PORQUE MÁRIO PORTUGUÊS NÃO SE ELEGEU PREFEITO E NEM SE ELEGERÁ A GOVERNADOR, SE TENTAR

 

Mário Português foi candidato a prefeito de Porto Velho
Mário Português foi candidato a prefeito de Porto Velho

Há uma ilusão que se repete sistematicamente na política, que é imaginar que o sucesso na atividade privada cria as condições para que se importe ‘este ou aquele’ diretamente para um processo eleitoral. Importar para a política é sempre positivo e deixar que ‘este e aquele’ vivam nesse mundo, entendam a sua lógica e, com isso, possam vir a se candidatar a prefeito,  governador ou presidente.

Mas quando se tenta fazer um atalho, importando ‘este ou aquele’ outsider, quase sempre ocorre uma frustração eleitoral.Foi o que aconteceu com ex-candidato a prefeito de Porto Velho, Mário Português, então no PPS. Bem sucedido empresário e agora no setor do agronegócios, Mário Português coleciona prêmios como um dos maiores atacadistas do País. Como empresário, é rígido na administração dos negócios. Segundo testemunhas, é rude com os empregados e cobra demais seus auxiliares. Estas características por si só já vislumbrariam  que poderia ser um ótimo prefeito ou governador, cujas funções pedem alguém com este perfil de pulso firme aliado a capacidade administrativa. Mas, porém, todavia, o estilo Mário Português de administrar não serviria ao Mário Português político que requer jogo de cintura, acertos, conchavos e negociações. Ele não gosta muito de ceder. Numa queda de braço com servidores públicos ele não teria o jogo de cintura necessário para negociar. Recentemente ele deu uma entrevista, reconhecendo que errou na campanha dele a prefeitura de Porto Velho. Dissera na época que Porto Velho parecia uma favela. Isso ajudou a aumentar a rejeição dele. O adversário (Mauro Nazif) aproveitou a deixa e usou a seu favor, ganhando as eleições. Nesta entrevista ele disse que se fosse candidato ao governo de Rondônia, ia bancar sozinho a campanha e não ia aceitar apoio de nenhum empresário. Cometeu outro erro. Numa campanha eleitoral são os aliados que ajudam a vencer. Quanto mais apoio, mais aliados, maiores são as chances de vencer.

EXEMPLOS NACIONAIS

Outros exemplos não são difíceis de achar. Um caso serve como exemplo geral pela sua importância. No auge de sua popularidade como empresário e unanimidade nacional, Antonio Ermírio de Moraes se lançou candidato a governador em 1986, usando o PTB como fachada.

Até o senador Fernando Henrique Cardoso se encantou com a hipótese, deixando de lado o candidato de seu partido, Orestes Quércia. Antonio Ermírio abriu na frente. E parecia um passeio, segundo as pesquisas. Afinal, S. Paulo iria ter como governador o quadro de gestão mais qualificado do Brasil. A imprensa o abraçou. As elites vibraram. O processo eleitoral avançou: debates, pesquisas, capilaridade política, desconfiança, críticas injustas… Afinal enfrentava Quércia e Maluf.

No final, Quércia passou de passagem e venceu com 40% dos votos. Ermírio despencou e ficou com quase 20%, um pouco acima de Maluf.

O processo eleitoral, ou seja, a campanha é uma guerra. Parafraseando –ao inverso- Clausewitz: A eleição é a guerra com outros meios. Ou copiando Sun Tsu, na “Arte da Guerra”: “Em poucas palavras, o que consiste a habilidade e a perfeição do comando das tropas é o conhecimento das luzes e das trevas, do aparente e o secreto. É nesse conhecimento hábil que habita toda a arte.”

Sempre que um partido se enfrenta à ausência de pré-candidatos competitivos nas eleições para presidente e governador, tenta uma saída mágica: um nome expressivo da sociedade de forma a buscar votos com o reconhecimento que tem. Um outsider. Isso é também –e certamente- ANTIPOLÍTICA. E quase nunca dá certo.

 

Fonte: RK Com ex-blog de César Maia

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