PSDB reconhece dificuldade de referendar reeleição de Hildon Chaves

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Uma eventual candidatura à reeleição do prefeito Hildon Chaves (PSDB) enfrentaria hoje um difícil teste de fogo dentro do próprio ninho tucano. Essa situação de desconforto é admitida pelo próprio presidente do diretório municipal da capital, Lindomar Carreiro, que reconhece o sentimento de insatisfação junto a base do partido, justamente entre os convencionais, instância que aprova ou não qualquer candidatura.

Embora Carreiro se coloque como um defensor e incentivador da reeleição de Chaves, ele prevê que terá de gastar muito argumento para convencer os tucanos a aprovar uma candidatura à reeleição. O principal motivo é a sensação generalizada de desprezo com que o prefeito trata os companheiros de partido.

Essa sensação tem se tornado cada dia mais latente, principalmente depois que o chefe do executivo transferiu o comando de seu gabinete para as mãos de emedebistas ligados ao ex-governador Confúcio Moura, além de incluir no primeiro escalão de sua equipe políticos de outras legendas, em detrimento de gente dos quadros do PSDB.

Na manhã desta quinta-feira (30), Carreiro disse que já trabalha pela reeleição de Chaves e que, apesar das resistências da base, acredita que consegue “trazer a militância”. A declaração soa um tanto conflitante, vez que no início dessa semana o presidente dos tucanos da capital divulgou uma notícia por meio de sua assessoria na qual deixa inequívoca uma certa irritação com a forma com que o prefeito tem se relacionado com o partido.

Sem meias palavras, Lindomar Carreiro defendeu que seja incluído no estatuto do partido, que realiza convenção nacional nesta sexta-feira (31), em Brasília, um dispositivo que garanta “cargos de direção nos governos e municípios para contemplar principalmente os filiados do partido, inclusive com Secretaria, além de incluir punição para os eleitos que negarem essa contribuição ao partido”.

Uma outra observação crítica de Carreiro com relação ao prefeito diz respeito ao distanciamento que Chaves vem mantendo da população. “No começo do mandato até que ele ia até o povo, abraçava, era abraçado, mas depois sumiu das ruas”, avalia. Para tentar uma reaproximação, Carreiro planeja lançar um programa a ser realizado todos os dias 1º de cada mês, no pátio da Prefeitura, chamado provisoriamente de “Café com a Comunidade”, no qual o prefeito receberia diretamente as pessoas para tratar dos problemas de cada bairro.

A incógnita é que esse projeto pode se revelar um baita tiro no pé. Com problemas aparentemente incontornáveis na saúde, transporte escolar rural e fluvial, transporte urbano, ruas esburacadas, além da sensação de imobilismo que permeia a gestão, essas reuniões podem se tornar um grande fórum de cobranças com muito mais resultados negativos que eventuais conquistas. “Mas, para a gente que mexe com política, temos que engolir o boi com chifre e tudo”, contemporiza Lindomar Carreiro.