Mesmo em um período de pandemia, onde o isolamento social se torna necessário para evitar a disseminação da Covid-19, provocada pelo novo coronavírus, a ONG Doutores da Amazônia, junto com a plataforma de telemedicina Mymedi, encontraram uma maneira para que os povos indígenas de Rondônia não ficassem sem assistência médica em um dos momentos mais difíceis da saúde brasileira.

“Em razão da pandemia da COVID-19, nossas missões estão canceladas e os voluntários do projeto não podem se deslocar até as aldeias, deixando boa parte dos povos indígenas isolados e desassistidos”, explica o dentista Caio Machado, fundador da ONG.

A solução encontrada para que várias comunidades indígenas não ficassem desamparadas foi a aplicação do método de consultas onlines, o que só foi possível devido a empresa de telemedicida Mymedi, que disponibilizou o acesso gratuito à sua plataforma digital para todos os médicos parceiros do Doutores da Amazônia.

Um dos sócios da empresa, o médico Marcelo Santoni, explica que a parceria entre as duas entidades é uma ação que irá além do período de pandemia. “Entendemos que precisamos dar esta contribuição. Essa é uma ação de longo prazo. É uma maneira de democratizar o acesso à saúde, a qual todos têm direito”, comenta.

Marcelo ressaltou ainda que, por meio da plataforma virtual, será oferecido um atendimento seguro e completo já que, a ferramenta de prontuário online permite que se tenha uma segunda opinião sobre o quadro de saúde do paciente e que esta seja discutida com seus colegas, a fim de oferecer o melhor tratamento possível. Os pacientes devem receber ainda pedidos de exames e receituário digital por meio da tecnologia desenvolvida.

Além de disponibilizar a plataforma, tanto Marcelo como Paulo Lázaro, médico especializado em radioterapia e sócio da Mymedi, farão parte da equipe de especialistas que irão realizar os atendimentos aos indígenas de forma voluntária.

Caio Machado explica que o projeto vai começou com atendimento ao povo Suruí, localizado em Rondônia e que conta com 1.500 indígenas distribuídos em 28 aldeias. Para ele, o futuro aponta que mesmo após a pandemia, o atendimento às comunidades indígenas será mesclado: atendimento presencial associado às facilidades da teleconsulta.

“Cuidar dos povos indígenas, que são a origem de nosso povo, é o mesmo que cuidar da história de nosso país”, afirma o dentista.

Médicos voluntários interessados em fazer parte da equipe de teleatendimento da ONG Doutores da Amazônia, podem se cadastrar pelo site.

Expectativas e desafios do atendimento online

De acordo com dados divulgados em 28 de junho, pelo Comitê Nacional pela Vida e Memória Indígena, a pandemia já havia atingido ao menos 114 povos indígenas. O Comitê, que é integrado por lideranças indígenas, anunciou ainda que o total de infectados pelo novo coronavírus nesses grupos era de 9.414 e o número de óbitos era de 380.

Diante do atual cenário, o chefe indígena Celso Suruí afirma que a expectativa para receber o atendimento médico remoto é grande.

“Aqui temos muitos pacientes com doenças crônicas, que precisam ser acompanhados. Muitas vezes, no SUS da região, demoramos até sete meses para conseguir marcar uma consulta com um especialista. Com o atendimento online, isso vai facilitar. Nós, povos indígenas, precisamos disso e sabemos ser uma grande oportunidade de ter acesso à tratamento médico de qualidade, onde mesmo depois da pandemia, a telemedicina vem para ficar”, ressalta.

Com o surgimento da pandemia, os povos indígenas se viram com medo de um vírus ainda desconhecido pelo mundo e especialistas voluntários da ONG se sentiram angustiados por não poder prestar um atendimento médico presencial durante este período.

Fonte: Asssessoria

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