso, mas sim, um passeio.

O encontro promovido por C. é descrito na rede social como uma oportunidade de “zoar muito”, “catar muitas minas” e curtir, mas “sem roubo”. O estudante conta que é o primeiro rolezinho capitaneado por ele e explica que a ideia é “conhecer pessoas novas e curtir o shopping numa boa”. Os rolés são uma forma de reunir jovens que muitas vezes têm contato entre si apenas no ambiente digital.

Questionado por que achava que os encontros estavam se espalhando pelo País, o estudante resumiu, dizendo simplesmente que é “legal ir ao shopping”. Para ele, mobilizar um grupo grande amplia a chance de conhecer mais gente. O adolescente destaca que é possível aproveitar mais se souber organizar o evento e se “todo mundo colaborar”.

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C. acha positiva a popularização dos rolezinhos, desde que não haja tumulto. Para ele, em vez de fazer arrastões, os jovens devem “aproveitar o shopping”. Quando indagado se tinha alguma preocupação na condição de organizador do encontro, ele respondeu que sim. E acrescentou que, para evitar confusão, tem orientado os convidados via Facebook.

Lado bom

Na opinião do estudante, os que criticam os rolezinhos precisam ver também “o lado bom” do evento. Ele diz que esses eventos são uma forma de dar visibilidade aos jovens, de “mostrar que eles não fazem coisas erradas, mas sim coisas certas”. Na visão do garoto, os encontros “influenciam os adolescentes a não irem na onda do crime”.

Ao ser perguntado o que achava das liminares obtidas na Justiça por alguns centros de compras para barrar os eventos, C. respondeu que “eles não viram o verdadeiro rolé”. O R7 perguntou ao menino se ele tivesse que mostrar para alguém que não conhece como é o verdadeiro rolé, como apresentaria.

— Levando [ao encontro] e diria que é legal.

Roupas de marca

Vestir roupas e acessórios de marcas famosas confere status ao participante do rolezinho e é uma forma de ser bem-visto, segundo o menino. Ele também considera haver uma carência de áreas de lazer para os jovens, que recorrem aos shoppings como alternativa.

Perguntado sobre a adesão de movimentos sociais, o garoto, que admitiu não saber o que era Black Bloc, afirma que, para ele, “não tem nada a ver” com “rolezinho”.

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