JJosé  Armando BUENO (*)

A pesquisa CNI Eleições divulgada ontem (13), apresenta uma tomografia detalhada sobre o pensamento e a vontade dos eleitores brasileiros para definir o voto em 2018. Neste BLOG vou analisar pontos específicos e cortes importantes da pesquisa e que tenha a ver com as condições políticas e eleitorais de Rondônia, de acordo com minha experiência e as leituras que sempre desenvolvi sobre o nosso território político, hoje bastante conturbado, mas controlado sob esmagamento violento para impedir que a podridão se espalhe. Bora lá?

NÃO ACREDITO!  |  75% dos eleitores não acreditam em promessas de campanha. Este número já foi bem inferior no passado. Por outro lado, 84% dos eleitores afirmam estudar as propostas dos candidatos para decidir em quem votar. Não é um contrassenso, é um filtro, uma medida de autoproteção ainda que frágil, considerando o baixo nível de escolaridade e cognição da maior parte da população: “não acredito” é um ato de defesa contra os mentirosos contumazes, “estudar” significa considerar avaliar o que está sendo oferecido como promessa de campanha. Tradução: o eleitor quer bons projetos e propostas para acreditar no candidato e nele votar. Isto significa que a velha musiquinha genérica de prometer mundos e fundos em Saúde, Educação, Segurança e mais “200” falsas promessas não cola mais. O candidato tem que ter um projeto com foco, meta e ser específico sobre como resolver os problemas da sua comunidade ou região. E tem que ser didático para evitar ser rejeitado porque não soube comunicar-se com o eleitor, algo infelizmente comum demais.

PARTIDO? QUE PARTIDO?  |  48% dos eleitores não têm preferência ou simpatia por nenhum partido. Notem: nem preferência, nem simpatia, o que significa neutralidade. Partidos não encantam eleitores, e para eles tudo é uma sopa de letrinhas. Isto é mais forte entre os mais velhos, 59% daqueles com 55 anos ou mais; entre os jovens há maior propensão em declarar uma preferência, 40% entre aqueles com 16 a 24 anos. Claro que os partidos não serão esquecidos ou desprezados, nem pelos eleitores e muito menos pelos políticos, porque 47% dos eleitores escolheriam um partido dentre dezenas. Isto tem muito a ver com militância, filiação, ligação a grupos no poder, cargos comissionados e seus familiares dependentes do cargo público e preferências mais pessoais que ideológicas. De qualquer forma, a diluição é grande demais para afetar escolhas, exceto o PT, único partido que despontou com 19% da preferência. E um dado relevante: partidos são mais importantes entre aqueles com menor grau de instrução. A maioria dos eleitores com até a quarta série do ensino fundamental, votaria nos candidatos ao Senado e deputados (federais e estaduais) do mesmo partido do candidato à presidência. Em Rondônia, isto será difícil, pois 46% da população tem ensino médio completo, 13% tem ensino fundamental completo, ainda que existam cerca de 27% de analfabetos. Portanto, candidatos, o mais importante não é o partido, é você e a coligação em que se insere. A prova está aí embaixo!

GOSTO, NÃO GOSTO  |  Sete em cada dez eleitores votam no candidato que gostam, independente do partido em que ele esteja. A preferência pelo candidato — e não pelo partido — cresce em municípios com até 50 mil habitantes, população de 45 dos 52 municípios de Rondônia. O que isto significa? Que candidatos que demonstrem mais presença e interesse pelos problemas da comunidade, e que também levem soluções, são mais apreciados. A pesquisa apontou que quanto menor a renda, ganha importância o partido do candidato. Agora, um alerta: 41% dos eleitores com maior grau de instrução, não votam em candidatos a senador e deputado do mesmo partido que do presidente, o que significa que o voto é personalizado e não partidarizado, em oposição aos de baixa renda. Apenas um terço dos eleitores considera importante senador e deputado do mesmo partido. Isto pode representar um problema para aquelas coligações e partidos que não conseguirem afinar seus candidatos com os perfis múltiplos desejados pelos eleitores, conforme apontou a pesquisa. Novamente está identificada a importância de COMO o candidato se apresenta ao eleitor, independente do partido ou coligação, e isto tem a ver com boa comunicação.

INSTRUÇÃO x RELIGIÃO  |  Há grandes diferenças nas preferências dos eleitores de acordo com o grau de instrução. Entre os brasileiros que possuem até a quarta série do ensino fundamental, 44% consideram muito importante que um candidato compartilhe da sua religião, percentual que cai conforme aumenta o grau de instrução, atingindo apenas 12% entre os que possuem educação superior. Isto significa forte tendência do eleitorado em Rondônia, com menor escolaridade, em votar naqueles candidatos do grupo dos evangélicos, que é o maior contingente religioso no estado. Sobre este tema sensível, como comunicar aos eleitores a preferência religiosa do candidato? Isto não é um requisito do marketing, exceto quando exposto em debates ou quando questionado publicamente, aí sim é preciso saber posicionar-se de modo claro e objetivo. Para a maioria dos eleitores, crer em Deus é importante, independente da crença religiosa. Também, quanto menor o grau de instrução, maior o percentual dos que preferem votar em candidatos que não são políticos profissionais. Entre os que possuem até a quarta série do ensino fundamental, 55% concordam totalmente ou em parte que preferem votar em candidatos que não sejam políticos profissionais. Com pequenas diferenças, a honestidade é um requisito importante para todos os eleitores, mas que cai no grupo com menor instrução. Para os eleitores com educação superior, não basta que os candidatos sejam honestos, eles precisam de propostas pertinentes e alinhadas ao que o eleitor acredita. Esses eleitores também são os que colocam mais ênfase na estabilidade econômica como plataforma para os candidatos.

AS PRIORIDADES  |  Quando estimulados a escolher entre a) mudanças sociais (saúde, educação, segurança e desigualdade social); b) moralização administrativa (combate à corrupção e punição de corruptos); c) estabilização da economia (queda definitiva do custo de vida e do desemprego), 44% dos brasileiros preferem as mudanças sociais e 32% escolhem a moralização administrativa. Portanto, mudanças sociais estão bem à frente da estabilização da economia, o que significa que, apesar das altas taxas de desemprego, o eleitor quer melhores respostas para problemas que afetam a todos diretamente (saúde, educação, segurança). Está aí uma sinalização significativa para a definição de prioridades por parte dos candidatos. Por outro lado, corrupção, falta de confiança no governo e nos candidatos e falta de opção entre os pré-candidatos estão entre os fatores que tornam 44% dos brasileiros pessimistas ou muito pessimistas em relação às eleições. Já entre os 20% que se dizem otimistas ou muito otimistas, destacam-se entre os motivos mais mencionados espontaneamente: a expectativa de mudança e renovação e a esperança no voto e na participação popular. Portanto, majoritariamente, o pessimismo do eleitor é dominante, o que exige notável esforço para apontar claramente que mudanças devem ocorrer para melhorar o ambiente do país e a vida da população. Um detalhe importante: os brasileiros preferem candidatos de família pobre, ao invés de candidatos de família rica, e valorizam que os candidatos sejam pessoas simples, “gente como a gente”. Mas cuidado com as maquiagens para “parecer pobre”. Em Porto Velho, um velho e conhecido político com carreira como deputado federal e prefeito, é especialista nisto.

MARKETING & COMUNICAÇÃO  |  Está mais do que evidente, provado, que a multiplicidade de situações, posições e opiniões dos eleitores, já exige do candidato um projeto de marketing & comunicação para múltiplos grupos. Antigamente, tudo era igual e padronizado para todos os eleitores, hoje isto é um erro grave e que vai inviabilizar candidaturas. Públicos diferentes e diferenciados, conteúdos diferentes e diferenciados. Mas, qual a diferença entre DIFERENTE e DIFERENCIADO? Para quem não conhece, diria que a diferença é meramente semântica, mas não é. A base é mais comportamental e de valores sociais, econômicos e de preferências “diferenciadas”, que textual. Por isso hoje a palavra DIFERENCIADO tem o domínio das opções, porque de fato faz a diferença, pois significa algo muito melhor, superior. Já DIFERENTE tem a ver com a simplificação entre bom e ruim, preto e branco, gosto ou não gosto, e nos enfiamos num paradoxo, pois ao mesmo tempo que queremos ser iguais ao esmagar o diferente sem dó, valorizamos a individualidade. Uma contradição da natureza humana. E aí entre o diferenciado, que é o melhor dos iguais, o diferente que deu certo. Simplificando: candidato com reais chances de vitória, vai desenvolver múltiplos conteúdos de comunicação diferentes e diferenciados, para grupos de eleitores diferentes e diferenciados. Não entendeu? Me contrate e você verá a enorme diferença diferenciada.

(*) José Armando Bueno é empreendedor e jornalista, editor de A CAPITAL.

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