Hildon CHaves também vem somando apoio

 

Por Roberto Kuppê (*)

hildovenceAs eleições municipais no Rio, São Paulo e Porto Velho. Torci por Marcelo Freixo (PSOL), Fernando Haddad (PT) e Pimenta de Rondônia (PSOL), respectivamente. No Rio, Freixo vai para o segundo turno contra a direita representada pelo bispo senador Marcelo Crivella (PRB), o que há de mais atrasado para uma cidade cosmopolita e diversa como a capital fluminense. Em São Paulo, venceu no primeiro turno o empresário mega rico, o tucano João Dória que nunca andou tanto na capital paulista como agora nas eleições: ele só trafega de helicóptero.

E, em Porto Velho aconteceu algo inusitado. O ilustre desconhecido da população Dr. Hildon Chaves (PSDB), venceu o primeiro turno e vai disputar com o jovem Léo Moraes (PTB) a prefeitura de Porto Velho.

Antes de abordar o porquê da vitória (inusitada) de Chaves, analiso que Roberto Sobrinho obteve apenas 26 mil votos devido ao desgaste do impeachment de Dilma que pesou muito, além do fato de estar sendo alvo de processo na Justiça. O prefeito Mauro Nazif (PSB) perdeu por incompetência de parte da assessoria dele. Muita arrogância e pouca ação. Não faltou dinheiro, portanto, apenas competência. Já Williames Pimentel (PMDB), novato nas urnas, não poderia vencer este pleito exatamente por isso, sem experiência em disputa eleitoral. Teve o apoio formal do governador de Rondônia, Confúcio Moura (PMDB) e por isso obteve muitos votos, 35 mil. Pavimentou a eleição dele para deputado federal em 2018.

Voltando ao Dr. Hildon Chaves, a inusitada ascensão dele ao segundo turno não foi um golpe, fraude ou algum erro do eleitor. Luciana Oliveira, a blogueira, não tem razão para desconfiar dos votos obtidos pelo tucano. Porto Velho tem um naco de eleitores meio que órfãos de candidatos que correspondam aos seus anseios. Este candidato surgiu e chama-se Hildon Chaves. O mesmo eleitorado que gritou “Fora Dilma”, que festejou o impeachment dela, votou em Hildon Chaves.

Não se pode negar a transferência de votos da deputada federal Mariana Carvalho (PSDB), que obteve mais de 60 mil em 2014. Mariana tanto transferiu, como elegeu o irmão caçula, Maurício Carvalho (PSDB), o mais novo vereador de Porto Velho. Portanto, senhoras e senhores, não houve compras de votos, fraude nas urnas e nem erros do eleitor. Hildon apenas aproveitou esta parcela do eleitorado que o Ibope e muitos analistas ignoraram.

É uma parcela considerável, não se deve ignorar, porém, limitada. O segundo colocado nas eleições de 2016, Léo Moraes, terá muitas dificuldades para vencer este oponente que, de repente, poderá crescer mais ainda. A maioria do eleitor não conhecia Hildon Chaves, mas, agora passará a prestar mais a atenção no nome dele. Parte dos eleitores de Pimentel, Mauro Nazif e Ribamar Araújo tenderá a ouvir mais o candidato tucano nestes próximos 27 dias que antecederão o segundo turno.

Será um difícil segundo turno para Léo Moraes, porém, nada é impossível para quem venceu duas máquinas, a da prefeitura e a do governo do Estado. Ele tem mais experiência em campanhas políticas do que o oponente, foi vereador e eleito deputado estadual em 2014. Tem a juventude e penetra muito bem no seio feminino. Assim como Hildon, Léo Moraes também não tem nada que desabone a conduta dele. A periferia já conhece Léo Moraes, mas a Hildon Chaves soa estranho o nome de alguns bairros.

Ao contrário do primeiro turno, os dois candidatos terão neste segundo os mesmos tempos no rádio e na TV, bem como dividirão bem os debates que certamente serão decisivos. Neste item, Chaves nada de braçada. A experiência dele como promotor de Justiça lhe dá boa vantagem. A juventude de Léo Moraes deverá ser substituída pelo entusiasmo e pela coragem para enfrentar este importante adversário.

(*) Roberto Kuppê é jornalista

rkuppe@gmail.com

 

 

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