O ‘efeito Orloff’: com o agora apressado Hildon Chaves a CAERD poderá ser a ‘ENERGISA amanhã’ 

RETICÊNCIAS POLÍTICAS  –  Por Itamar Ferreira

Caso alguém não lembre ou não tenha idade para lembrar, o chamado “efeito Orloff” foi uma propaganda de vodca dos anos 1980. Nela, o protagonista acorda de ressaca porque tomou vodca ruim. “Eu sou você, amanhã”, diz. O “efeito Orloff” se tornou, nos anos 90, um chavão para comparar Brasil e Argentina; ou seja, um seria o outro no futuro.

Hildon Chaves demonstra estar empenhado em criar um “efeito Orloff”, com a privatização da água e do saneamento, atualmente feito pela CAERD, cujos serviços estão longe de serem bons – até pela sabotagem de gestores interessados em abrir caminho à privatização – mas, basta lembrar que todo mundo reclamava da CERON e a esmagadora maioria defendeu a privatização e deu no que deu: não houve melhoras dos serviços e as tarifas subiram abusivamente assim que a Energisa assumiu, mais de 25%. Hildon parece querer que a CAERD seja a “Energisa amanhã”.

A sanha privatista do prefeito tucano Hildon não é de hoje, pois ele já tentou implantar as famigeradas Organizações Sociais (OSs) na saúde de Porto Velho, as quais são responsáveis por incontáveis denúncias e escândalos pelo Brasil afora, como as que resultaram no afastamento do governador Witzel do RJ. Felizmente, neste caso das OSs, o prefeito não conseguiu o seu intento.

Agora Hildon vende a ideia falaciosa de que a privatização da água e do saneamento da Capital seria a panaceia que resolveria todos os males nessa área: teríamos água tratada e esgotamento sanitário para todos, com bilhões de reais em investimentos de empresas privadas. Será que o incauto cidadão de Porto Velho acredita nisso? E em Papai Noel e em Mula Sem Cabeça?

Ora, qualquer gestor bem-intencionado deveria pesquisar, antes de submeter a população como cobaia, como foram as experiências desse tipo de privatização no Brasil e no mundo. Não precisaria Hildon, que adora viajar, ir muito longe para conhecer “as maravilhas da privatização”, bastaria ir à Manaus, onde a água e o saneamento foram privatizados em 2000.

O que acontece na Capital do Amazonas é retratado em recente matéria intitulada ‘Manaus e o fracasso do saneamento privatizado’, cuja foto ilustra este artigo, a qual informa que “20 anos após Grupo Aegea prometer universalizar sistema, menos de 13% dos manauaras têm esgoto“, no link: https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/manaus-e-o-fracasso-do-saneamento-privatizado/

Mas já que Manaus é algo muito próximo para o viajante tucano que adora outros ares mais refinados, que tal a Europa? A matéria da BBC Brasil intitulada ‘Enquanto Rio privatiza, por que Paris, Berlim e outras 265 cidades reestatizaram saneamento?’ Na qual se registra que “da virada do milênio para cá foram registrados 267 casos de ‘remunicipalização’, ou reestatização, de sistemas de água e esgoto“,  publicada no link https://www.bbc.com/portuguese/brasil-40379053

Onde será que Hildon Chaves busca “inspiração” para tentar convencer os portovelhenses de que a privatização seria uma maravilha e não uma “nova Energisa”? Deve ser nos alfarrábios da ideologia tucana, pois os fatos e a história mostram que esse tipo de privatização, via de regra, é um desastre. Se depender do Hildon, Porto Velho será a Manaus de amanhã!

* Itamar Ferreira é advogado e responsável pela Coluna Reticências Políticas. 

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