COLUNA RETICÊNCIAS POLÍTICAS  –  Por Itamar Ferreira (*)

… com a nova delação, ‘qualidade Friboi’, divulgada com toda ênfase e destaque por ninguém mais ninguém menos do que a toda poderosa Rede Globo, completa-se o quadro de destruição do modelo político, econômico e social do Brasil, que se tornou uma sombra do que poderia ser chamado de nação.

Flagrados, com suas próprias palavras, o presidente Michel “tem que manter isso, viu?” Temer e o senador presidente do PSDB Aécio “um que podemos matar antes de fazer delação” Neves, revelam toda a podridão de um sistema político e econômico composto por políticos corruptos e empresários corruptores; os quais dominam amplamente o Senado e a Câmara dos Deputados.

Uma parte significativa de nossa elite econômica, como verdadeiros abutres sobre a carniça, se aproveitou da retomada do governo em 2016 com um presidente fraco e impopular, mas com poder e experiência de comprar parlamentares, para buscar implantar o “paraíso do capitalismo selvagem” no Brasil; aprovando a terceirização geral, irrestrita e sem garantias; o fim dos direitos trabalhistas da CLT; inviabilizando na prática o direito de aposentadoria dos mais pobres; além de generosos perdões de dívidas, impostos e outras benesses nada republicanas.

Mas o pior ainda pode estar por vir: qual a saída constitucional será dada para essa tragédia política, econômica e social em que o Brasil foi jogado? Como superar o ódio insano que foi instilado pela grande mídia, que levou amplos seguimentos da população e muitas instituições a apoiar um golpe parlamentar patrocinado por agentes políticos sabidamente corruptos? Ou alguém não se lembra que Eduardo Cunha foi saldado como o “meu malvado favorito” por milhões de brasileiros??

A regra prevista na Constituição Federal diz que Temer renunciando ou sendo defenestrado pela justiça ou por um impeachment, assume temporariamente o presidente da Câmara dos Deputados (envolvido até o pescoço na Lava Jato) e uma eleição indireta será feita por esse Congresso Nacional composto em sua maioria por corruptos citados e/ou investigados na Lava Jato. Um representante desse Congresso não será diferente de Eduardo Cunha e de Temer; ou seja, não teria a menor legitimidade.

Neste momento não dá mais para se ficar procurando quem errou ou roubou mais ou menos, se partidos de direita ou de esquerda, quem é ‘coxinha’ ou quem é ‘petralha’. É preciso que a Justiça processe todos os acusados – dentro do devido processo legal, assegurando garantias constitucionais como do contraditório e da ampla defesa – absolvendo os inocentes e condenando os culpados; não importando o partido, religião, time de futebol, atividade econômica e, até mesmo, se membros da própria Justiça ou do Ministério Público.

Diante deste quadro pavoroso, só resta à sociedade brasileira, ao povo e à sociedade civil organizada – igrejas, OAB, sindicatos, movimentos sociais, associações de classes – realizar uma ampla mobilização por ELEIÇÕES DIRETAS JÁ; pois só um novo presidente, legitimado pelo voto popular e sem ligações com esse Congresso Nacional de maioria corrupta, poderá reunir as condições mínimas para a retomada do nosso projeto de nação.

(*) Itamar Ferreira é bancário, sindicalista, formado em administração de empresas e pós-graduado em metodologia pela UNIR e formando em direito na  FARO.

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