Após seis dias de greve, parte dos ônibus do transporte coletivo de Porto Velho voltaram a circular na manhã desta sexta-feira (17). A informação foi confirmada pelo secretário municipal de trânsito Nilton Kisner. Os veículos já estavam nas ruas por volta das 7h.

Rede Amazônica apurou que o Consórcio SIM chamou os trabalhadores para uma negociação durante a madrugada e alguns deles aceitaram voltar aos postos de trabalho.

Nilton Kisner informou que cerca de 80 funcionários do turno matutino aceitaram voltar ao trabalho, mas a frota continua reduzida por conta das férias escolares.

O secretário também contou que o vale ticket vai ser entregue, e até a próxima terça-feira (21) será pago o salário atrasado. Vai restar ainda o pagamento da segunda parcela do 13° salário de dezembro.

Ele lembra que na reunião de quinta-feira (16) os funcionários rejeitaram duas propostas da empresa e formularam três novas propostas. Durante audiência à tarde no TRT, uma delas foi aceita pelo SIM.

O Sindicato dos Trabalhadores de Transporte Urbano de Rondônia (Sitetuperon) propôs nova assembleia nesta sexta-feira, mas a juíza esperou que o encontro acontecesse ainda no fim da tarde. Após a reunião, a audiência foi retomada e o sindicato anunciou que a categoria pediria demissão em massa.

“Não entendemos. A diretoria do sindicato que havia feito uma proposta voltou dizendo que não aceitava a proposta dele mesmo que queria fazer a rescisão total ou seja a demissão em massa”, disse.

Segundo ele, a Justiça entendeu que a paralisação era irregular, determinou multa ao sindicato, colocou em disponibilidade os bens do sindicato e abriu a possibilidade de demissão justa causa ou a contratação de novos trabalhadores.

Kisner afirma que se os motoristas e cobradores não tivessem parado as atividades, estariam recebendo o mês de dezembro, já que com a greve, a empresa ficou quase uma semana sem arrecadar receita.

“O Consórcio SIM encaminhou divulgação e, hoje pela manhã, novamente surpreendidos quando tivemos a conversa diretamente entre os trabalhadores, o Consórcio SIM e nós da secretaria municipal. Explicamos a situação e o que estava ocorrendo, tivemos essa grata satisfação de os trabalhadores entenderem que se não houver transporte na rua, não haverá como pagar os trabalhadores”, explicou.

O empresário Marcelo Cavalcante, diretor do consórcio afirmou que 42 veículos já circulavam pela manhã e a expectativa era chegar a 60 ônibus até o fim do dia. Na segunda-feira (20) ele pretende começar a substituição da mão de obra dos que resolveram deixar a empresa.

“Ontem quando o sindicato finalizou as negociações falando que todos os trabalhadores iam se desligar da empresa, a gente fez uma convocação para aqueles que queriam continuar a trabalhar a comparecer hoje pra gente achar uma saída racional mediante uma conversação real do que pode acontecer. A gente fez uma reunião com os que compareceram, eles entenderam a situação da empresa, que é um trabalho essencial e resolveram voltar à atividade”, contou Marcelo.

À CBN Amazônia, o presidente do Sitetuperon, Francinei Oliveira, disse que o retorno de alguns funcionários não foi uma surpresa para o sindicato, mas acredita que pelo menos 50% continuam com a ideia de entrar com rescisão indireta.

“A gente fez uma assembleia ontem no finalzinho da tarde e foi dada a opção a eles. Aqueles que não acreditam mais no empresário, que não concordam com aquela proposta formulada pela própria juíza, essas pessoas que procurassem o direito de rescisão indireta agora aqueles outros que não tinham outra escolha, que voltassem aos postos de trabalho para não ser penalizados”, disse.

A greve

A greve no transporte coletivo de Porto Velho começou no último sábado (11). Os trabalhadores alegavam atrasos no salário e no pagamento de benefícios.

Na terça-feira (14), uma decisão do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-14) determinou que até 90% dos ônibus voltassem a circular nos horários de pico, sob pena de multa, mas os trabalhadores continuaram parados.

Na quarta-feira (15) e quinta-feira (16), foram realizadas audiências no TRT-14, mas elas não terminaram com uma definição sobre o fim do movimento grevista.

Fonte: G1

Facebook Comments