Perigo: prefeitura cobra Plano de Evacuação de Emergência de Usinas

Cenas que só vemos em filmes podem se tornar reais
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A Secretaria Municipal de Projetos Especiais e Defesa Civil (Sempedec) cobra das usinas Santo Antônio e Jirau a apresentação de um Plano de Evacuação de Emergência.  Segundo Vicente Bessa, secretário da Sempedec, desde o início do funcionamento dos lagos o plano já deveria ter sido composto. Ele deve nortear as ações protetivas da Defesa Civil, em casos de acidentes com qualquer das duas usinas. “Eles são obrigados por lei a apresentarem esse documento e a Prefeitura tem solicitado a entrega desse material. O Ministério Público já instaurou inquérito civil público, o Ibama também já fez solicitações, porém, até agora, nada foi apresentado”, informou.     As duas usinas devem elaborar em conjunto o plano e apresentá-lo ao Ibama e à Defesa Civil Municipal. Um dos principais itens é a quantificação do tempo do trajeto das águas, em caso de acidentes, isso possibilita a Defesa Civil programar a retirada de pessoas das áreas de risco. “Além disso, ainda falta instalar câmeras filmadoras nas barragens e um sistema de alarme na cidade. Essas medidas são obrigatórias, para que em caso de algum acidente a população seja comunicada com a antecedência necessária. Precisaríamos fechar ruas para facilitar a evacuação e translado das pessoas para áreas seguras. Para todos esses procedimentos precisamos de instruções técnicas, que devem constar nesse plano”, disse Bessa.

O secretário da Sempedec considera baixa a possibilidade de riscos com as usinas do Madeira, mas salienta que em obras de engenharia eles devem sempre ser vistos como possibilidades reais. “Há alguns anos que aconteceu um incêndio na casa de máquinas em Santo Antônio, já neste ano houve um rompimento de barragem no estado do Amapá, que alagou uma cidade com trinta mil habitantes, e em 2013, na Rússia, estourou a maior barragem de hidrelétrica da região levando a óbito trinta mil pessoas. Portanto, riscos sempre existem. É preciso que a Defesa Civil esteja preparada”, afirmou.

Sobre um problema acontecido no último final de semana em Jirau, Bessa esclareceu tratar-se da queda de um cabo de força que paralisou vinte e seis das trinta turbinas, ocasionado a súbita elevação do volume de água. O controle foi feito por meio da vazão nos vertedouros. “Não se trata de um acontecimento muito atípico para hidrelétricas, ontem mesmo a Itaipú abriu também seus vertedouros, mas foi uma abertura programada, de forma que não assustou a ninguém. O que ocorreu com Jirau é que a abertura foi súbita e a água começou a subir rapidamente, inundando todo o canal do vertedouro e isso levou alguns trabalhadores, desprovidos de conhecimento técnico sobre o assunto, a se apavorarem. Mas não aconteceram desmoronamentos, como acabou sendo falado por alguns. Num caso assim a reação desencadeada seria catastrófica. Imagine quase vinte metros de altura de água transbordando. Mas não há problemas graves, a Defesa Civil não vê com preocupação o ocorrido, pois os riscos foram considerados muito baixos”, destacou.

Assim que observado o problema em Jirau a Defesa Civil Municipal foi informada pela própria Usina. Imediatamente, foi designada uma equipe para acompanhar os acontecimentos, observar a subida de água nos vertedouros e para permanecer durante todo o final de semana de plantão em Jaci Paraná. Um helicóptero foi disponibilizado pelo Corpo de Bombeiros para realizar vistorias, mas o secretário preferiu não utilizá-lo, a fim de não provocar mais insegurança na população, que ficou assustada com as notícias.

O caso foi visto como um evento normal da engenharia de todo o complexo, porém, independentemente do caso isolado, a Sempedec reclama por parte das usinas o Plano de Evacuação de Emergência. “Desde o ano passado essa cobrança tem sido feita. As usinas alegam por ofício que uma depende da outra, de forma que acaba ficando um jogo de empurra e o plano não é apresentado. Ocorre que as duas precisam montar em conjunto, pois no caso de um acidente em Jirau, Santo Antônio deveria ter capacidade para suportar o volume de água descido. Dessa forma, não podemos aceitar planos separados, pois ele deve ser um plano conjunto. Estamos ainda aguardando, mas estudamos como poderemos agir de maneira mais incisiva, caso ele não seja logo  apresentado”, concluiu o secretário.

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