Por Thiago Pedrosa

Que triste e sujo 31 de agosto. O circo de ilegalidades começou com a aceitação do pedido de impeachment após uma suja negociata em que o Partido dos Trabalhadores não cedeu às chantagens do Ex-Presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ”malvado favorito” de alguns, sobre a admissão das denúncias contra ele proferidas no Conselho de Ética da Câmara. Após isso, uma advogada de São Paulo, confessadamente trabalhando para o Partido da Social Demagogia Brasileira, sob honorários de R$ 50.000,00, encontrou um artífice para dar entrada no processo de impeachment (o qual teve também as regras alteradas pelo mesmo Eduardo Cunha).

Durante as sessões o que se viu foi um verdadeiro circo: Os brasileiros descobriram a vexatória Câmara dos Deputados, na qual alguns disseram “sim ao impeachment” enquanto jogavam serpentinas e outros apetrechos para o alto, tudo no ambiente legislativo. No Senado nada de melhor: O relator do processo é justamente um dos autores indiretos do pedido, violando o princípio da imparcialidade do juízo, o qual foi destruído neste simulacro jurídico.

Nada adiantou a brilhante e histórica defesa de José Eduardo Cardozo, que demonstrou juridicamente a inconsistência dos pedidos, em verdade, sua total inexistência fundamental. Em vão.

O PT errou demais. O grande partido de oposição que foi se dilacerou e se transformou em um ninho de centro-esquerda unido a fisiologistas do poder, a exemplo de Delcídio do Amaral. O poder pelo poder, a política de alianças escusas e a vitória a qualquer preço, sob o mantra de que ”essa é a realidade do presidencialismo de coalizão”, culminou no golpe que ocorre hoje. E quem pagou por tudo isso?

O povo, primeiramente. Mais após, uma senhora de 68 anos de idade, torturada pela Ditadura Militar e que teve de carregar o peso de alianças que não aceitava, o convívio com um ambiente sujo o qual a ela era absurdo e a escutar de um Senador condenado por improbidades administrativas e impedido, outro Senador impedido pelo judiciário de seu cargo de governador sob o mesmo motivo e ao final, do autor de uma lei estadual inconstitucional (já julgada) que era ela quem ferira a Constituição.

Hoje é esta senhora quem dá “tchau queridos”. Já que assim as classes altas impuseram e boa parte da classe média e pobre não se manifestou, o país está agora nas mãos destes senhores, os quais continuamente reprovados pelas urnas ao cargo máximo executivo, hoje o alcançaram, sob mãos diferentes, mas de mesmas luvas que as de Auro de Moura Andrade.

Assim como em seu julgamento na Ditadura, quem deverá esconder o rosto não são os Senadores que coadunaram ao golpe, mas a todos aqueles que permitiram a construção deste projeto de desmanche democrático e constitucional.

Manifesto de Desfiliação partidária pelo apoio parlamentar ao Golpe!

Caríssimos camaradas,

Encaminho esta carta como um manifesto de desfiliação coletiva no qual convoco aos companheiros e companheiros de luta a aderirem. O PDT atual é não mais que um partido fisiológico, arbitral e desonesto.

O apoio extenso de parlamentares ao golpe ocorrido hoje, 31 de agosto de 2016, nomes como Lasier Martins, Acir Gurcacz e outros que legitimaram esta farsa ocorrida neste triste e sujo dia, é o motivo pelo qual principalmente lhes encaminho este texto.

Há que se falar ainda na falta de democratização das estruturas partidárias, nas constantes perseguições a militantes que ousam discordar e debater, mas sempre defendendo o centralismo democrático, entretanto que são tratados como asseclas por uma direção vil.

Não me engano também com a campanha de Ciro Gomes. Grande homem, um bom político e comprometido com a pátria, mas que nesse barco chamado PDT é apenas um marujo e não o capitão. Este aliás já disse: ” O timão é meu e quem o direciona sou eu”. Não permitirá a independência de um eventual governo, sem falar que a mesma política de conchavos que ora foi derrotada é a mesma que o partido adotou, porém nesta somos coadjuvantes de um teatro muito maior.

Por estas razões e pelo compromisso com a democracia, com os valores trabalhistas, com o legado de Getúlio Vargas, Leonel de Moura Brizola, Darcy Ribeiro, Abdias do Nascimento e João Goulart, convoco a todos camaradas com o mesmo comprometimento a iniciarem o processo de desfiliação coletiva.

Para findar deixo meus votos de mais alto respeito aos nossos heróis trabalhistas, aos que lutaram contra esta farsa no Congresso e aos camaradas de Luta que mesmo ante este golpe não deixarão de batalhar para construir o país que sempre sonhamos.

Thiago Guimarães Pedrosa

“Venho e volto do campo e os bois são os mesmos: não mudam de caráter. Já os homens…”

 
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