Os partidos de esquerda de Rondônia e a engenharia de resultados

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Frente Democrática terá Vinícius Miguel candidato ao governo

 

Os partidos progressistas de Rondônia, em ato inusitado, caminham em direção à unidade, um dos elementos necessários à ida do seu candidato ao segundo turno. Explico.

Considerando que a direita lançará três candidatos – Marcos Rocha (União Brasil), Marcos Rogério (PL) e Léo Moraes (Podemos) – e que todos eles transitarão entre o eleitorado bolsonarista, conclui-se que existem limites quantitativos para cada um deles. Vejamos.

Nas eleições de 2018, momento alto da onda Bolsonaro, o atual governador Marcos Rocha obteve 530.188 votos no segundo turno (de 882.311 votos válidos). Não há indicações de quê o governo estadual e o governo federal tenham produzido ações para a atração de mais eleitores desde então.

Imaginando que, mesmo assim, o bolsonarismo não tenha perdido nenhum eleitor, ao se dividir os votos obtidos em 2018 pelo governador Marcos Rocha de forma igual, cada um dos três terá 176.730 votos. As diferenças serão resultados da performance pessoal e da eficiência da campanha de cada um. Em função dos interesses intrínsecos a cada um dos grupos e do histórico recente, a disputa entre eles será objeto de conflitos ferozes.

Desta forma, o candidato escolhido pelo PT, PCdoB, PSB, Solidariedade, Rede e PV deve buscar obter 250 mil votos para ter chances reais de chegar ao segundo turno. Este número representa 28,3% dos votos válidos, percentual aproximado dos votos obtidos por Fernando Haddad nas eleições de 2018 – e abaixo do percentual médio do eleitorado de esquerda no estado e no Brasil.

Mas, a obtenção desta quantidade de votos tem algumas premissas. Quatro considero essenciais.

A primeira, citei no parágrafo inicial: unidade. Ou seguem unidos ou o projeto corre risco.

A segunda premissa é conseguir o apoio da parte do MDB que não fecha com o bolsonarismo.

A terceira premissa é a forma como comporão as nominatas proporcionais e quem será o candidato ao senado.

A quarta premissa é a eficiência com que conduzirão a campanha.

Sem qualquer uma destas premissas, a engenharia construída a muito custo corre risco de êxito – e aumentará as chances de dois dos três candidatos bolsonaristas chegarem ao segundo turno.

Por Ednaldo Correa

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