Com o objetivo de avaliar, supervisionar e fiscalizar a entrega de mudas de café clonal, adquiridas pelo governo de Rondônia com recursos do Fundo de Investimento e Desenvolvimento Industrial do Estado de Rondônia (Fider), distribuídas gratuitamente aos pequenos produtores rurais previamente selecionados, uma equipe composta por membros da Superintendência de Desenvolvimento (Suder) e Emater visitou 33 propriedades rurais distribuídas em onze municípios do interior do estado.

De acordo com o superintendente de Desenvolvimento, Basílio Leandro de Oliveira, esta ação constatou o recebimento das mudas pelos produtores rurais, bem como as expectativas e receptividade destes em relação a esta política de incentivo a cultura do café que vem sendo implementada pelo Estado de Rondônia. “Coube a Suder a aquisição de 1,4 milhão de mudas de café clonal. Produzidas por diversos viveiros de Rondônia e adaptados ao solo e clima rondoniense e que vem apresentando excelente produtividade, em torno de 100 sacos/hectare”, enfatizou Basílio.

A Emater ficou com a missão de selecionar os produtores a serem agraciados, fazer a distribuição das mudas e prestar assistência técnica desde o plantio até a produção e colheita do café. “Com orientações sobre plantio, forma de plantio, adubação de plantio, adubação de produção, número médio de hastes, sistema de condução de cafeeiros (desbrota e poda de produção), medidas de Controle, irrigação, colheita, secagem e armazenamento”, explicou o superintendente .

O Estado de Rondônia é o quinto maior produtor de café do Brasil e o segundo maior produtor da espécie Coffea canephora (Conilon). Regiões com tradição no cultivo do café estão se tornando referência, demonstrando que este salto e incremento na produtividade são possíveis com a adoção de tecnologias acessíveis e o manejo adequado da lavoura. Essa eficiência na produção gera ao agricultor familiar aumento significativo da renda e mais qualidade de vida no campo. Essa verdadeira transformação no campo, com aumento de produção e produtividade, vem ocorrendo pela substituição das lavouras de mudas seminais por clonais, as quais possibilitam manter as características genéticas da planta matriz e garantem à homogeneidade da lavoura, com maior tamanho de grãos, maior uniformidade de maturação dos grãos, melhor qualidade e escalonamento da colheita.

Neste conjunto de ações em prol do desenvolvimento e fortalecimento da cafeicultura de Rondônia, as ações do governo do Estado têm possibilitado a inserção dos produtores no processo de inovação tecnológica, desde sua geração, assimilação e utilização, sendo um processo de aprendizagem e de transferência desses conhecimentos, que refletem no cenário atual favorável da cafeicultura no estado.

O reflexo maior da revitalização da cafeicultura no estado é o aumento da produtividade em 2016, ao mesmo tempo em que se verifica a perda regional de safra em regiões com alta produção, sobretudo, devido à seca e à má distribuição de chuvas por dois anos consecutivos nos estágios de florescimento, formação e enchimento de grãos. No entanto as condições climáticas favoráveis, aliadas ao ciclo de bienalidade positiva, favorecem as lavouras e justificam os ganhos de produtividade em Rondônia, com uma perspectiva crescente no aumento de produção e produtividade para o ano de 2017.

Nos últimos quatro anos, a cadeia produtiva do café gerou mais de R$ 160 milhões em arrecadação para o estado de Rondônia, divisas sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços interestadual e intermunicipal (ICMS), tornando a segunda cultura em arrecadação de impostos no estado de Rondônia.

Outro fator importante e limitador quanto ao cultivo de cafés clonais são os sistemas de irrigação, uma importante ferramenta na exploração da potencialidade produtiva do café clonal. No entanto, é imprescindível o uso racional da água. Para isso, além de utilizar técnicas de irrigação mais eficientes, os técnicos da EMATER-RO tem orientado os produtores na elaboração dos projetos a escolher o sistema de irrigação mais adequado, considerando uma série de fatores tais como: tipo de solo, topografia, tamanho da área, fatores climáticos e os relacionados ao manejo da cultura, déficit hídrico e a capacidade de investimento do produto.

Nas visitas, segundo Elysmar de Jesus Barbosa, controlador Interno/Suder, ficou constatado o grande entusiasmo dos produtores agraciados, tendo a grande maioria já realizado o plantio e instalado os sistemas de irrigação, atentos as orientações dos técnicos da Emater, quem vem acompanhando no cotidiano a implantação das lavouras. Constatou-se também que enquanto alguns produtores já tiveram outras experiências com a lavoura de café seminal, a grande maioria tem a sua primeira experiência com o café clonal, como forma de diversificação da produção das suas pequenas propriedades, introduzindo o café como monocultura ou em consorcio com outras culturas, como milho, feijão, melancia, abobora e pinhão apenas para citar alguns exemplos.

CASO DE SUCESSO

Ainda durante as visitas, de acordo com o gerente da GAF/Suder Francisco Carlos Machado, a equipe técnica da Suder e Emater notou como a cafeicultura propicia a fixação do homem no campo, assim como de seus descendentes. “Um exemplo disso é o agricultor Clarindo José Rodrigues, que tem sua propriedade localizada no setor chacareiro do município de Buritis”, comentou Carlos.

Vindo do Paraná, região produtora de café, o agricultor Clarindo José Rodrigues chegou em Rondônia na década de 80, com esposa e filhos, em busca do tão sonhado pedaço de terra. Pelos percalços da vida, e depois de muita luta, chegou ao município de Buritis. Com os filhos crescidos e sempre perto, dividiu o lote com os seus quatro filhos, mas sempre com o sonho de continuar a plantar o café.

Produzindo diversas olerícolas para geração de renda, há seis anos plantou as primeiras plantas de café por meio da seleção natural e a troca de mudas com produtores de outras regiões. Depois de várias tentativas, chegou a lavoura atual com produtividade. Ao receber as mudas de café cedidas pelo governo de Rondônia, o senhor Clarindo vê essa ação como uma válvula motivadora. As mudas de alta qualidade irão propiciar um aumento na produção e maior geração de renda. “Receber as mudas é muito bom, mas temos que cuidar dessas plantas da melhor maneira possível, adubando e irrigando para que elas possam produzir cada vez mais”, finalizou Clarindo.

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Fonte
Texto: Marcelo Gladson
Fotos: Arquivo
Secom – Governo de Rondônia

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