Secretário da Saúde, Fernando Máximo está na UTI com a Covid-19

PORTO VELHO- Uma reportagem publicada ontem no jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), confirma a desconfiança que analistas e jornalistas vêm publicando nos últimos dias: o governo de Rondônia, leia-se Sesau, não está realizando testes e a queda de casos confirmados deve-se a isso.

De acordo com o Estadão, “após mais de quatro meses de pandemia no País e sucessivas promessas do Ministério da Saúde de realizar testagem em massa para conter a covid-19, o Brasil só atingiu 20% da capacidade de exames prevista para o período de pico. Além de distribuir menos testes do que o projetado, o governo Jair Bolsonaro também tem feito entregas de kits incompletos, sem um dos reagentes essenciais para processar as amostras, segundo secretarias de saúde.

Em maio, segundo a reportagem do Estadão, o então secretário de vigilância em saúde do ministério, Wanderson de Oliveira, declarou que a meta era realizar 70 mil exames de RT-PCR por dia nos laboratórios públicos do País durante o período “mais crítico da doença” que, segundo ele próprio, deveria acontecer em junho. Embora a projeção de mais casos tenha se confirmado, a rede de laboratórios públicos centrais (Lacens) fechou o mês passado com média de apenas 14,5 mil testes diários — ou 20,8% do previsto, segundo dados do último boletim epidemiológico do ministério.

Rondônia

A diretora do Lacen de Rondônia, Cicileia Correia da Silva, conta que o ministério não envia
insumos de extração para o Estado desde abril. “Como havia uma programação original do
envio, alguns Estados não fizeram processos próprios de aquisição”, relata. “Iniciamos
tentativas de compra aqui, mas é difícil encontrar fornecedor para pronta-entrega.
Efetivamos uma compra há 15 dias com a promessa de 25 mil insumos de extração, mas até agora só recebemos mil.” Segundo Cicileia, mesmo com pessoal capacitado e kits de amplificação sobrando, o LacenRO precisou enviar, na semana passada, 1,4 mil amostras para serem analisadas da Fiocruz por falta de insumos de extração em Rondônia.

Cicileia Correia da Silva, que é  biomédica, especialista em saúde pública, foi empossada como diretora do Lacen-RO em março deste ano, após repercussão negativa da nomeação da advogada Paola Ferreira da Silva Longhi Neiva, nora do deputado estadual Ezequiel Neiva (PTB-RO). A nora de Neiva, não possuía nenhuma experiência no setor, e assumiu o cargo em meio a guerra que o mundo e o Governo de Rondônia travam contra o coronavírus.

Nos últimos dias o G1 vem publicando que Rondônia tem se destacado na testagem e na estabilização de casos, chegando a “zerar”. Não é bem assim. “Sem kits PCR para fazer o exame mais preciso para confirmar se a causa da morte foi covid-19, tendo que enviar amostras para a Fiocruz no RJ e esperar até 10 dias pelo resultado, vamos assistir nos próximos dias a “mágica” do número de mortes, somente em PVH, despencaram de uma média de 10 ao dia para algo próximo de zero, basta não fazer testes”, antecipou há uma semana o advogado e ativista Itamar Ferreira, que vem alertando as autoridades sobre o perigo da falsa ideia de que o vírus está indo embora de Rondônia.

Desde 06/07 o LACEN não tem kits para realizar exame PCR, o mais preciso para diagnosticar novos casos e, principalmente, se a causa da morte é covid-19. Isso explica as oscilações e a redução brusca nos números oficiais de infectados e óbitos. Só na semana passada 1.400 amostras foram enviadas à Fiocruz no RJ.

“Mais grave ainda, sem os esclarecimentos devidos à população, aumentará a sensação de falsa segurança e o desleixo com as medidas de prevenção, criando o cenário para uma “tempestade perfeita” para o coronavírus, que se abaterá sobre Rondônia até o final do julho”, sentenciou Itamar.

Enquanto se aguarda os resultados da Fiocruz, o chefe da Casa Civil de Rondônia, Júnior Gonçalves, que praticamente assumiu o governo na ausência do governador Marcos Rocha que está em quarentena devido ao exame positivo da primeira dama Luana Rocha, vai abrir tudo nesta quarta-feira, 15 de julho. O detalhe é que o secretário de Saúde, Fernando Máximo, também pegou a Covid-19 e está internado numa UTI.

Observando que os testes rápidos realizados pela Sesau-RO de pouco adiantam, pois não estão mostrando eficácia em lugar nenhum do Brasil.

Planilha com os dados oficiais dos últimos 8 dias, desde que acabaram os kits PCR no Lacen. No sombreado em amarelo a média dos últimos oito dias.

Fonte: Mais RO

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