O que falta para o futebol de Rondônia chegar à Série A

Investimentos na base e em infraestrutura devem alavancar o futebol de Rondônia

O estado de Rondônia é um dos mais novos da Brasil. Criado em 1982, este pequeno notável já é considerado o terceiro mais rico do Norte brasileiro, sendo responsável por 11% do PIB da região. Além disso, o estado possui o terceiro maior índice de desenvolvimento humano e a terceira menor taxa de analfabetismo de todos os estados do Norte e Nordeste.

Rondônia chama a atenção por sua história e natureza. O turismo é um dos pontos fortes do estado. A capital Porto Velho atrai milhares de pessoas com os seus museus e praias. O ecoturismo também é forte no interior, como no município de Guajará Mirim.

Mas e o futebol? Assim como os demais estados brasileiros, Rondônia também é apaixonado por futebol. Sua principal competição é o Campeonato Rondoniense, muito aguardado pelos torcedores. O torneio reúne os 10 melhores times do Estado. Na primeira fase, os clubes são divididos em dois grupos de cinco, com jogos de turno e returno. Os dois primeiros colocados de cada chave avançam para a semifinal.

Apesar da empolgação, esta competição é nova e é disputada há pouco tempo neste formato. O futebol de Rondônia tornou-se profissional apenas em 1991, com a realização do primeiro estadual, vencido pelo Ji-Paraná. Foi a partir deste ano que o futebol do estado começou a evoluir a passos curtos. Antes disso, a federação rondoniense ainda enfrentava problemas, como falta de clubes participantes. Para se ter uma ideia, em 2015 foi realizada uma audiência pública na Assembleia Legislativa para salvar o futebol de Rondônia.

Carência de bons estádios, falta de apoio das iniciativas privada e pública e crise financeira dos clubes são alguns dos principais problemas enfrentados pelos apaixonados pelo esporte.

Hoje a situação está um pouco melhor, mas ainda falta muito para o futebol da região crescer e chegar à elite do futebol nacional. Na temporada 2019, a Série A do Estadual já está sendo disputada. O principal destaque é o Ji-Paraná, que foi rebaixado em 2018, mas devido ao cancelamento da Série B do estadual de 2018 por falta de participantes, o maior campeão do estado voltou para a elite estadual nesse ano.

O que falta para o futebol de Rondônia?
O futebol de Rondônia precisa driblar os problemas que vêm atrapalhando a evolução da modalidade no estado. Isso só será possível por meio da organização. A federação precisa trabalhar em conjunto com os clubes no intuito de deixar seu principal produto, o Campeonato Estadual, mais atrativo para a entrada de investidores.

Com um investimento certo e com a união de todos, é possível fazer uma competição atrativa, que estimule seus torcedores e participantes, e que atraia muitos olhares para os gramados de Rondônia. A fórmula de disputa precisa ser atrativa. A torcida precisa ser atraída por ingressos acessíveis, estádios reformulados e, é claro, com um futebol convincente.

Muitas federações estão aderindo a patrocinadores, com o objetivo de dar mais visibilidade e amparo financeiro ao futebol do estado. O Campeonato Paulista 2019, por exemplo, é patrocinado por várias empresas como Sky, Amanco, Penalty e Cannon.

O trabalho nos clubes também precisa ser bem feito com investimento nas categorias de base. Muitos clubes brasileiros dão a volta por cima com a geração de grandes talentos. Um plano vantajoso de sócios também deve ajudar a atrair fiéis torcedores e garantir uma receita fixa, dando possibilidade de investimento, tanto na base, como no profissional.

Catarinense como exemplo

O futebol de Rondônia pode utilizar o Campeonato Catarinense como exemplo. Hoje, o futebol catarinense faz sucesso no cenário nacional, com dois representantes na Série A do Brasileiro, títulos nacionais e internacionais, e com participações na Libertadores da América. Além disso, o Catarinense é hoje um dos estaduais mais disputados do Brasil.

Mas não foi sempre assim. A competição já foi desorganizada e pouco atraente. Vamos voltar para 1994. Neste ano, o Catarinense durou nove meses, mais que o Brasileiro hoje. O problema não era apenas de organização. Tirando o Criciúma, que sofria para permanecer na Série A, clubes de tradição como Avaí e Figueirense sofriam com campanhas fracas na Série C. A Chapecoense não tinha divisão e sofria com a falta de calendário. A federação não tinha dinheiro e os clubes também não.

Isso mudou com um trabalho unificado. A Federação começou a trabalhar com os clubes e investiu pesado no seu principal produto, o Estadual Série A. Os clubes se profissionalizaram, buscaram patrocínios maiores, realizaram planos de sócios e também investiram nas categorias de base. E por falar na garotada, é só pegar o histórico do Figueirense nos anos 2000. Na primeira década do Século 21, o clube revelou três jogadores de Seleção Brasileira. Dois deles ainda atuam no time de Tite – o lateral Filipe Luís e o meia-atacante Roberto Firmino.

Resultado: Santa Catarina está desde 2001 com algum representante na Série A, três títulos brasileiros (Criciúma – Série B e C e Avaí – Série C) e participações históricas na Libertadores da América, com a Chapecoense, nas edições 2017 e 2018. Sem contar o título da Copa São Paulo Júnior conquistado pelos garotos do Figueirense em 2008 e o vice-campeonato da Copa do Brasil em 2007 pelo Alvinegro.

As estrelas de Rondônia

O Estado de Rondônia tem dois representantes no Brasileiro da Série D: O Real Ariquemes, atual campeão rondoniense, e o Barcelona. Inspirados em dois dos maiores times do mundo, esses clubes buscam elevar o futebol de Rondônia no cenário Nacional. O Real Ariquemes foi o campeão estadual em 2018, batendo o Barcelona na final. Os dois ficaram com as vagas do estado para a quarta divisão do ano que vem.  Também é o Real o representante do estado na Copa do Brasil.

Além da dupla, outros times se destacam como o Ji-Paraná, maior campeão do estado desde a profissionalização do Rondoniense, com 9 títulos.

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